domingo, 11 de julho de 2010

“CAMPEÕES” SEM TAÇA DÃO EXEMPLO DE FUTEBOL E RAÇA NA DISPUTA PELO TERCEIRO LUGAR



Normalmente, não se espera muito de uma disputa pelo terceiro lugar, mas estamos falando de Copa do Mundo, e isso significa muito.

Durante a competição, a Alemanha deu mostras de que lutaria pelo título, surpreendendo até os mais crédulos. Perdeu 5 jogadores antes do início da Copa e, mesmo assim, veio com uma seleção forte, renovada e que terá grande chance em 2014. Caiu diante da Espanha, que amanhã jogará pelo título. Já do Uruguai não se esperava muito, pois há tempos a camisa Celeste já não impunha o respeito merecido. Mas, em campo, vimos uma seleção aguerrida e valente, que fez de tudo para vencer seus adversários.

A partida entre Alemanha e Uruguai foi uma das melhores dessa Copa. Houve duas viradas e bola na trave no último lance do jogo. Foi emocionante e serviu para mostrar como deve ser o espírito de uma seleção numa Copa do Mundo, como os jogadores devem honrar as camisas que vestem, pois muitos não fizeram isso, inclusive na seleção brasileira.

A Alemanha saiu na frente aos 9 minutos, com Müller, que pegou o rebote do goleiro Muslera após chute de Schweinsteiger. Aliás, essa foi a primeira falha decisiva do goleiro uruguaio, que rebateu a bola pro meio da área, facilitando a vida do menino da camisa 13.

Ao contrário do que aconteceu com algumas seleções, o Uruguai não tremeu após o gol e não se perdeu em campo. Como conseqüência veio o gol de empate aos 28 minutos. O volante Pérez roubou a bola de Schweinsteiger, no meio de campo, e mesmo caído, conseguiu dar um passe para Suárez. O atacante-goleiro conduziu a bola e tocou para Cavani, que entrou livre para tirar do goleiro com um chute certeiro. E assim terminou o primeiro tempo, sendo que Suárez ainda perdeu um gol incrível aos 41 minutos.

A virada uruguaia veio cedo, logo aos 5 minutos do segundo tempo. Arévalo tabelou com Suárez pela direita e cruzou para Forlán que, de primeira, mandou a bola pro gol num lindo voleio. Esse foi o quinto gol do camisa 10 do Uruguai, que disputa como melhor jogador da Copa, merecidamente.

A festa celeste não durou muito tempo, pois o inseguro Muslera entregou o ouro novamente. Aos 11 minutos, Boateng cruzou na área, o goleiro catou borboleta e Jansen cabeceou para a rede. Era o gol de empate, que deixou o jogo ainda mais emocionante.

O gol da vitória alemã veio aos 37, com Khedira. Após confusão na pequena área, a bola sobrou para o volante que não perdeu a chance de cabecear para o gol. Kiessling, que substituiu Cacau, ainda poderia ter ampliado, mas faltou colocar o pé na forma.

Apesar do banho de água fria, a seleção uruguaia lutou até o fim. Já nos acréscimos, o Uruguai teve uma chance preciosa de levar o jogo para a prorrogação, após falta marcada na entrada da área. Forlán bateu e a bola bateu no travessão. E o juiz apitou o final da partida.

Mesmo derrotado, o Uruguai saiu de cabeça erguida e seus jogadores serão ovacionados na chegada à Montevidéu. Fizeram uma bela campanha, quebrando um jejum de 40 anos sem chegar a uma semifinal. A Alemanha já tem a base para a Copa de 2014, no Brasil, mostrando que renovação também traz resultados positivos. Alguns jovens valores foram mostrados ao mundo, como Müller e Özil, mas não se esqueceram dos “velhos” jogadores, que também fizeram a diferença. O atacante Klose marcou seu 14º gol em Copas, e poderia ter marcado mais se tivesse jogado, o que não aconteceu. É o 2º maior artilheiro da competição.

E assim terminou a participação das duas seleções na Copa de 2010, demonstrando, mais uma vez, que o polvo Paul estava certo. Bichinho danado! Será que vai dar Espanha mesmo? Saberemos neste domingo!


Créditos da imagem: Uol

sexta-feira, 9 de julho de 2010

UM MISTO DE “ADEUS” COM “ATÉ LOGO”

Hoje acordei com o peito doendo, garganta apertada, pensando somente em um lugar. Único lugar no mundo em que, hoje, gostaria de estar. Mas não estarei. Não estarei hoje, não poderei mais estar em nenhum dos amanhãs que virão. Não sou saudosista, mas reconheço o valor do que passou e de coisas tradicionais. Reconheço, também, que mudanças são incontroláveis e, muitas vezes, imprescindíveis, mas nem por isso deixo de sofrer por aquilo que é necessário sacrificar em favor de algo novo. Hoje sofro, não há como e nem motivo para negar.

Agora virá o futuro. Uma Arena nova, diferente, “moderna”. Não será mais como hoje e confesso que, apesar de boas novidades, muitas coisas tão importantes ficarão para trás... Não é lamentação, mas constatação do que é comum. A vida é assim, a história é assim, é dessa forma que as coisas acontecem. E aceitando as mudanças, desejando muito que tudo dê certo e que a Arena traga benefícios, também desejo que não tirem o nosso lugar de lá. É tão difícil não tremer quanto não sentir raiva ao ler o que o repugnante J. Hawilla disse há algum tempo atrás, que dá orgulho ver gente pagando R$ 300 num ingresso, que a turma que fica na geral deve ficar em casa porque não consome nada e não interessa mais ao futebol. É besteira não considerar que pensamento desse tipo não poderá resultar numa novidade inacessível a quem tanto amou e viveu no Palestra Itália. E por tratar-se de assunto tão preocupante, infelizmente, não poderia deixar passar. Resta-nos esperar e cobrar o bom senso das pessoas no poder. Mas, por hoje, quero falar do Palestra que hoje ainda temos.

Estive no Palestra Itália, de corpo presente, por apenas três vezes, entre 2009 e 2010. Gostaria de poder ter pisado mais naquele chão marcado por tantas histórias de glórias, de dores, alegrias, revoltas, tristezas, euforias, amor, raivas, sonhos, desejos, paixão, Palmeiras. Gostaria, não foi possível, sei que fiz sacrifícios para estar nas poucas vezes possíveis. Mas nem por isso deixei de me sentir lá, como se realmente estivesse, por centenas de vezes durante minha infância e adolescência. Era como um sonho e, posso garantir, ao pisar pela primeira vez naquele lugar, na tarde de 7 de junho de 2009, para ver o Palmeiras vencer o Vitória por 2x1, de virada, com gols de Ortigoza e Maurício Ramos, eu senti como se estivesse num lugar do meu cotidiano, lugar que sempre freqüentei. Sabe quando você diz que “esse é o meu cantinho no mundo, o meu lugar”? Eu me senti assim porque, mesmo que não tenha freqüentado tanto quanto gostaria, aquele é meu lugar. Meu e de tantos outros milhares.

É até engraçado que eu tenha presenciado, justamente, uma vitória, um empate e uma derrota; um dia de muito frio, um dia de frio e chuva, um dia de sol (e chuva). Mas ao fechar os olhos agora, só consigo pensar em duas coisas: o vento no rosto e uma imagem de comemoração de gol. E há um hino que toca em minha mente, um hino que me faz lembrar uma grande história de superação de homens e mulheres que sempre lutaram muito por essa nossa paixão. Nós ainda vamos lutar muito, eu sei. Não acredito nessas coisas, mas parece que essa luta incessante é como um destino traçado lá por meados de 1914. E o Palmeiras, como sempre aconteceu depois de tanta lutar, continuará de todos nós. Ao menos é o que espero, sonho, desejo, não permitiríamos coisa diferente.

Hoje pode ser o último dia do tão querido “jardim suspenso”. E tantas histórias, tantos momentos... Não falo apenas das glórias e fracassos daqueles que vão para os álbuns, vídeos e livros. Falo de histórias de todos nós, de nossas vidas, cada grande história de pessoas consideradas pequenas, cada pequena história de pessoas grandes. Deixará saudade, já estou com saudade, mas é certo que o Palestra, nosso Palestra, não ficará no passado, trata-se de uma mudança e não de um final. E que venham tantas outras histórias, para nos fazer rir e chorar, para nos emocionar, para guardar lugar ao lado dessas lembranças que teremos do que existe hoje. E sei que essas novas histórias virão. Se você for ao Palestra hoje, por favor, deixe uma lágrima minha lá, mas não se esqueça de deixar um sorriso também.



Créditos das imagens: Palestrinos e Cruz de Savóia.


quinta-feira, 8 de julho de 2010

LA FÚRIA ROJA

Poderia ser título de filme hollywoodiano, mas não é. Trata-se de uma seleção, um time de futebol, que nos tempos de força física e futebol-resultado, mostra que não é necessário mudar seu jeito de jogar para chegar às conquistas. A Fúria não tem um passado vitorioso, estrelas no peito ou quão menos experiência em decisões. A camisa é leve. Já a Alemanha, que passou atropelando Inglaterra e Argentina, tem uma camisa pesada, com diversos títulos, de grandes equipes e jogadores. Uma história invejável. Mas a história jamais permanecerá intacta, ela se renova. A espanhola está sendo escrita diante de nossos olhos, com bom futebol e com uma prova: a camisa pesa sim, mas só para os fracos. E a Espanha, “amarelona”, pode levantar a taça da Copa do Mundo, enquanto tem time aí que nem em final de Libertadores chegou ainda. Ô dó!

Já se sabe que a Copa do Mundo da África do Sul terá um campeão inédito. No domingo entrarão em campo duas seleções “virgens”, e uma especificamente que nem perto da hora H havia chegado. A Fúria tinha no caminho para sua primeira final a renovada seleção alemã e o estigma de amarelar em jogos difíceis. E digamos que havia certo favoritismo para a Alemanha, já que os comandados de Joachim Löw passaram como um rolo compressor sobre ingleses e argentinos. Tudo isso é passado, mesmo que recente. Quando o juiz apitou e a partida começou, quem se fez grande foi a Espanha. Dominou a posse de bola, criou jogadas, teve paciência, quase não levou sustos e quando levou teve Casillas para garantir lá atrás. Os alemães ainda podem se queixar da ausência de Thomaz Müller, que levou seu segundo amarelo diante dos hermanos e desfalcou a engrenagem germânica diante dos espanhóis. Embora Vicente Del Bosque também possa reclamar, já que um de seus principais jogadores, Fernando Torres, ainda nem veio à Copa.

Na base do toque de bola, a Espanha dominou todo o primeiro tempo e com uma exibição bem melhor do que contra o Paraguai, pelas quartas de final. Del Bosque colocou El Niño Torres no banco para a entrada do ótimo e jovem Pedro, mais um do Barcelona. E deu certo. O espanhol deu muito trabalho para a excelente defesa alemã, embora Villa tenha rendido menos devido a mudança de posicionamento. Mesmo com domínio, nada de gols. A rede só foi balançar na segunda etapa. A Alemanha parecia outro time, muito diferente daquele que venceu Inglaterra e Argentina. Nem seus contra-ataques mortais pegaram a Fúria desprevenida. Teve somente uma grande jogada, que passou por Özil, Podolski e Kroos, mas parou numa bela defesa de Casillas. Enquanto isso, os espanhóis pressionavam. Com finalizações de Xabi Alonso e Pedro, a Espanha perdia chances, mas se aproximava do gol a cada lance. E ele veio. Não teve jogada trabalhada, nem foi um golaço. Foi simples e suficiente. E foi de Puyol. O zagueiro do Barça subiu mais que todo mundo, praticamente voou para cabecear o escanteio preciso de Xavi. Uma paulada, sem chance para Neuer.

Com o gol espanhol, finalmente a Alemanha teve que sair da toca. E saiu tanto que poderia ter perdido de mais. Aliás, deveria. Pedro recebeu um lindo lançamento de Xavi e pegou a defesa alemã toda aberta. Só tinha duas excelentes opções: ou chutava e marcava ou então rolava para Torres, que havia entrado no lugar de Villa, livre e com o gol escancarado à sua frente. Mas ele inventou uma terceira opção: tentar um corte no zagueiro e enfiar a bola no rabo. De castigo, acabou substituído por David Silva. Os alemães apertaram, mas não teve jeito. Era “dia de Fúria”. Final de jogo e classificação inédita para a final. Desde 78, quando Holanda e Argentina decidiram o mundial, uma Copa do Mundo não é decidida por duas equipes sem o título no currículo.

A Espanha se manteve com o mesmo ritmo em que venceu os últimos cinco jogos e que também perdeu na estréia contra a Suíça, no resultado mais injusto da Copa. A diferença foi uma garra, uma vontade que ainda não tinha sido vista nessa seleção de Del Bosque. A Fúria mostrou hoje que a melhor maneira de se respeitar o adversário é jogar para vencê-lo. Respeito pelo torcedor e pelo futebol acima de tudo. Respeito por seu estilo de jogo. Respeito por sua leve, porém honrosa camisa. Já a Alemanha jogou pouco, mais por culpa da seleção espanhola do que de si própria. Domingo é fato que veremos um campeão inédito, mas ainda mais fato é que veremos um campeão por merecimento. As duas finalistas aí chegaram porque fizeram por merecer. A competente Holanda contra a lúdica Espanha, quem leva? Lembrando que nunca houve um campeão que perdeu o jogo de estréia, caso da Espanha... Grande bosta. O que vale é bola rolando e mais nada.

Créditos da foto: El País.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

QUANDO BRILHAM AS ESTRELAS


Não, embora o título possa sugerir, não foi um grande jogo marcado por lances geniais de craques igualmente geniais. Isso não quer dizer que foi chato, ruim, sem emoção... O que quero dizer é que, em uma Copa marcada pela falta de grandes estrelas em várias das maiores seleções, ou pela falta de brilho de tantos outros candidatos a melhores do mundo, na semifinal entre Holanda e Uruguai o brilho das “estrelas do time”, aqueles jogadores que podem fazer a diferença em momentos de “escuridão”, se destacou nos fatores que levaram ao resultado final. Afinal, se a Holanda fez um jogo muito diferente do que vinha realizando, isso em grande parte determinado pela forte marcação do Uruguai, contou com a efetividade de seus principais jogadores no momento em que precisava. Já a equipe celeste depende demais, e quase que exclusivamente, do poder ofensivo de seu camisa 10 – principalmente com a falta do goleiro da Copa, o camisa 9 Suárez -, e contar demais com apenas um jogador é algo perigoso.

Imagino que não importa tanto falar que a última final da Holanda, que jamais foi campeã do mundo, aconteceu há 32 anos; ou que o bicampeão Uruguai não vê a taça desde 1950. É o jogo que decide a vaga na final, final decide taça, é importante tanto para os “virgens” quanto pra quem já venceu uma, duas, três, quatro, cinco vezes. Não há seleção acostumada com isso, embora tenha um sabor especial quando “gente diferente” tem chance. A Holanda, apesar da falta de títulos, não é considerada zebra pela história no futebol e pela qualidade do time técnico, com bom toque de bola e alguns jogadores que desequilibram. Atualmente tem um time bom, que resolve, não ficaram 25 jogos sem perder por mero acidente e sempre foram considerados, pela qualidade, um dos favoritos nessa Copa, apesar de muitos destacarem o fato de não serem campeões como ponto que desfavoreça.  Por outro lado, o Uruguai tem um time mediano, com alguns bons jogadores e apenas um destaque, Forlán. Tecnicamente é o pior time dessas semifinais, mas demonstra a raça e determinação que todas as seleções deveriam ter em Copa do Mundo. E foi por essas qualidades honrosas que a celeste ganhou minha simpatia e minha torcida, assim como de muitos outros brasileiros. Mas, infelizmente, e com certa justiça, já que a Holanda tem um time melhor, não deu.

Bola rolando, o Uruguai formou um paredão que dificultava até mesmo o belo toque de bola Holandês. Em determinados momentos do jogo, a Holanda foi até um tanto quanto irreconhecível, dada a quantidade de passes errados. Culpa da forte e eficiente marcação uruguaia. Mas, se a marcação era boa, a criação deixou a desejar. Além da, também forte, marcação holandesa, a equipe celeste ainda teve que enfrentar as dificuldades de Forlán e Cavani em criar opções ofensivas. Ambos erraram passes e perderam o tempo da bola em várias ocasiões. E já que os times estavam espertos defensivamente, o negócio era arriscar de fora da área. Foi assim que Van Bronckhorst marcou, aos 18 minutos, em belo chute que, antes de entrar, bateu caprichosamente no canto direito do gol.  Com 1x0 para os laranjas, os celestes apertam ainda mais a marcação. E só lá pelos 30 minutos que o Uruguai passou a buscar gol de forma mais incisiva, tendo que superar a forte retranca de uma Holanda toda recuada e esperando contra ataque. Foi assim que saiu outro gol de fora da área, dessa vez dos pés de Forlán. O camisa 10 celeste acertou uma bomba de pé esquerdo e o goleirão holandês até tocou na bola, mas não teve jeito, gol de esperança para o Uruguai.

No primeiro tempo foi isso. O Uruguai, com menos chances de gol, conseguiu segurar bastante o time holandês e garantiu o empate.  Destaque para a força de decisão de Forlán, que ainda fez bela cobrança de falta defendida pelo goleiro, e para o lateral esquerdo (que originalmente joga pela direita) Cáceres, que esteve bem na marcação e buscando muito por opções ofensivas. Já a Holanda, embora sofrendo com a marcação adversária, teve algumas boas chances, contando bastante com a visão de jogo de Kuyt, um atacante técnico que “joga para o time”. Van Persie, Sneijder e Robben até colocaram perigo, porém, para resolver o jogo, faltava mais.

No segundo tempo a Holanda voltou com o meia Van de Vaart no lugar do volante De Zeeuw, o que resultou num Sneijder, o camisa 10 artilheiro e destaque holandês, com maior liberdade ofensiva. E foi com ele que veio o segundo gol. Aos 25 do segundo tempo, o meia recebeu a bola pela esquerda, cortou e chutou no canto direito do gol. A Jabulani bateu em Van Persie, impedido, o que atrapalhou o goleiro, mas o juiz validou. Três minutos depois, Kuyt fez ótimo cruzamento pela esquerda e Robben não desperdiçou. Gol de cabeça que praticamente decretava a classificação holandesa.

Quinze minutos para fazer o que foi difícil realizar durante o jogo todo, dois gols, com o camisa 9 suspenso, dificuldades na criação e uma Holanda fazendo de tudo para segurar o resultado. Impossível? Para alguns amarelos, o empate laranja pode fazer tremer, mas os uruguaios mostraram a bravura de campeões e lutaram até o final. Sem destempero, mais uma vez de forma bonita, buscaram força para virar um resultado desfavorável. O técnico Oscar Tabárez trocou Alvaro Pereira por Loco Abreu e, não se sabe se por problemas físicos, Forlán pelo atacante Fernández. Se com Forlán estava difícil, sem ele ainda mais. Mas nem por isso os celestes desistiram. E foi de tanto tentar que saiu o gol de Maxi Pereira, já nos acréscimos, aos 47 do segundo tempo. Em cobrança de falta, Pereira recebeu a bola na entrada da área, chutou, marcou e colocou fogo na partida. Se a esperança é verde, hoje ela foi “azul celeste”. O juiz, que tinha dado três minutos de acréscimos, deixou o jogo rolar até os 50. E os uruguaios, que não são bobos nem nada, lutaram incessantemente até o último segundo de desespero holandês.

Apesar da honra uruguaia, a festa hoje é nos Países Baixos. Verdade seja dita, o time holandês não é uma laranja mecânica, mas é melhor que muita seleção por aí, inclusive o bravo time uruguaio. Kuyt, Robben e Sneijder podem não ter o talento de um Johan Cruijff, mas são bons jogadores e decisivos como poucos craques nesse mundial. Embora a raça celeste seja de “dar inveja” a qualquer um cuja seleção nacional tenha um time melhor - mas sem nada dessa força necessária -, há momentos em que prevalece a capacidade daqueles que se fazem brilhar quando a coisa aperta, daqueles que resolvem quando a situação é complicada. Esse é o verdadeiro brilho das estrelas, mesmo que essas estrelas não sejam aquelas que recebem prêmios, maior destaque nos jornais e em campanhas publicitárias.

Agora é esperar o resultado entre a fúria espanhola e a fábrica de chocolates alemã. Será reedição de 74 ou final inédita? Alemanha é favorita, pelo time e pela camisa, mas numa Copa em que vi seleção tradicional e campeã literalmente amarelando, Maradona separando briga, Eslováquia nas oitavas, estadunidense aprendendo a torcer por futebol e Suíça assustando favorita, eu não duvido de mais nada. E confesso que, independente do resultado, a minha torcida estará no time que vencer o jogo desta quarta-feira.

Crédito da imagem: UOL.


domingo, 4 de julho de 2010

ESPANHA VENCE COM DRAMA E VILLA

Enquanto todo mundo imaginava vida fácil para a Espanha, a Copa do Mundo nos preparou mais um jogo cheio de emoções. Foi uma vitória suada, numa partida muito disputada, em especial na segunda etapa, e no momento de adversidade finalmente vimos a seleção espanhola com cara de “Fúria”. Fora isso, participação especial dos dois goleiros, defendendo um pênalti de cada lado, e da arbitragem, muito confusa. Agora a Espanha fará o jogo mais importante de sua história e lutará para chegar à sua primeira final de Copa do Mundo, e até quem sabe ao título. Mas do outro lado tem a gigante Alemanha, ainda mais agigantada pelo futebol que vem desempenhando. Mais um duelo de tirar o fôlego. Será que os espanhóis param a “fábrica de chocolates” alemã? E os alemães, seguram David Villa? Respostas mesmo só com bola rolando.

Depois dos resultados nas oitavas de final com quatro sulamericanos classificados, a imprensa e alguns torcedores deslumbrados começaram a falar que essa era a Copa da América do Sul. Das quatro seleções, duas eram favoritas, uma brigaria de igual pra igual e a outra era zebra. As duas favoritas enfiaram a viola no saco e a zebra brigou, lutou, não se entregou, mas foi junto pra casa com as eliminadas. Dos quatro sobreviventes, agora apenas um é sulamericano e os outros três são europeus. A zebra caiu hoje, diante de uma favorita que continua sem jogar tudo o que pode. O Paraguai sim jogou o que poderia. Ou talvez até mais. A modificada equipe paraguaia deu um “susto” na Espanha logo no início de jogo. A marcação forte já no campo de ataque, não permitindo o tão famoso toque de bola espanhol acontecer, deixou o time de Del Bosque confuso. A Fúria não conseguiu jogar nem criou boas chances de gol, enquanto o Paraguai ainda pode reclamar de uma jogada duvidosa. No final do primeiro tempo, Valdez marcou, mas o gol acabou sendo invalidado. O auxiliar assinalou participação de Cardozo, esse sim impedido, no lance. Valdez não estava. Embora confuso, concordo com a arbitragem nessa marcação.

Na segunda etapa o jogo foi outro. E sabe de quem foi a culpa? Divida ela entre o arbitro guatemalteco e Piqué. O zagueirão do Barcelona tem bola suficiente pra ser um belíssimo zagueiro, mas tem cérebro de um chimpanzé. Fez um pênalti tão pênalti que fico até com vergonha por ele. Agarrou e se recusou a largar o paraguaio, até que o juiz apontou para o centro da área. Na cobrança, Cardozo, que aparentava muito nervosismo, parou em Iker Casillas. É bem verdade que teve uma grande invasão espanhola na área e que Cardozo bateu muito mal, mas méritos também para o goleirão do Real Madrid. Logo em seguida, Villa foi derrubado na área depois de contra-ataque da Espanha. Pênalti que Xabi Alonso cobrou e fez, mas o juiz mandou voltar alegando invasão dupla, que realmente aconteceu, mas foi mínima. Um preciosismo. Na segunda cobrança, o excelente volante merengue também parou no arqueiro adversário, o paraguaio Villar. No rebote, o goleirão paraguaio fez um pênalti claro em Fábregas, mas o juiz não deu.

O jogo que seria simples tomou contornos dramáticos. O Paraguai se defendia bravamente e a Espanha ainda precisava de Xavi, Iniesta e Villa. Com Pedro na partida, substituindo Alonso, o jogo melhorou para a Fúria. Até que o trio, que será trio do Barcelona na próxima temporada européia, apareceu e decidiu. Xavi tocou de calcanhar para Iniesta, que arrancou e fez uma bela jogada. O camisa 6 completou com um belo passe para Pedro definir, mas a revelação catalã chutou na trave. Adivinha quem a Jabulani procurou? David Villa, que depois do chute teve que olhar a bola bater nas duas traves e entrar. Muito bonito e chorado gol espanhol. Para encerrar, Casillas garantiu a vitória espanhola ao fechar o gol para Roque Santa Cruz.

E foi assim, com uma vitória dramática e suada que a Espanha chegou às semifinais da Copa. O problema mesmo é o que vem pela frente: a poderosa Alemanha. Camisa já não ganha jogo faz tempo, justamente por isso o futebol alemão se renovou e montou uma seleção que mescla juventude com certa experiência, vontade, obediência tática e muita qualidade técnica para continuar vitoriosa. Futebol se ganha no campo, não nos livros de história. A Alemanha que já tem capítulos brilhantes nesse “grande livro dos campeões no futebol”, se prepara para preencher mais uma página. A Espanha, que deve ter uma notinha de rodapé e tão somente, quer fazer história. Será uma bela semifinal com duas grandes equipes. Que vença o melhor!

Créditos da foto: GE.

sábado, 3 de julho de 2010

DEUTSCHLAND ÜBER ALLES


Por Sergio Bellangero

Alemanha acima de tudo! Será?

Foi assim que terminei um dos meus textos neste blog sobre a seleção Alemã. Sinceramente, não acreditava. O time renovado, problemas pessoais no elenco e contusões colocavam uma ponta, para não dizer uma dúvida inteira, sobre essa seleção de 2010. Para quem viu esse time nas eliminatórias que, apesar de ter feito boa campanha, não empolgou em nenhum jogo, ficava difícil dizer em 11 de Junho: “A Alemanha é favorita ao título!” Muito bem, para quem o fez e assim previu, só tenho a parabenizar. Mas ainda assim acredito que quem apostou na Alemanha antes de a bola rolar agiu pela tradição e pela camisa dessa seleção. E que bela camisa essa preta da Alemanha. Mas a beleza não ficou só no figurino. A Alemanha estraçalhou a Argentina e chega com força à semifinal. Agora segura!

Falando do jogo, com o que as duas seleções haviam feito ao longo da Copa, já se podia prever uma Alemanha muito mais equilibrada em todos os setores do campo, jogando no conjunto e muito bem treinada, enquanto do lado Argentino, via-se bons nomes individualmente, mas uma seleção desequilibrada entre a defesa, o meio e o ataque. E, mais uma vez, este esporte mostrou que conjunto é a palavra chave! A melhor disposição tática Alemã extirpou qualquer possibilidade de se ver alguma arte sobressalente sair dos pés de Messi. E não se iluda quem, lendo este artigo, pense que a Alemanha é só um ótimo conjunto e um time bem treinado. Ótimos nomes em todos os setores do campo, também, dão ao time Alemão a técnica necessária, seja pela esquerda com Lahm, pelo meio com Schweinsteiger e Özil e na frente com Podolski e Müller. O que dizer então de Klose, um centro-avante nato, que não engrena nos clubes, mas que na seleção faz gol atrás de gol.

E assim, aos 2 minutos de jogo, em bola parada pela lateral de campo e uma falha grotesca da zaga Argentina, mas, principalmente, de posicionamento do goleiro, Romero, a Alemanha abriu o placar prematuramente, quebrando toda a estratégia tática da Argentina – se é que Maradona sabe o que é isso. Mas ainda que saiba, teve que colocar o seu time para frente para empatar o jogo no primeiro tempo e a Alemanha, marcando com todos os seus jogadores atrás da linha da bola até o meio de campo e depois fazendo duas linhas de quatro, praticamente não correu riscos durante todo o primeiro tempo. Poderia até ter matado o jogo ali, mas respeitou a Argentina demais e ficou assim, 1 x 0, nos primeiros 45 minutos.

Na volta do intervalo, viu-se, ainda mais, a diferença não só de equipe para equipe, mas das instruções e visão de jogo do comandante alemão no vestiário. Joachim Löw, percebendo que poderia ter matado o jogo no primeiro tempo, reposicionou a equipe Alemã de forma um pouco diferente, deixando Özil com Klose na frente da linha da bola na marcação e as duas linhas de quatro para marcar, fazendo marcação por zona e não individual em Messi que, mais uma vez, esteve em tarde (na África do Sul) não muito inspirada.

Deixando de respeitar tanto a Argentina, explorando quase todas as jogadas pela lateral esquerda dos Hermanos e com um futebol soberbo de Schweinsteiger, a Alemanha chegou ao segundo gol, ao terceiro e ao quarto com facilidade, e com um bonito e solto toque de bola. Frise-se a grata e jovem surpresa alemã chamada Thomas Müller, que foi um dos pivôs – literalmente – a ajudar a sepultar a Argentina ao som do mais melancólico tango. Mas não foi “por una cabeza” que a Argentina ficou de fora da Copa, e sim, a quatro longos e doloridos corpos de distância.

Deutschland über alles! Agora está fácil de acreditar!

Crédito da foto: UOL

INCRÍVEL!

Junte pelo menos mais uma dúzia de palavras que expressam o que foi a partida entre Gana e Uruguai e será pouco. Enquanto o brasileiro ainda afogava as mágoas da eliminação, as duas equipes, dois “intrusos” das quartas de final, fizeram história. Não, não é da boca pra fora, foi histórico mesmo. Foi impressionante. Incrível. Um jogo que na bola já foi bom, mas na emoção talvez tenha sido insuperável. É difícil imaginar, mesmo com grandes duelos pela frente, que nesta Copa do Mundo algo vá superar essa partida. Duas seleções guerreiras de verdade, não só de propaganda de cerveja, que não mereciam nada além da classificação. Infelizmente, para Gana isso não é possível. Poderiam mandar a Holanda pra casa e dar a vaga às duas equipes. E a sexta-feira terminou com dois cartões vermelhos: de um vilão e de um herói. Sempre gosto mais dos heróis, eles são guerreiros.

Quem esteve no Soccer City hoje viu algo que eu gostaria de ter visto de perto. No entanto, ninguém imaginava que a partida mais “desdenhada” das quartas de final fosse tomar contornos históricos. De um lado, a única sobrevivente africana da Copa, a briosa seleção ganesa. Do outro, a lendária “Celeste Olímpica”, que ninguém dava nada no início da competição. Duas “zebras” que provaram o contrário em campo. Com a bola rolando foi o Uruguai que começou em cima. Dominou as ações ofensivas na primeira metade do primeiro tempo e obrigou o goleiro Kingson a fazer ótimas defesas. Mas o que parecia um jogo fácil para os uruguaios, mudou da água pro vinho. Gana apertou, tomou o controle do jogo e praticamente se igualou na posse de bola, além de contar com a contusão de Lugano. E quando todo mundo já se ajeitava pra levantar do sofá, aos 47, Muntari se aproveitou da liberdade que “ganhou” dos defensores uruguaios e chutou de longe pra abrir o placar.

Na segunda etapa, quase tudo parecia repetir a primeira. Uruguai começando melhor, pressionando, e Gana acuada, esperando um contra-ataque. A diferença foi Forlán. O camisa 10 uruguaio tirou sua seleção do “quase” ao marcar em cobrança de falta, na esquerda, da entrada da área. O chute seco e cheio de curva pegou o goleirão ganês com as calças na mão. Virada uruguaia? Não. O jogo seguiu pro ritmo da primeira etapa e Gana voltou a dominar a partida. As chances foram surgindo de cada lado e o cronômetro foi o único a conseguir parar as duas equipes de, pelo menos, tentarem a vitória. Prorrogação e mais sofrimento pela frente. Hora de entrar para a história.

Nos dois tempos Gana foi um pouco melhor, mas as duas equipes, não por acaso, pareciam não ter mais fôlego para pressionar o adversário. A disputa de pênaltis parecia o caminho mais óbvio. Até que algo impressionante aconteceu. Último minuto do segundo tempo da prorrogação, e última também era a chance ganesa em cobrança de falta alçada à área. A defesa uruguaia salvou a primeira, mas na segunda não tinha jeito. Gana faria o gol. Não fez. Suárez, como um hábil goleiro, meteu a mão na bola e salvou o gol em cima da linha. Um sacrifício, um ato de desespero. Pênalti e cartão vermelho para o uruguaio. Tudo estaria acabado ali e já seria incrível. Só dependia do ótimo Asamoah Gyan. “Acabou”, eu pensei. Errei. Não mais do que o camisa 3 ganês. O pênalti da classificação inédita explodiu no travessão de Muslera. Inacreditável.

Nas cobranças de pênalti, Gyan se redimiu e fez o dele. Assim como Forlán, Victorino e Scotti, além do ganês Appiah. O uruguaio Maxi Pereira perdeu a quarta cobrança, chutando a Jabulani na lua, mas contou com os péssimos cobradores ganeses e com o goleiro Muslera. Mensah e Adiyiah perderam na sequência e Loco Abreu teve sangue frio para dar sua famosa “cavadinha” e acabar com a disputa. Pobre Gana, bravo Uruguai. Por hora, todos os jogos dessa Copa serão lembrados naqueles caros almanaques lançados em todo ano de mundial, mas esse terá uma página especial. Foi sensacional. Parabéns às duas seleções pelo espetáculo de raça e determinação que deram. E depois de 40 anos, o Uruguai volta a uma semifinal de Copa do Mundo. A Celeste voltou, e o Brasil, o país do futebol, quando volta? Será no dia de “São Robinho”, hein, dona Nike?

Créditos da foto: GE.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

BRASIL “PERDE A CABEÇA” E HOLANDA ESTÁ NA SEMIFINAL

O sonho do hexa acabou. A histeria coletiva também. Agora é hora de voltar à vida, ao trabalho, aos afazeres normais. É hora de acordar e tirar o rei da barriga.

O Brasil começou muito melhor, envolveu a Holanda de forma eficiente e fez com que todos acreditassem que o placar seria elástico. O gol saiu cedo, logo aos 10 minutos. Robinho escora para o gol de primeira, após lindo lançamento de Felipe Melo, o mesmo que ajudou a cobrir a cova da seleção.

O Brasil continuou indo pra cima, e se tivesse um pouco mais de vontade, poderia ter liquidado o jogo facilmente. A Holanda não se achou em campo no primeiro tempo. A marcação em cima de Sneijder e Robben foram perfeitas, o time de laranja não encontrava espaços para criar. E quando chegava perto da área com Robben, a jogada se extinguia, pois o jogador achava que sempre poderia resolver sozinho. Pelo lado brasileiro, Luis Fabiano e Kaká não marcaram presença. Aliás, que camisa 10 ridículo representou a seleção. Craque? Jamais. E poderíamos ter sido representados por um camisa 9 em boa fase e equilibrado, mas isso não vem ao caso mais.

No segundo tempo, o cenário mudou drasticamente. O Brasil voltou a campo de forma irreconhecível, dando mostras de que alguns jogadores já consideravam o jogo ganho. O Brasil, e os brasileiros, precisam aprender que camisa não ganha jogo, que esperar apenas que os outros tremam não é o suficiente. O Brasil é penta, mas há muito tempo deixou de ser a melhor seleção do mundo. Há muito tempo deixou de ter humildade em reconhecer que está abaixo de muitas seleções, e que tradição não ganha copa sozinha. Cada seleção teve um tempo de jogo a seu favor, mas foi a Holanda que soube aproveitar melhor as falhas do adversário.

O descontrole emocional do Brasil apareceu após o empate holandês. Sneijder cruzou na área. Júlio César e Felipe Melo se atrapalham. Gol da Holanda. Gol contra de Felipe Melo. A partir daí, a Holanda tomou conta do jogo, com calma e inteligência. Enquanto isso, o Brasil parecia um amontoado de ensandecidos. Lembro-me que na hora do intervalo, comentei o seguinte: “O Brasil poderia ter metido uns 3 no primeiro tempo e não fez. Agora no segundo tempo pode ser que fique mais complicado...”.

Dunga tentou a primeira mudança, tirando Michel Bastos, de quem eu já não esperava nada, e colocando o experiente Gilberto. Pra ser sincera, não adiantou nada. E aqui abro parênteses (qual foi a razão para convocar dois jogadores para a lateral esquerda e que nem atuam como laterais em seus clubes atuais?). O Brasil continuou errando passes ridículos e os jogadores pareciam não saber o que fazer com a bola. Pra não ser injusta, o crack Kaká até tentou fazer o dele, num bonito chute colocado, mas o goleiro estava atento e fez uma bela defesa.

E Robben continuava a fazer o jogo dele, cavando faltas e irritando os jogadores brasileiros. Mas devo confessar que passei a ter antipatia por ele. Bom jogador, mas egoísta e previsível. Aliás, alguém pode me explicar o que foi aquele escanteio?

E por falar em escanteio...Batida de Robben, Kuyt desvia na primeira trave e a bola encontra Sneijder sozinho na área. É o gol da virada. O camisa 10, mesmo não fazendo uma partida brilhante, é o personagem principal da derrota brasileira.

Alguns minutos depois, aconteceu o que já era previsto por muitos. O Cavalo Melo, no auge de seu descontrole, faz falta em Robben e, quando esse ainda estava no chão, deu-lhe um pisão. Expulsão previsível e justa. Não é desse tipo de jogador baixo que uma seleção brasileira precisa.

Ainda achei que outro jogadores brasileiros seriam expulsos, tamanha a falta de capacidade de superação coletiva. Robinho, o que queria ser o destaque da seleção, achou que gritar iria resolver alguma coisa. O problema é que faltou bola na rede. E para isso acontecer, alguma mudança no time precisava ser feita. Era tudo ou nada. E o que a mula fez? Tirou Luis Fabiano (aliás, nem o vi em campo) e colocou Nilmar. Brilhante. Era hora de arriscar, de sufocar a Holanda, mas ele preferiu ser burocrático e terminou por entregar de vez a partida. Digo isso ao trocar um atacante por outro, porque se quiséssemos algo mais, não teríamos com esse banco sofrível . Quem poderia mudar a cara do jogo? Grafite? Júlio Baptista? Que patético.

Um fato curioso que muitos não devem ter notado aconteceu ao fim da partida. Assim que o juiz apitou, Dunga e Jorginho saíram correndo abraçados, deixando os jogadores em campo. Alguns também foram depressa pro vestiário e o emocionado Júlio César é quem teve a missão ingrata de explicar o fiasco. Essa é a tão falada união da seleção.

É isso. Voltemos ao trabalho, o dia está lindo! Como é bom esse silêncio, essa calma. Não cantem vitória antes da hora, pois camisa e tradição não ganham jogo sozinhas. E que a lição seja aprendida: NÃO HAVERÁ HEXA SEM UM PALMEIRENSE NO ELENCO!

Crédito da foto: GE.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

CURIOSIDADES - A COPA DE 1934


- O país sede era a Itália de Benito Mussolini, ditador fascista.

- A fim de arrecadar fundos para a realização do torneio, o Partido Fascista criou uma loteria nacional, aumentou os impostos sobre produtos, principalmente os cigarros, cujas embalagens estampavam alusões à Copa do Mundo. Além disso, a Itália foi o primeiro país a emitir selos da Copa.

- O Uruguai se recusou a participar em represália à ausência dos principais países europeus na Copa anterior, em Montevidéu.

- A Inglaterra estava afastada da Fifa desde 1928 e novamente não participou da competição, alegando que a Copa do Mundo apenas servia para apontar o campeão de um torneio, e não para eleger a melhor seleção do mundo. Aliás, os ingleses se achavam no direito de serem os detentores desse título, mesmo não participando da Copa. Escócia, Irlanda do Norte e Gales também recusaram o convite da Fifa, é claro.

- Em dezembro de 1932, Uruguai e Brasil se enfrentaram num jogo oficial, em Montevidéu, sem a participação de jogadores paulistas, devido à Revolução Constitucionalista. Isso provocou a paralisação do Campeonato Paulista. Até mesmo Arthur Friedenreich, jogador prestigiadíssimo dos primeiros trinta anos do futebol brasileiro, se alistara nas tropas paulistas. Por causa de desavenças políticas, Flamengo e Vasco se negaram a ceder jogadores para a Seleção. Mesmo assim, o Brasil venceu e ainda revelou um jovem talento, do desconhecido Bonsucesso: Leônidas da Silva, que tinha apenas 19 anos.

- Em 1933 o futebol se profissionalizou, porém, houve uma divisão. De um lado, a CBD e os clubes amadores. Do outro, os clubes profissionais e a FBF (Federação Brasileira de Futebol), liga independente formada por eles. E como ficaria a seleção nessa situação? Para não dar vexame na Copa, a CBD precisava dos atletas profissionais e tomou a decisão de contratar os melhores da FBF, por seis meses. O valor oferecido a cada um variava e parece que Leônidas recebeu trinta contos de réis, o que na época era uma fortuna, equivalente ao primeiro prêmio da Loteria Federal.
- Domingos da Guia, pai do nosso Divino, não foi para a Copa porque o Nacional do Uruguai, ao saber que a CBD estava pagando uma fortuna para contratar os atletas, exigiu 45 contos de réis para liberar o jogador. A CBD achou isso um verdadeiro absurdo e se recusou a pagar.

- A Fifa dividiu as 16 seleções classificadas em dois grupos, o dos fortes e o dos fracos. O Brasil estava no grupo dos fortes, apesar de não ter ido com sua melhor seleção, e pegou logo quem? A Espanha! Levou uma sacolejada logo de cara, perdendo por 3x1. Esse foi o primeiro jogo do Brasil transmitido por rádio em Copas, embora os brasileiros não pudessem ouvi-lo.

- O Egito foi o primeiro país africano a participar de uma Copa do Mundo. Apenas 36 anos depois, o Marrocos representou novamente o continente.

- O juiz escolhido para apitar a final entre Itália e Tchecoslováquia, o sueco Eklind, saudou Mussolini com o tradicional gesto fascista, antes do início da partida. O mesmo árbitro havia apitado de forma muito parcial o jogo entre Itália e Áustria, na semifinal. E isso se repetiu na final. Mas com tanta pressão, quem não agiria da mesma forma?

- Os jogadores da Alemanha entraram uniformizados em campo, junto com italianos e tchecos, que desfraldaram a bandeira com a suástica nazista. Isso nunca foi repetido em nenhuma outra copa.

- Ao final da partida, Mussolini entregaria pessoalmente o “Troféu Itália” ao campeão. E ai daqueles que não fizessem da Itália a campeã do mundo!

- O preço elevado dos ingressos fez com que a arrecadação dessa copa fosse 150% maior que a de 1930, mesmo tendo um jogo a menos (17 jogos). Porém, a ocupação média dos estádios mal superou os 30%.

- Foram marcados 70 gols, com uma média de 4,12 gols por partida. A Itália marcou 12 em 5 jogos. O artilheiro da Copa foi o tcheco Oldrich Nejedlý, com 5 gols.

- O Brasil não voltou imediatamente após a eliminação, tendo feito um “tour” pela Europa por 45 dias, fazendo 8 apresentações na Iugoslávia, Espanha e Portugal. Isso foi necessário para que a CBD repusesse seus cofres, já que o dispêndio foi grande devido à contratação de jogadores. O primeiro jogo foi um verdadeiro fiasco. Com o mesmo time que enfrentou a Espanha, o Brasil perdeu por 8 a 4. Esse foi o maior número de gols que a seleção já levou em um único jogo em sua história.

Fonte de pesquisa: Almanaque dos Mundiais, por Max Gehringer

VILLA FAZ DIFERENÇA DE NOVO E ESPANHA DESPACHA PORTUGAL

A Espanha chegou com favoritismo à África do Sul graças à conquista da Euro em 2008 e às estrelas do time, na maioria atletas do Barcelona. No entanto, logo na primeira rodada da Copa, causou grande desconfiança ao perder para a Suíça, num jogo atípico. Mas mesmo sem encantar como era esperado, se recuperou, passou de fase e bateu Portugal, conquistando a vaga para enfrentar o Paraguai nas quartas. O bom toque de bola e uma espécie de frieza que a seleção adquiriu ajudaram os espanhóis a chegarem nessa fase da competição, mas o grande responsável mesmo é David Villa. O camisa 7 espanhol dribla, chuta e parte pra cima, sem sentir o peso da partida. O mesmo não se pode dizer do 7 português. Copa impecável de Villa, por enquanto, o craque do mundial.

No duelo entre nossos colonizadores, Espanha e Portugal chegaram para a disputa de maneiras bem diferentes. Os espanhóis com o peso do favoritismo e os portugueses com o fardo de Cristiano Ronaldo, que dificilmente chama a responsabilidade. A Fúria demorou para pegar no tranco e ainda nem jogou o que pode, já Portugal chegou até onde poderia chegar. Por essas e outras, a Espanha entrou em campo com maior chance de levar a vaga. E logo no início mostrou que iria impor sua superioridade. Dominou a partida com uma série de chutes e maior posse de bola, como essa equipe costuma jogar. Os adversários portugueses tentavam o contra-ataque e, às vezes, assustavam, mas nenhuma das duas equipes terminou a primeira etapa com vantagem no marcador.

A Espanha começou definitivamente a ganhar o jogo quando Vicente del Bosque, antes dos 15 do segundo tempo, trocou Fernando Torres, mais uma vez jogando muito abaixo do esperado, e botou Llorente, centroavante do Atletic Bilbao. Logo na primeira chance do substituto de Torres, Ricardo fez uma ótima defesa. Preocupados com um homem fixo na área, os portugueses não conseguiram impedir a bela jogada espanhola que passou pelo calcanhar de Xavi Hernández e parou em Villa. O camisa 7 espanhol teve o primeiro chute defendido por Ricardo, mas na segunda tentativa não perdoou. Depois do gol, Portugal bem que quis reagir, mas o estilo de jogo da seleção espanhola não permitiu muita coisa.

Ricardo Costa ainda foi expulso por uma suposta cotovelada em Capdevila, que até agora não consegui ver direito, mas o jogo já estava praticamente liquidado. Fim do caminho para Portugal, sinal verde para a Espanha, que chega como franca favorita para o duelo contra o Paraguai. Venceu a melhor seleção e quem fez diferença foi um competentíssimo e talentoso camisa 7, um que não faz pose até para cobrar falta na lua. Enquanto Villa se destaca a cada partida, o "craque" português volta pra casa sem ter feito nada na Copa. Cristiano Ronaldo é um desperdício. Tem muito talento e um físico invejável, mas prefere ser capa de revista. Nunca será o jogador que pensa que é, mas não tenta ser nem o que pode, o que já seria o suficiente. Ruim para os portugueses, bom para os espanhóis. Se cuida, Paraguai! A Fúria, ainda muito calminha pro meu gosto, vem aí!

Créditos da foto: GE.