domingo, 7 de fevereiro de 2010

PALMEIRAS PASSA SUFOCO, MAS VENCE BRAGANTINO

O quanto a presença de um jogador muda a equipe? Se esse jogador for o Diego Souza, muda muito. Mas sem Cleiton, muda pouco. Os dois juntos fazem o Palmeiras, defeituoso dos pés à cabeça, um time competitivo, capaz de vencer partidas e brigar por campeonatos. O problema é que só isso não basta. Quando perdemos um deles, ou então os dois de uma só vez, a coisa fica feia. Não dependemos de um só jogador, dependemos de uma dupla. O que é ainda mais complicado.

A terra da linguiça recebeu o Palmeiras num calor infernal. O gramado um pasto, com torcedor “dentro” do banco de reservas e o Verdão desgastado depois do empate com a Portuguesa, na última quinta-feira chuvosa. Ingredientes para o que foi o jogo, no final das contas: feio. Emocionante? Talvez. Mas de uma falta de nível técnico absurda. É claro que essa regra não se aplica à Cleiton Xavier e Diego Souza. Acostumado a servir, foi a vez do camisa 10 receber lindo passe do 7 e tocar por cobertura para o gol. Um golaço. Sendo logo no início da partida, o torcedor até se empolgou. Erroneamente. Só deu Bragantino no resto do primeiro tempo.

E tivemos também erros de arbitragem. Abadi, como sempre horroroso, parou a jogada que resultaria no gol de empate do Bragantino, inventando uma falta em Figueroa. Logo depois, começou a inverter as jogadas, como parte de sua culpa. Aplicou um cartão amarelo absurdo em Edinho, como se não bastasse ter invertido a falta. O camisa 3 recebeu uma solada do jogador adversário e teve a falta, na entrada área, assinalada contra o Palmeiras. Ainda houve um lance de impedimento, muito bem assinalado pelo bandeira, que também resultaria em gol.

No segundo tempo, as duas equipes voltaram sem alterações. Foi o placar que logo se alterou, e ao nosso favor. Wendel, destro, cruzou (mal) de esquerda, o goleirão fez lambança e a bola sobrou para Robert, que dizem as más línguas, ainda tentou errar, mas a bola acabou entrando. Com os 2 x 0 o jogo tava no papo, certo? Errado. Falta na entrada da área, bem cobrada, é verdade, mas Marcos fez a proeza de escolher o canto e nem pulou na bola, que por mais bem cobrada que fosse, era totalmente defensável. Resultado: Bragantino vivo no jogo.

Existia uma maneira do Bragantino chegar mais facilmente ao empate: a nossa lateral direita. Desde o início, no setor ofensivo, com Deyvid Sacconi “inspirado”, passando por Figueroa ex-Ranger Verde, em uma fase de arrepiar os cabelos, e terminando na cobertura da lateral, com Márcio Araújo em uma partida ridícula. E foi ali que o time linguiceiro (que não é o São Paulo) arrancou o segundo gol. Marcos ainda fez uma linda defesa, mas no rebote não havia mais o que fazer. No entanto, somos um time de sorte. Tivemos uma sorte tremenda quando a plaquinha subiu e Robert saiu de campo para a entrada de Lenny. Eu diria que mais pela saída de Robert do que pela entrada de Lenny, como disse no último jogo, mas hoje não. Ele, Lenny, foi o responsável pela nossa vitória, acredite!

Tudo passou, é claro, por Cleiton Xavier. O camisa 10 caiu pela direita e cruzou uma bola precisa para Lenny finalizar. O menino, que voltou a jogar na quinta depois de quase 8 meses parado, tendo 1,30 m de altura e 25kg, fez o gol. ‘Tá’ vendo Robert, até o Lenny! Foi no finalzinho e foi salvador. Depois de perder para os sem passaporte e de empatar com a Lusinha no Palestra, mesmo sem convencer, o Palmeiras voltou a conquistar uma vitória. Graças, principalmente, a Cleiton Xavier e a Diego Souza. Juntos. Um precisa do outro e nós precisamos dos dois.

Créditos da foto: Terra.

PRÉ-JOGO - VAI DAR PORCO OU LINGUIÇA?

Antes de o Palmeiras conquistar a Libertadores da América, do São Paulo ser bi (sim, duplo sentido) e depois tri, do São Caetano virar um “intruso” entre os grandes do Brasil, do Santos conquistar seu primeiro Brasileirão, de Luxemburgo virar mercenário, digo, manager, e do Corinthians levantar a taça da série B, o Bragantino já torrava nossa paciência. Tudo começou com o mercenário, digo, Wanderley Luxemburgo, levando o time à conquista do Campeonato Paulista de 90. No ano seguinte foi a vez de Quico, vulgo Carlos Alberto Parreira, levar a equipe onde poucos acreditam: ao vice campeonato brasileiro de 91.  

O Clube Atlético Bragantino, também chamado de “Bragambá”, vem da terra da linguiça, Bragança Paulista, que fica a aproximadamente 90 km da capital. A equipe, até então modesta, viveu anos de glória a partir do título da série B de 89. Ganhou título, fez fama, vendeu jogadores e lançou um dos uniformes mais feios da história do futebol. Como se não bastasse apenas o preto e branco para ser horroroso, um gênio teve a idéia de adicionar prata e fazer um uniforme com losangos e trapézios, um lixo, digo, luxo. Ou serio o contrário? Enfim, essa pérola foi batizada de “carijó”, como se não bastasse ser feio.  

Depois de crescer e aparecer, o Bragantino voltou ao limbo. Desceu divisões, perdeu reconhecimento e praticamente desapareceu do cenário nacional. Só voltou a ter destaque em 2007 com o time montado por Marcelo Veiga (quem?), quando chegou às semifinais do Paulistão, perdendo a chance de disputar o título para o Santos, depois de dois empates. Aquele time foi base para a montagem do elenco memorável do rebaixamento deles, os virgens da América, no mesmo ano.  

No histórico de confrontos, temos 15 vitórias, 8 derrotas e 8 empates, com 50 gols marcados e 29 sofridos. O primeiro jogo da história das duas equipes foi um amistoso em Bragança que terminou com vitória nossa, por 3 x 1. Na última partida entre as equipes também tivemos êxito; 2 x 1 para o Verdão no Palestra Itália. Em 2008, ano que conquistamos o Paulistão, Palmeiras e Bragantino fizeram um dos melhores jogos do campeonato. Depois de sairmos perdendo por 2 x 0 e ainda ter Marcos expulso, empatamos a partida ainda no primeiro tempo e viramos na segunda etapa em grande atuação de Valdivia e Diego Souza. O jogo terminou em 5 x 2, com Léo Lima perdendo pênalti e tudo. 

Amanhã a partida será  mais uma vez em Bragança Paulista. Na última partida, o Bragantino venceu o Rio Branco de Americana por 4 x 3. Já o Palmeiras, como bem sabemos, empatou em casa com a Lusa. Para amenizar nossa “depressão”, Cleiton Xavier volta de suspensão e reforça a equipe. E só nos resta esperar que ele esteja num dia bom, junto com Diego Souza, o que tem sido nossa salvação. Ou que qualquer outro resolva aparecer e nos dar um pouco de alegria, e porque não esperança?   

Do jeito que as coisas estão, com os gols ridículos sofridos em todos os jogos, dificuldades no ataque, banco deprimente, lesões, bolas na trave, fica até difícil querer que esse jogo aconteça amanhã. Mas não há outro jeito. Qualquer palmeirense gostaria que nosso time tivesse umas duas semanas pra treinar, resolver lesões e... Bom, nem vou falar de “conseguir reforços” porque esse assunto tem passado atravessado, e doído bastante. Mas o Palmeiras não tem esse tempo, porque é aquele velho clichê: “o mundo não para pra que você junte os cacos”. E é isso mesmo, a vida continua, os campeonatos continuam, o Palmeiras tem que continuar. E que amanhã seja um dia melhor para nós, que algo de bom aconteça e ilumine aqueles homens de verde. Esperamos também que não haja besteiras de um colombiano que, embora tenha sido exemplo de pessoa que tem coragem de pedir desculpas e assumir os erros – o que deveria ensinar a muitos ali -, não é exemplo de futebol e não pode continuar fazendo besteiras que custam tão caro a um time que já não anda bem das pernas.  

Bom, não há muito o que dizer. Nós do Passione Verde continuaremos Palmeiras em qualquer momento, qualquer dificuldade. Mas depois de tanta decepção, e das declarações de Cippullo durante a semana, fica até difícil encontrar forças para acreditar que algo bom aconteça amanhã. Mas somos palmeirenses, no fundo sempre vamos esperar que algo de bom aconteça. Durante a semana o Diego Souza deu entrevista ao globo esporte, disse que se o Palmeiras tem isso (o elenco que tem), então é preciso trabalhar e buscar resultado com o que tem. Que não fique só no discurso, que esses homens nos paguem o que ficaram devendo no ano passado por meio da superação, que consigam resultado mesmo com um banco tão limitado. É difícil acreditar que isso virá de pessoas que, quando tinham tudo na mão, nos decepcionaram. Mas ainda há chances, e não podemos fazer mais nada além de esperar.

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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

PALMEIRAS REAGE, MAS SÓ EMPATA COM A LUSA

Jogo numa tarde, em pleno dia útil e, para ajudar, com o verão que o paulistano conhece bem. O que você acha que aconteceu? Claro, muita chuva, campo encharcado e público pequeno. Parabéns ao gênio que inventou esse horário no Campeonato Paulista de 2010. Em campo, nada de invenções. Não dava para inventar. Diego Souza voltando de contusão e Sacconi regressando da “Volta da França”, esses foram os principais destaques na escalação. Enquanto jogador não chega, Robert e Armero fazem a festa no Palmeiras. No pior sentido. Haja analgésico pra tirar nossa dor de cabeça.  

Com chuva antes da partida, o gramado do Palestra não resistiu bem. Formou poças, segurou a bola e tornou o jogo ainda mais difícil, sem falar da qualidade técnica. Com essas e outras adversidades, o Palmeiras começou com mais posse de bola, embora não soubesse bem o que fazer com ela. E claro, isso nunca dá certo. A Portuguesa apertou, exigiu grande defesa de Marcos, até que finalmente chegou ao gol. Tudo começou na Colômbia em 5 de julho de 1986, quando uma pobre mulher deu a luz a um imprestável chamado Pablo Stifer Armero. Quase 24 anos depois, ele resolveu sair jogando errado na frente da área e viu a Lusa abrir o placar.  

O Verdão tentou crescer na partida, voltou a dominar a posse da bola, mas não chegava com perigo. Joãozinho, depois de dividida com Paulo Sérgio, pediu para ser substituído. Wiliam entrou em seu lugar, não mudando muita coisa. Por mais que o Palmeiras tentasse, era só a bola chegar lá na frente que nada acontecia. Robert, em dia inspirado, tirava todas. Pelo alto, por baixo, lateral ou diagonal, lá estava ele para isolar a bola do ataque palmeirense. Perfeito. Só se esqueceram de avisar que ele não é zagueiro da Lusa.  

Na volta do intervalo nenhuma mudança, porque não dava, não tinha quem por para jogar. Palavras do próprio Muricy. Mas a postura mudou. Diego Souza passou a cair mais pela direita e foi ali que as melhores jogadas aconteceram. E por acaso, por ali, surgiu o gol de empate. Figueroa cruzou, o goleirão saiu mal e a bola sobrou para Danilo chutar rasteiro e forte para empatar a partida. Gol que animou a equipe. A principal jogada, que poderia ter nos dado a virada, saiu dos pés de Diego Souza, não por acaso. O meia limpou o lance fora da área e chutou rasteiro. A bola caprichosamente bateu na trave esquerda.  

Muricy tentou mexer, mesmo sem muita opção, ou nenhuma. Entrou Lenny no lugar de Robert. Aquele mesmo, que não jogava desde maio. E acredite, melhorou a partida. Fato que se deve mais pela saída de Robert do que propriamente pela entrada de Lenny. A Portuguesa, bem pior do que no primeiro tempo, ainda causava perigo nos contra-ataques. Danilo, que fez o gol, ainda nos salvou de um da Lusa. No final da partida, o time do Canindé perdeu um jogador expulso pelo segundo cartão amarelo, mas àquela altura já não havia muito o que fazer.  

E foi isso. Por mais que tentássemos, não havia muita possibilidade de jogo. A falta de cérebro de Armero, e deficiência ofensiva da equipe (entenda-se por Robert) fizeram com que o Palmeiras não conseguisse sair de campo com uma vitória. Destaque positivo mesmo, só para a ótima atuação do nosso Santo e de Pierre, guerreiro incansável. Voltaremos a campo no domingo às 17h contra o Bragantino, em Bragança Paulista. Nessa partida teremos a volta de Cleiton Xavier, suspenso por ter sido expulso contra os sem passaporte. Um alento nesse mar de instabilidade.

Créditos da foto: Terra. 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

PRÉ-JOGO - UMA PIADA PORTUGUESA, COM CERTEZA

Eles descobriram o Brasil, nos colonizaram, pegaram (literalmente) nossas índias e nossas riquezas. Além disso, nos deram nosso idioma e, até hoje, nos proporcionam as melhores piadas. Sim, são eles, os portugueses, ô pá! Com suas caravelas navegaram até o outro lado do Atlântico, fincaram raízes em nossas origens e fizeram história no futebol brasileiro, além de nossos deliciosos pãezinhos de cada dia. Na capital do Império, o Rio de Janeiro, a colônia lusitana se orgulha do centenário Clube de Regatas Vasco da Gama, tetra brasileiro e campeão da Libertadores da América em 1998. Já em São Paulo, quem faz os bigodes dos lusos ficarem brancos é a Associação Portuguesa de Desportos.
  
A torcida é pequena, o clube quase não levantou canecos em sua história de 89 anos, mas, inevitavelmente, a Lusa é uma das mais tradicionais equipes do Brasil. Dificilmente você encontrará alguém que não conheça ou que não tenha um pingo de simpatia pela Portuguesa. O clube rubro-verde é um patrimônio do futebol paulistano, assim como o Juventus da Mooca. Simpático, porém carne de pescoço. Sempre deu trabalho para os grandes paulistas. Que o diga o São Paulo, vulgo bambis, que levaram uma surra de 7 x 2 da Lusa em 98.    

Se hoje as relações entre Palmeiras e Portuguesa não são das melhores é por conta do presidente do clube do Canindé, Manuel da Lupa, que joga duro na hora de negociar jogadores conosco e libera mais fácil do que uma puta de 10 reais para o Corinthians. Mas não foi sempre assim. Historicamente, os clubes tiveram boa relação, inclusive dentro de campo, já que a Lusinha não tem lá o melhor retrospecto contra o Verdão. Foram 254 jogos, 121 vitórias para a nossa conta, 64 derrotas, 69 empates, 464 gols marcados e 330 sofridos. No primeiro confronto da história, no Paulistão de 21, triunfo palmeirense, na época “palestrino”, por 5 x 1, com direito a 3 gols de Imparato.  

De lá para cá  já faz quase 89 anos e o Palmeiras construiu um pequeno tabu com a equipe das margens do Tietê, que ao contrário de outras por aí, tem endereço. Não perdemos para a Lusinha desde março de 2005, quando fomos derrotados em pleno Palestra Itália por 2 x 1. O último jogo terminou empatado por 2 x 2. A partida, disputada no Canindé, marcou o fim da nossa sequência de 8 vitórias consecutivas no Paulistão de 2009. O clássico paulista volta ao Palestra Itália amanhã, às 17h. A partida não é disputada nos Jardins Suspensos desde 2008, quando o Verdão venceu por 1 x 0, gol de Jorge Preá no finalzinho, jogo válido pelo Campeonato Paulista em que fomos campeões. 

Atualmente, se a nossa maré não é boa, a caravela portuguesa também não navega em mar tranquilo. Enquanto o Palmeiras jogava a perda do tabu para os virgens da América no Pacaembu, a Lusa entregava para o Botafogo-SP, em pleno Canindé. O (eterno) técnico da equipe, Vagner Benazzi, disparou contra a diretoria por falta de reforços na saída do jogo. Se a diretoria lá vende os melhores jogadores do time e não contrata ninguém, aqui a nossa dorme. A impressão é que se dessem uma tartaruga para Belluzzo e Cia. cuidarem ela fugiria. Mesma velocidade aplicada ao nosso Dep. Médico, que não conseguiu botar Léo em condições de jogo e tem Diego Souza ainda como dúvida. Já Maurício Ramos eu nem falo mais, esse deve estar na fila do INSS esperando para receber o Auxílio-Doença.  

A expectativa amanhã é de público pequeno para o clássico paulista. Também, além da fase do Palmeiras e da micro-torcida da Lusa, o horário do jogo é simplesmente ridículo. Em plena quinta-feira, um jogo às 5h da tarde, é pedir para ter público diminuto. Se o que choveu em São Paulo hoje se repetir amanhã, no mesmo horário, porcos e leões terão que nadar nas piscinas do Palestra Itália. E não falo naquelas belas piscinas lá do clube, e sim das que costumam se formar pela má drenagem do gramado em dias de chuva forte. Que São Pedro nos proteja e San Gennaro também dê uma força, porque estamos precisando. E piada só depois do jogo. Que não sejam piadas de italiano, porque são muito chatas. 

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domingo, 31 de janeiro de 2010

PROCURA-SE COMPETÊNCIA

Uma palavra define o que o Palmeiras precisa: competência. Uma outra palavra define o que o Palmeiras tem: incompetência. Ela está em todos os lugares, desde o pior jogador em campo até o mais renomado dirigente. É como um surto de um vírus contagioso e mortal. Não somos competentes em campo porque não temos competência para contratar, para recuperar os lesionados e parece que agora não sabemos nem mais como vender um jogador. O jogo de hoje é uma gota no nosso mar de incompetência.

Depois de três anos, o Palmeiras conseguiu perder para o Asilo da Marginal sem número. E foi um feito incrível. E para que isso acontecesse, precisou da ajuda de muitas pessoas e pasme, gente de dentro do clube. Quem? Diretoria, comissão técnica, departamento de fisiologia e jogadores. O maior culpado vem de cima. Hoje temos um elenco medíocre. Vou parar de falar “deles” como “nós”, porque não fui eu que fiz isso, não foi você, foram eles, Sr. Luiz Gonzaga Belluzzo, Sr. Gilberto Cipullo, Sr. Antônio Cecílio, Sr. Savério Orlandi e mais uma dúzia de incompetentes.

Quando as coisas estão ruins, você começa a prestar atenção em pequenos detalhes. Por que Maurício Ramos não joga? O que acontece para um jogador nunca se recuperar de uma lesão teoricamente simples? Por que em outros times o cara se machuca e volta antes do tempo e aqui volta depois do previsto? Por que raios um time vende um jogador antes de um clássico, sem ter quem por pra jogar, tira esse cara do time e horas antes da partida anuncia que a venda foi desfeita? Por que, pela milésima vez, um time que tem um campeonato na mão não consegue nem ir para a Libertadores? Por que ninguém ainda percebeu que a Traffic está tirando o corpo fora do Palmeiras? E por que confiar numa diretoria que mete os pés pelas mãos toda hora?

Essa da diretoria é fácil. Nós temos medo dos antecessores voltarem, então vemos salvadores onde não existem. Quando criticamos esses que aí estão não é porque queremos Mustafá de volta, é porque queremos o Palmeiras, grande, de volta. Temos direito de querer dirigentes decentes, esforçados e competentes. Temos o direito de reclamar. Temos o total direto de não gostar do que estamos vendo. Isso tudo é porque estamos em janeiro, no final dele. Faltam 11 meses para acabar um ano que promete ser horrível. Ou essa gente cala a minha boca e contrata jogador, ou então meu amigo, vamos depender da sorte.

Enquanto isso eu te pergunto: quem joga o próximo jogo? Eu tenho até medo de pensar. Não temos laterais, zagueiros, meias e atacantes. E não é que não temos em campo, nós não temos elenco. E então escola de samba, vai reclamar do Diego Souza? Enfia o rabinho entre as pernas porque tendo ele jogando ainda estamos no lucro. Uma hora ele vai embora, como todos vão, a diferença é que não vem ninguém. Daí eu quero ver protesto contra o melhor jogador time. Todos juntos, todos incompetentes.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

PALMEIRAS VENCE MONTE AZUL E É LÍDER

Calma, não se empolgue com o título do post. O jogo de hoje foi algo fora do comum até para time ruim. Foi absurdamente fraco. No judô, o lutador recebe desconto na pontuação por falta de combatividade, mas no futebol o pouco combativo, às vezes, ganha. Sejamos honestos com nós mesmos: ganhamos hoje porque o time do Monte Azul é terrível. O nosso é só um pouco menos terrível. Somos dependentes de um jogador mais uma vez. Ou vai às compras ou a coisa vai ficar ainda mais feia.

Foram apenas quatro jogos no ano, mas os últimos três foram tão ruins que eu poderia ter desenvolvido uma úlcera. Normal para um começo de temporada, acontece com a maioria dos times e toda aquela conversa que você já ouviu duzentas vezes só nessa semana. O que não é normal é o fato de não ter zagueiro para jogar, não ter atacante, nem meia decente no banco. O público de Ribeirão Preto foi corajoso em pagar ingresso para ver esse futebol abismal apresentado hoje. E dentro da quase sempre má condição do Estádio Santa Cruz, o gramado não foi a pior coisa do jogo. Tinham 22 “zé-manés” em cima dele que eram piores.

Se eu falar que o Palmeiras tentou fazer gol eu estarei mentindo. Fez num pênalti, que apesar de ser pênalti, juiz nenhum dá. E o Monte Azul é tão ruim que o goleiro conseguiu se machucar na cobrança de Cleiton Xavier, com insuportável paradinha. Isso, essa bosta, foi o primeiro tempo. E se você acha que o segundo foi “menos pior”, está enganado. Apesar dos pesares, na primeira etapa a rede ainda balançou.

Deus, como o Palmeiras tentou perder o jogo. E como o Monte Azul tentou levar goleada. Tiveram até jogador expulso. E o que fizemos? Vocês eu não sei, eu li a bula de um antiácido. As únicas coisas que me chamaram a atenção foram as saídas por contusão de Gabriel Silva e Cleiton Xavier. Espero, e rezo, para que não seja nada grave e parece não ser, porque o que está ruim, meu amigo, pode sim piorar. O jogo acabou e agradeci aos céus. Agora imagine se o clássico será um grande jogo? O Palmeiras faz uma exibição digna de A2 e o todo poderoso gambá empata com o Mirassol, em casa. O gordo ainda saiu de campo com uma distensão no ânus, mas deve jogar domingo também.

Somos heróis, amigo palmeirense, somos heróis. Sobrevivemos a esse jogo tenebroso. Se você conseguiu assistir até o fim, meus parabéns. Agora nos resta esperar a recuperação de Marcos, Léo e Diego Souza, principalmente, diria eu, do nosso 7. Caio Junior dependia de Valdivia. Luxemburgo dependia de Kléber. Muricy depende de Diego Souza. Os jogadores mudam, os técnicos mudam, mas o Palmeiras continua dependente de um único jogador. Continua porque não tinha e não tem elenco. Quando é que esses caras vão contratar, vão se dar conta que pra ganhar um campeonato tem que ter banco? E hoje não tivemos nem time titular. Paciência tem limite e a minha já acabou há muito tempo.

Créditos da foto: Futura Press.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

PRÉ-JOGO - Ê, INTERIOR BÃO!

Ah, o estado de São Paulo! O gigante coração econômico do país tem uma população de mais de 40 milhões de habitantes divididos em 645 municípios, desigualmente, é claro. A terra dos bandeirantes também é detentora do maior PIB do Brasil, simplesmente 1/3 de toda a riqueza que o país produz sai de São Paulo. Números que impressionam pela abundância. Mas, enquanto o estado cresce como uma produção de coelhos, algumas cidades continuam escondidas, quase até do mapa. Esse é o caso de Monte Azul Paulista. Responda com sinceridade: antes de olhar a tabela do Paulistão desse ano, você já tinha ouvido falar dessa cidade?


Já pensou em sair de casa para assistir um jogo e encontrar todos os seus amigos, vizinhos, parentes e até o cara da feira no estádio? Se você é de Monte Azul Paulista e vai ver um time grande jogar, olha, você corre sério risco de observar esse fenômeno acontecer. São apenas 20 mil habitantes para lotar o Ninho do Azulão (viva a criatividade), com capacidade para 15 mil torcedores. Falamos de um estado tão inchado que quase não cabe dentro do próprio país e de uma cidade que de tão pequena quase cabe dentro do próprio estádio. Realmente inspirador.


Monte Azul Paulista está a 420 km da capital e localiza-se na região metropolitana de Ribeirão Preto, no norte de São Paulo. A cidade sofre forte influência da cultura italiana e o dialeto local é o “caipirês”. Esse é o tipo de informação que você encontrará sobre essa “belezura” de o município por aí. Mas, além disso, Monte Azul também tem um time de futebol e ele está na primeira divisão paulista! Enquanto Guarulhos, São Bernardo do Campo, Osasco, São José dos Campos, Sorocaba, São José do Rio Preto e até Piracicaba, por que não, não possuem um time na primeira divisão, a pequenina Monte Azul tem. Esse é um belo de um “chupa” pra quem tira sarro da cidade.


O Atlético Monte Azul conquistou pela primeira vez em sua “gloriosa” história de 90 anos a vaga para a disputa do maior estadual do Brasil em 2009. Como se não bastasse, ainda fez a melhor campanha da história da série A2. Mais um “chupa”. Mas é em 2010 que Monte Azul Paulista deixa de ser apenas mais uma “cidade azul” do estado e entra em rota de colisão com os grandes times paulistas. O Azulão estreou na série A1 contra o Corinthians, cuja semelhança é não ter passaporte, e arrancou um empate com o time da fazendinha sem luz. Tudo muito previsível.


Agora é a nossa vez de encarar o todo poderoso... Monte Azul. O jogo será, infelizmente, em Ribeirão Preto, porque o pomposo Ninho do Azulão foi vetado pela Federação Paulista. Promessa de casa cheia de porco para melar a festa do pássaro azul. Isso não significa que não teremos emoções fortes. À díspar da fragilidade do recém-chegado à elite paulista, o forte Palmeiras com tantos títulos, craques, ídolos, hoje se encontra sem zagueiro para entrar em campo. Pois é, triste, porém verdade.


Nossa diretoria (zzzzzzzz) trabalha atrás de reforços com a mesma velocidade e competência com que o Jô Soares faz regime. Resultado: coitado do Muriçoca! Torcedor ter pena de uma criatura chamada técnico de futebol, raça que nasceu para ser chamada de burra, é o cúmulo. Mas eu tenho. Muricy Ramalho deve cogitar colocar até a senhora sua mãe em campo por falta de zagueiro. Como se não bastasse, São Marcos e Diego Souza também estão vetados para a partida. Se eu estou com medo do time do craque Rafael Chorão? Não. Eu estou com medo é do Palmeiras. Já passou da hora de presidente falar menos e fazer mais. Antes que a vaca pegue o caminho da roça.


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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Palmeiras dá bobeira e empata com Ituano. Mas o mundo, e o Palmeiras, não acabaram

24 de janeiro de 1915. Foi a data em que o Palestra Itália fez seu primeiro jogo, conquistando seu primeiro título, a Taça Savóia. Aconteceu em Sorocaba, o Palestra fez 2x0 no Savoia, com gols de Bianco (o que o futuro tornaria irônico, era um jogador emprestado pelo Corinthians para compor o elenco Palestrino nesse jogo) e Alegretti. Foi um bom começo, para aquele que seria o Campeão do Século: Primeiro jogo, primeira vitória, primeira taça, tudo isso tirando a invencibilidade do Savoia.


24 de janeiro de 2010. Exatos 95 anos depois, o Palmeiras encara o Ituano em casa, pela terceira rodada do Campeonato Paulista 2010. Poderia, e deveria ser uma vitória empolgante e a liderança do campeonato. Mas não foi. O Palmeiras começou bem, embora com algumas falhas irritantes, principalmente de passes e desarmes, o que podemos atribuir mais à ajuda da união entre chuva e gramado mal drenado, do que a falha de jogadores – embora não possamos ignorar a existência de falhas. Tentar rolar a bola era quase impossível, visto que ela poderia parar em uma poça. Tentar lançar Diego Souza em contra ataque era difícil, visto que ele poderia escorregar. Tentar desarmar jogada adversária também era complicado, qualquer escorregada poderia garantir uma falta daquelas. Tudo isso eles tentaram, mas conseguir não estava tão fácil.


Mesmo assim, o Palmeiras dominava o jogo. Sacconi já esteve melhor, é um jogador que oscila muito e parece que cansa fácil. Mas quando está bem ajuda muito, principalmente porque libera Cleiton e Diego. Cleiton fez um jogo que oscilou entre aparições e desaparições, passes bem servidos para gol, o que é sua especialidade, e erros bobos em determinados momentos. Figueroa já esteve melhor. Nunca foi muito bom na marcação, mas nos últimos jogos têm errado muito os passes, cruzamentos, escanteios... Robert é um ótimo reserva e isso fica claro agora que podemos vê-lo jogar como titular. Não vou negar que gosto do cara, mas para titular precisamos de algo mais. Perdeu muitas bolas, se atrapalhou em vários momentos, com um pouco mais de qualidade poderia tranquilamente ter feito pelo menos mais dois gols. Aliás, o Palmeiras tem perdido gols demais. Isso, a meu ver, indica duas coisas: uma delas é que a pontaria precisa ser acertada, perder gols é normal em time que cria oportunidades, mas tem bobeada que não se pode aceitar. A segunda é que algo está funcionando bem, sim, porque prefiro time que perde muitos gols, mas faz 10 em 3 jogos, do que time que passa o jogo inteiro com duas ou três chances de gol e não faz merda nenhuma, ou com 300 chances desperdiçadas – coisa que chegou a acontecer há pouco tempo. Minha preocupação está mais com os gols que não deixamos o adversário perder.


E foi assim que, não ignorando falhas que precisam ser consertadas, o Ituano dava um sustinho ou outro de vez em quando, nada que realmente preocupasse, e o Palmeiras dominava o jogo, criava chances de gol. E enquanto a bola insistia em bater na trave, Asneiro lutava com a bola e os jogadores de verdade lutavam contra o gramado. Cleiton Xavier lançou Diego Souza em contra ataque rápido que resultou em um belo gol, aos 31 do primeiro tempo. Em termos de placar, o primeiro tempo foi só isso.


Segundo tempo sem nenhuma alteração de jogadores. Porém, já começamos mal. No primeiro minuto, em uma bobeada ridícula que envolveu pelo menos 4 jogadores do Palmeiras, Juninho Paulista marca para o Ituano. Danilo não conseguiu desarmar, Gualberto furou duas vezes, Juninho chutou a gol e bateu em Sacconi que tentou tirar a bola e jogou novamente nos pés de Juninho que, dentro da área chutou para o gol, surpreendendo Marcos. Foi uma bobeada tão geral que deixa clara a necessidade de acerto na defesa. Mas não foi apenas isso, o “melhor” ainda estava por vir.


Enquanto Armero esperava por sua aparição de gala, o Palmeiras tentava tirar o placar do empate. E o fez. O gol veio aos 11 minutos, Cleiton Xavier resolveu novamente aparecer para decidir e, em bela jogada pela esquerda conseguiu fugir da marcação e cruzar na cabeça de Robert, que dessa vez foi certeiro. Porém, 6 minutos depois, o péssimo árbitro – que por vezes ignorou ou inverteu faltas, e confundiu até tiro de meta com escanteio -, expulsou Gualberto, jogador praticamente estreante, de apenas 19 anos, vindo da base. Eu vi o garoto indo na bola, mas acabou fazendo falta que não era nem pra amarelo, principalmente a julgar pelo critério do mesmo árbitro em faltas do Ituano no Palmeiras. Com um a menos, o nosso grande problema ficou evidente: falta de banco. Gualberto estava substituindo Léo, lesionado. Edinho, que poderia improvisar na zaga, ainda não pode jogar por questões burocráticas. Sendo assim, o Palmeiras não tinha um zagueiro no banco, tinha um zagueiro expulso, e apenas o Danilo para segurar o barraco. Sorte nossa que foi o Ituano, tão ruim que se não fossem nossas bobeadas teria levado goleada, porque se fosse um time bom de verdade nós estaríamos amargando uma derrota ainda mais vergonhosa que esse empate ridículo.


“Se não fossem nossas bobeadas”... Pois é. Mesmo com um a menos, o jogo continuou como se o Palmeiras estivesse com 11, o Ituano com postura de time que joga com 10. Nossos jogadores já se mostravam cansados no ataque, é certo, mas continuavam pressionando. Por isso, Muricy mexeu no time sem fazer alterações, não que tivesse grande opção de banco para suprir a falta de um zagueiro, mas parecia que não iria precisar mesmo, de uma forma ou de outra o Palmeiras parecia que iria segurar a vitória... E foi assim que Cleiton, novamente, rolou a bola com açúcar, já dentro da área, para Sacconi marcar o seu aos 24 minutos. 3x1 estava ótimo, foi o suficiente até para o nosso treinador desistir de colocar Wendel, que já estava pronto na beira do gramado, e substituir Sacconi pelo estreante Joãozinho, garoto da base, que entrou mostrando personalidade e chamando jogo para si. Quem fosse embora do estádio nesse momento, não acreditaria no que veio depois.


O Ituano até que estava pressionando, o Palmeiras bobeava errando uns passes absurdos perto da área deles, mas ninguém esperava que, aos 35 do segundo tempo, acontecesse algo que revi umas 100 vezes e ainda não entendi. Juninho Paulista, livre, tentou um passe dentro da área, Armero e Danilo próximos, era só tirar, mas aquele que veste a camisa 6 do Palmeiras resolveu por um pouco de emoção no jogo, chutou a bola em Danilo que até tentou desviar, mas ela parou dentro do gol de uma forma tão ridícula, mas tão ridícula que eu prefiro continuar sem entender. Como se isso não fosse suficiente, aos 40 minutos, após cruzamento na área do Ituano, Figueroa e Danilo se embolam com Marcos. O Santo saiu, tentando dividida com o jogador do Ituano, acabou trombando com Figueroa que estava tentando a mesma coisa. Nessa jogada de “vamos deixar o cara livre pra cruzar e cair todo mundo pra cima do cara que vai receber a bola”, a bola caiu nos pés de outro, e o gol livre para o zagueiro Rodrigão marcar o terceiro deles. Os 22 torcedores que consegui contar lá na torcida do Ituano ficaram felizes. Nós fomos embora amargando um empate que, para ser boazinha, vou chamar de ridículo.


Voltei pra casa em um bom humor imaginável. Pensava no absurdo de não ter um zagueiro no banco, de não ter ninguém melhor para substituir Robert jogando mal, de ter Asneiro como titular do meu time. Pensava nas promessas de não sei quantos reforços, mesmo sem Libertadores, promessas não cumpridas até então. Eu aguardo, tenho paciência, mas não há como não me preocupar diante de uma necessidade urgente. Logo teremos jogos mais difíceis, e como será? Ouvia também as reclamações de outros torcedores, de gente falando que o negócio é gostar de futebol e não do clube, pessoas mais desiludidas que eu falando até em rebaixamento, ou então em “quando é que o Palmeiras vai ganhar alguma coisa?”. E enquanto amargava tudo isso, pensei nele.


Muitos não gostam de Oberdan por ele apoiar a “turma do Mumu”, mas eu prefiro pensar nele como o goleiro que tanto nos defendeu, e que chorou quando o Palestra foi sufocado por conseqüências ridículas de uma guerra imbecil, do que naquele homem velho e desgostoso, que fica do lado de quem lhe deu um pouco da atenção que precisava. Chegando ao Palestra ontem, olhei para os lados. Esperava encontrar um amigo, o Marcel, que não sabia bem em que lugar iria nos encontrar. Foi então que o vi, na calçada, aquele senhor. Parei, meu coração disparou, Vanessa também ficou ali parada comigo, sem reação. Quem tem a oportunidade de estar sempre por lá talvez não entenda o que sentimos, mas segurar a mão heroína de Oberdan foi algo que eu sequer sonhava, e que me fez valer o dia, a viagem, o cansaço...


Há exatos 95 anos começava isso que é a nossa paixão, o nosso vício, nossa insanidade, ou seja lá como você prefere chamar. É, já se passaram 95 anos, dentro deles tantas e tantas histórias. O Palestra, de forma dolorosa, tornou-se Palmeiras, Oberdan estava lá. Foram tantos títulos, vitórias grandiosas que nos renderam o maior deles, de maior Campeão do Século XX. Mas durante esse tempo, também houve derrotas tristes, empates vergonhosos com Ituanos da vida. E o Palmeiras continuou. Às vezes, passando por anos de glórias, depois anos de amargor, mas nunca deixou de ser o grande campeão. A vida é assim, a história é assim, não é uma via de mão única, seguindo sempre a mesma direção. Com o Palmeiras, não seria diferente. Não é sempre que as coisas dão certo, mas isso não significa o fim.


Olhar para o passado, pensar em Oberdan, em tantas histórias desses últimos 95 anos. Tudo isso me fez pensar em como, por tantas vezes, muitos torcedores ignoram tudo o que passou. Temos passado por anos difíceis, por muito tempo o Palmeiras formou times de fazer vergonha e dor, agora tem um time do “quase”, falta sempre alguma coisa ali, outra coisa lá, “quase dava para ser campeão”. E isso nos dói, nos aperta o coração, ansiamos tanto por esse algo mais que até entendo certas reações desesperadas. Mas se a história existe para alguma coisa, é pra mostrar que as coisas nem sempre acontecem como prevíamos, é para mostrar que a vida acontece de forma diferente do que imaginamos. Quem diria, hoje, que o primeiro gol do Palmeiras foi marcado por um jogador emprestado por cortesia pelo Corinthians? Será que, em 1942, Oberdan não se desesperou ao ver o Palestra correndo o risco de perder tudo? Quantas e quantas vezes, na década de 80, meu pai não amargou no fim de um jogo, sonhando em quando o Palmeiras iria reagir? Será que ele, que cresceu vendo a academia, iria imaginar o sofrimento que viria pela frente? E eu, que nasci nos anos 80, que em 92 aos 5 aninhos de idade quase desisti do Palmeiras, imaginava o que iria perder se tivesse desistido?


Não é a primeira vez que ficamos no quase, e sofremos a perda de um título que estava nas mãos, não é a primeira vez que faltam jogadores no banco, não é a primeira vez que o torcedor precisa se preocupar. Mas, se nesses momentos ruins não houvesse quem acreditasse e fizesse algo para mudar, bem como quem confiasse e tivesse a paciência de esperar aqueles que fizeram algo, hoje não existiria nada. Não teríamos o Marcos no gol, nem jogadores que, às vezes, mal valorizamos, mas todo torcedor queria em seu time um Pierre, Cleiton, Diego... Não teríamos nada, talvez nem o Palmeiras, ou então o Palmeiras não teria “nós”, seus torcedores.


Então, torcedor, preocupe-se sim, claro, a coisa não está tão bem quanto esperávamos e não sabemos quando vai melhorar. Mas não se desespere desse jeito, não diga que o Palmeiras é pequeno, que nunca ganha nada, que vamos acabar. Olhe para a história, olhe para trás, veja o Palestra, veja o Palmeiras, pense na Academia, mas não se esqueça que o Campeão do Século XX também passou pelos anos 1980. Desistir não é a melhor forma de resolver os problemas. E eu voltei para casa, 3 horas de viagem, pensando somente em voltar a ver o Palmeiras, jamais em desistir. Afinal, foi apenas um jogo e é o início de uma temporada. Há pela frente tantas histórias que desconheço, algumas tristes como não quero e outras mais felizes que as que desejo. Não há como saber, mas eu estarei lá para ver e viver o que vier.


Crédito da foto: Lancenet


sábado, 23 de janeiro de 2010

DA CIDADE DOS EXAGEROS, UM TIME MODESTO

A cidade não é  grande, mas é conhecida pelo adjetivo. Itu, com seus pouco mais de 157 mil habitantes, é um dos municípios mais famosos do interior paulista. Graças ao apelido de “cidade dos exageros” e, também, por conta das referências históricas. Já o seu representante no futebol paulista não carrega o mesmo adjetivo. Fundado em 1947 com o nome de Associação Atlética Sorocabana, o Ituano, hoje Ituano Futebol Clube, sempre foi um time modesto que vez ou outra encheu o saco dos grandes de São Paulo.

Itu completará seus 400 anos de fundação no dia 2 de fevereiro. A prefeitura promete grande festa para comemorar a data tão importante na história do município que, muito antes de ser conhecido pelo futebol, era famoso pelos barões de café. E Itu também é conhecida como “Berço da República”, já que lá foi realizada a Primeira Convenção Republicana em meados do século XIX. A importância da cidade para a história do Estado e do País é indiscutível. A importância do clube da cidade para a história do Estado e do País é... Quase nula.

O Ituano, conhecido como Galo, ostenta acomodações modestas, um estádio - Novelli Jr - que à noite vira “boate”, e tem como ídolo Juninho Paulista. O meia “anão” começou sua carreira lá, antes de “embichar” e plantar raízes no Jardim Leonor. Juninho passou pelo Vasco, chegou à seleção brasileira, onde conquistou a Copa do Mundo de 2002, e passou muito tempo no futebol europeu, defendendo times como o Middlesbrough e o Atlético de Madrid. Em 2005 teve uma passagem apagada pelo Palmeiras, que durou até o final de 2006. Depois de se aventurar por Flamengo e Sydney (Austrália), o meia parou de jogar por um tempo, até decidir tirar as chuteiras do armário e defender o Ituano no Paulistão. Não dá para chamá-lo de “grande reforço”, mesmo.

Enquanto Juninho alçava vôos mais altos, o Ituano se estabelecia no futebol paulista. Entre idas e vinda na série A2 do estadual, o clube interiorano se aproveitou do “inchado” Rio-São Paulo de 2002 - que excluiu várias equipes, incluindo os grandes, da disputa do Campeonato Paulista -, e abocanhou o título estadual. Claro, sem os grandes, que depois disputaram o Super Paulistão. Ridículo, mas é verdade. O Ituano também chegou à 2ª divisão do Brasileirão, mas não conseguiu se manter por muito tempo. Ultimamente não figura nem na série C.

Mesmo não sendo grande coisa, hora ou outra o Ituano enche o saco dos grandes. E o nosso nem se fale. No primeiro confronto da história, em 58, vitória do Galo caipira venceu por 1 x 0. Ultimamente o clube “rubro-negro” deu para complicar nossa vida. Não os vencemos desde 2006. Nos últimos três confrontos, foram duas derrotas por 1 x 0 e um   empate de 1 x 1 no Paulistão do ano passado. Já nos números gerais, o Ituano não assusta. Foram 20 jogos, 12 vitórias do Palmeiras, 3 empates e 5 derrotas, 36 gols marcados e 17 sofridos.

Para enfrentar o Ituano neste domingo, Muricy terá todo o elenco à disposição. O grande problema será o cansaço. Depois do empate contra o Barueri/Prudentino na quinta, pouco tempo sobrou para treinar. Descansar, conversar e tentar manter a concentração para a terceira rodada do Paulistão. O time deve ser o mesmo do último jogo, apesar da atuação contestada. Há previsão de bom público para acompanhar o Palmeiras quebrando o pequeno tabu que o time de Itu criou nas ultimas três partidas. Hora do Verdão mostrar o que é ser “grande” para o “pequeno” Ituano. E o pós-jogo de amanhã sairá tarde, provavelmente na segunda-feira, isso porque todos os integrantes do Passione Verde irão ao jogo, faça chuva ou faça sol, estaremos lá!

Promoção

O Passione Verde está realizando uma promoção para o Campeonato Paulista de 2010, valendo um livro e um conjunto de botons do Palmeiras. Para participar, você precisa fazer um comentário com seu palpite de resultado para o próximo jogo, incluindo seu nome. Os palpites serão aceitos neste post, até 5 minutos antes do início da partida. Quem acertar mais resultados do Palmeiras durante o campeonato levará o prêmio. E então, qual será o resultado de Palmeiras x Ituano, neste domingo, 24/01?

VERDINHO BRIGA PELA VAGA, MAS PERDE NOS PÊNALTIS

Não deu, uma pena. Esse time poderia, sem dúvida alguma, ter se classificado para a final de segunda-feira, mas a sorte não esteve ao nosso lado. Sorte, a única justificativa plausível nessa altura. Não se pode crucificar um menino talentoso como o Ramos, que perdeu o pênalti e fez uma partida apagada. Se não fosse nosso camisa 10 dificilmente teríamos chegado aonde chegamos. Gilsinho, também apagado, é outro. Empolgou a torcida e hoje não fez uma boa partida. Meninos de raça, mas ainda meninos. O mais importante já foi feito: uma base decente, diferente dos outros anos. Resta aproveitar.

O clássico paulista na Copinha levou os torcedores de São Carlos a lotar o estádio. A maioria palmeirense, como era de se esperar. O jogo tinha tudo para ser equilibrado, e no final das contas foi mesmo, mas o foi o Santos quem começou melhor a partida. Numa falta sem necessidade do capitão Maiko, Alan Patrick, que inclusive já jogou no time de cima, bateu com perfeição sem chances para Borges. Depois de tomar gol, o Verdinho se encontrou na partida. Durante quase todo o primeiro tempo, dominou a maioria das ações defensivas e obrigou o goleiro do time do litoral a fazer grandes defesas. Destaques para Christian e Bruno “Sheldon” Turco.

No segundo tempo, uma mudança: a entrada de Francinei para a saída do horrível centroavante Miguel, possivelmente o jogador mais fraco desse elenco. O camisa 9 perdeu um gol incrível no primeiro tempo, nada surpreendente se tratando de sua “técnica apurada”. A entrada de Francinei mudou a equipe. O Palmeiras continuava superior e o Santos se aproveitando dos contra ataques. Dominar o jogo não é o bastante no futebol. A velha frase “quem não marca, leva” é verdadeira. Renan Mota deu um belo chute de fora da área, mais uma vez sem chances para Borges. Não foi o fim. O Verdinho reagiu e conseguiu finalmente marcar com Patrick, que entrou no lugar de Afonso.

Quando parecíamos muito vivos para buscar o empate, um balde de água fria abateu a equipe. Falha na saída de bola com Borges e Gabriel Silva, Tiago quase foi derrubado pelo atabalhoado Wellington, mas conseguiu marcar. Os 3 x 1 aos 37 minutos pareciam ter acabado com a partida. Mas não, o Verdinho teve forças para reagir. E a reação começou com Gabriel Silva, aparecendo de surpresa na área e batendo forte, diminuindo a diferença no placar. Dois minutos depois, aos 44, aconteceu o que para muitos já era impossível. Francinei fez grande jogada pela esquerda e chutou a meia altura na área para Patrick empatar o jogo. Emocionante. O juiz, que deu pouco de acréscimo, ainda participou uma cena ridícula, roubando a bola do menino Gilsinho e acabando a partida.

Os pênaltis. Eles já  nos deram Libertadores, já nos tiraram outra, e foram eles que nos impediram de chegar à final da Copinha. Tudo ia bem pras duas equipes até Borges pegar o chute de Tiago. Sim, ele pegou, mas por uma infelicidade imensa a bola tomou o rumo das redes. Em seguida, foi a vez de Ramos, nosso camisa 10, em minha opinião o melhor jogador do Palmeiras nessa Copa São Paulo, ao lado de Gabriel Silva. Ele bateu a meia altura, fraco, e o goleiro Rafael pegou. Renato cobrou para o Santos, fechando as penalidades. O time da Vila Belmiro pega a bicharada na final, dia 25 no Pacaembu.

Com certeza é uma frustração. Acreditávamos muito nesses meninos. Agora, com cautela, o que importa é aproveitar a boa safra. Gabriel Silva, Gilsinho, Ramos, Bruno Turco, Luis Felipe, Afonso, Francinei, Patrick, bons meninos com futuro, uns mais promissores do que outros, mas igualmente merecedores de pelo menos uma chance para treinar com a equipe principal. Muricy, que sempre revelou bons jogadores, terá a calma para lapidar essa molecada e lançá-los na hora certa. Sorte para eles e para nós. Parabéns Verdinho, valeu pela luta!

Créditos da foto: Agência Lance.