sexta-feira, 2 de julho de 2010

BRASIL “PERDE A CABEÇA” E HOLANDA ESTÁ NA SEMIFINAL

O sonho do hexa acabou. A histeria coletiva também. Agora é hora de voltar à vida, ao trabalho, aos afazeres normais. É hora de acordar e tirar o rei da barriga.

O Brasil começou muito melhor, envolveu a Holanda de forma eficiente e fez com que todos acreditassem que o placar seria elástico. O gol saiu cedo, logo aos 10 minutos. Robinho escora para o gol de primeira, após lindo lançamento de Felipe Melo, o mesmo que ajudou a cobrir a cova da seleção.

O Brasil continuou indo pra cima, e se tivesse um pouco mais de vontade, poderia ter liquidado o jogo facilmente. A Holanda não se achou em campo no primeiro tempo. A marcação em cima de Sneijder e Robben foram perfeitas, o time de laranja não encontrava espaços para criar. E quando chegava perto da área com Robben, a jogada se extinguia, pois o jogador achava que sempre poderia resolver sozinho. Pelo lado brasileiro, Luis Fabiano e Kaká não marcaram presença. Aliás, que camisa 10 ridículo representou a seleção. Craque? Jamais. E poderíamos ter sido representados por um camisa 9 em boa fase e equilibrado, mas isso não vem ao caso mais.

No segundo tempo, o cenário mudou drasticamente. O Brasil voltou a campo de forma irreconhecível, dando mostras de que alguns jogadores já consideravam o jogo ganho. O Brasil, e os brasileiros, precisam aprender que camisa não ganha jogo, que esperar apenas que os outros tremam não é o suficiente. O Brasil é penta, mas há muito tempo deixou de ser a melhor seleção do mundo. Há muito tempo deixou de ter humildade em reconhecer que está abaixo de muitas seleções, e que tradição não ganha copa sozinha. Cada seleção teve um tempo de jogo a seu favor, mas foi a Holanda que soube aproveitar melhor as falhas do adversário.

O descontrole emocional do Brasil apareceu após o empate holandês. Sneijder cruzou na área. Júlio César e Felipe Melo se atrapalham. Gol da Holanda. Gol contra de Felipe Melo. A partir daí, a Holanda tomou conta do jogo, com calma e inteligência. Enquanto isso, o Brasil parecia um amontoado de ensandecidos. Lembro-me que na hora do intervalo, comentei o seguinte: “O Brasil poderia ter metido uns 3 no primeiro tempo e não fez. Agora no segundo tempo pode ser que fique mais complicado...”.

Dunga tentou a primeira mudança, tirando Michel Bastos, de quem eu já não esperava nada, e colocando o experiente Gilberto. Pra ser sincera, não adiantou nada. E aqui abro parênteses (qual foi a razão para convocar dois jogadores para a lateral esquerda e que nem atuam como laterais em seus clubes atuais?). O Brasil continuou errando passes ridículos e os jogadores pareciam não saber o que fazer com a bola. Pra não ser injusta, o crack Kaká até tentou fazer o dele, num bonito chute colocado, mas o goleiro estava atento e fez uma bela defesa.

E Robben continuava a fazer o jogo dele, cavando faltas e irritando os jogadores brasileiros. Mas devo confessar que passei a ter antipatia por ele. Bom jogador, mas egoísta e previsível. Aliás, alguém pode me explicar o que foi aquele escanteio?

E por falar em escanteio...Batida de Robben, Kuyt desvia na primeira trave e a bola encontra Sneijder sozinho na área. É o gol da virada. O camisa 10, mesmo não fazendo uma partida brilhante, é o personagem principal da derrota brasileira.

Alguns minutos depois, aconteceu o que já era previsto por muitos. O Cavalo Melo, no auge de seu descontrole, faz falta em Robben e, quando esse ainda estava no chão, deu-lhe um pisão. Expulsão previsível e justa. Não é desse tipo de jogador baixo que uma seleção brasileira precisa.

Ainda achei que outro jogadores brasileiros seriam expulsos, tamanha a falta de capacidade de superação coletiva. Robinho, o que queria ser o destaque da seleção, achou que gritar iria resolver alguma coisa. O problema é que faltou bola na rede. E para isso acontecer, alguma mudança no time precisava ser feita. Era tudo ou nada. E o que a mula fez? Tirou Luis Fabiano (aliás, nem o vi em campo) e colocou Nilmar. Brilhante. Era hora de arriscar, de sufocar a Holanda, mas ele preferiu ser burocrático e terminou por entregar de vez a partida. Digo isso ao trocar um atacante por outro, porque se quiséssemos algo mais, não teríamos com esse banco sofrível . Quem poderia mudar a cara do jogo? Grafite? Júlio Baptista? Que patético.

Um fato curioso que muitos não devem ter notado aconteceu ao fim da partida. Assim que o juiz apitou, Dunga e Jorginho saíram correndo abraçados, deixando os jogadores em campo. Alguns também foram depressa pro vestiário e o emocionado Júlio César é quem teve a missão ingrata de explicar o fiasco. Essa é a tão falada união da seleção.

É isso. Voltemos ao trabalho, o dia está lindo! Como é bom esse silêncio, essa calma. Não cantem vitória antes da hora, pois camisa e tradição não ganham jogo sozinhas. E que a lição seja aprendida: NÃO HAVERÁ HEXA SEM UM PALMEIRENSE NO ELENCO!

Crédito da foto: GE.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

CURIOSIDADES - A COPA DE 1934


- O país sede era a Itália de Benito Mussolini, ditador fascista.

- A fim de arrecadar fundos para a realização do torneio, o Partido Fascista criou uma loteria nacional, aumentou os impostos sobre produtos, principalmente os cigarros, cujas embalagens estampavam alusões à Copa do Mundo. Além disso, a Itália foi o primeiro país a emitir selos da Copa.

- O Uruguai se recusou a participar em represália à ausência dos principais países europeus na Copa anterior, em Montevidéu.

- A Inglaterra estava afastada da Fifa desde 1928 e novamente não participou da competição, alegando que a Copa do Mundo apenas servia para apontar o campeão de um torneio, e não para eleger a melhor seleção do mundo. Aliás, os ingleses se achavam no direito de serem os detentores desse título, mesmo não participando da Copa. Escócia, Irlanda do Norte e Gales também recusaram o convite da Fifa, é claro.

- Em dezembro de 1932, Uruguai e Brasil se enfrentaram num jogo oficial, em Montevidéu, sem a participação de jogadores paulistas, devido à Revolução Constitucionalista. Isso provocou a paralisação do Campeonato Paulista. Até mesmo Arthur Friedenreich, jogador prestigiadíssimo dos primeiros trinta anos do futebol brasileiro, se alistara nas tropas paulistas. Por causa de desavenças políticas, Flamengo e Vasco se negaram a ceder jogadores para a Seleção. Mesmo assim, o Brasil venceu e ainda revelou um jovem talento, do desconhecido Bonsucesso: Leônidas da Silva, que tinha apenas 19 anos.

- Em 1933 o futebol se profissionalizou, porém, houve uma divisão. De um lado, a CBD e os clubes amadores. Do outro, os clubes profissionais e a FBF (Federação Brasileira de Futebol), liga independente formada por eles. E como ficaria a seleção nessa situação? Para não dar vexame na Copa, a CBD precisava dos atletas profissionais e tomou a decisão de contratar os melhores da FBF, por seis meses. O valor oferecido a cada um variava e parece que Leônidas recebeu trinta contos de réis, o que na época era uma fortuna, equivalente ao primeiro prêmio da Loteria Federal.
- Domingos da Guia, pai do nosso Divino, não foi para a Copa porque o Nacional do Uruguai, ao saber que a CBD estava pagando uma fortuna para contratar os atletas, exigiu 45 contos de réis para liberar o jogador. A CBD achou isso um verdadeiro absurdo e se recusou a pagar.

- A Fifa dividiu as 16 seleções classificadas em dois grupos, o dos fortes e o dos fracos. O Brasil estava no grupo dos fortes, apesar de não ter ido com sua melhor seleção, e pegou logo quem? A Espanha! Levou uma sacolejada logo de cara, perdendo por 3x1. Esse foi o primeiro jogo do Brasil transmitido por rádio em Copas, embora os brasileiros não pudessem ouvi-lo.

- O Egito foi o primeiro país africano a participar de uma Copa do Mundo. Apenas 36 anos depois, o Marrocos representou novamente o continente.

- O juiz escolhido para apitar a final entre Itália e Tchecoslováquia, o sueco Eklind, saudou Mussolini com o tradicional gesto fascista, antes do início da partida. O mesmo árbitro havia apitado de forma muito parcial o jogo entre Itália e Áustria, na semifinal. E isso se repetiu na final. Mas com tanta pressão, quem não agiria da mesma forma?

- Os jogadores da Alemanha entraram uniformizados em campo, junto com italianos e tchecos, que desfraldaram a bandeira com a suástica nazista. Isso nunca foi repetido em nenhuma outra copa.

- Ao final da partida, Mussolini entregaria pessoalmente o “Troféu Itália” ao campeão. E ai daqueles que não fizessem da Itália a campeã do mundo!

- O preço elevado dos ingressos fez com que a arrecadação dessa copa fosse 150% maior que a de 1930, mesmo tendo um jogo a menos (17 jogos). Porém, a ocupação média dos estádios mal superou os 30%.

- Foram marcados 70 gols, com uma média de 4,12 gols por partida. A Itália marcou 12 em 5 jogos. O artilheiro da Copa foi o tcheco Oldrich Nejedlý, com 5 gols.

- O Brasil não voltou imediatamente após a eliminação, tendo feito um “tour” pela Europa por 45 dias, fazendo 8 apresentações na Iugoslávia, Espanha e Portugal. Isso foi necessário para que a CBD repusesse seus cofres, já que o dispêndio foi grande devido à contratação de jogadores. O primeiro jogo foi um verdadeiro fiasco. Com o mesmo time que enfrentou a Espanha, o Brasil perdeu por 8 a 4. Esse foi o maior número de gols que a seleção já levou em um único jogo em sua história.

Fonte de pesquisa: Almanaque dos Mundiais, por Max Gehringer

VILLA FAZ DIFERENÇA DE NOVO E ESPANHA DESPACHA PORTUGAL

A Espanha chegou com favoritismo à África do Sul graças à conquista da Euro em 2008 e às estrelas do time, na maioria atletas do Barcelona. No entanto, logo na primeira rodada da Copa, causou grande desconfiança ao perder para a Suíça, num jogo atípico. Mas mesmo sem encantar como era esperado, se recuperou, passou de fase e bateu Portugal, conquistando a vaga para enfrentar o Paraguai nas quartas. O bom toque de bola e uma espécie de frieza que a seleção adquiriu ajudaram os espanhóis a chegarem nessa fase da competição, mas o grande responsável mesmo é David Villa. O camisa 7 espanhol dribla, chuta e parte pra cima, sem sentir o peso da partida. O mesmo não se pode dizer do 7 português. Copa impecável de Villa, por enquanto, o craque do mundial.

No duelo entre nossos colonizadores, Espanha e Portugal chegaram para a disputa de maneiras bem diferentes. Os espanhóis com o peso do favoritismo e os portugueses com o fardo de Cristiano Ronaldo, que dificilmente chama a responsabilidade. A Fúria demorou para pegar no tranco e ainda nem jogou o que pode, já Portugal chegou até onde poderia chegar. Por essas e outras, a Espanha entrou em campo com maior chance de levar a vaga. E logo no início mostrou que iria impor sua superioridade. Dominou a partida com uma série de chutes e maior posse de bola, como essa equipe costuma jogar. Os adversários portugueses tentavam o contra-ataque e, às vezes, assustavam, mas nenhuma das duas equipes terminou a primeira etapa com vantagem no marcador.

A Espanha começou definitivamente a ganhar o jogo quando Vicente del Bosque, antes dos 15 do segundo tempo, trocou Fernando Torres, mais uma vez jogando muito abaixo do esperado, e botou Llorente, centroavante do Atletic Bilbao. Logo na primeira chance do substituto de Torres, Ricardo fez uma ótima defesa. Preocupados com um homem fixo na área, os portugueses não conseguiram impedir a bela jogada espanhola que passou pelo calcanhar de Xavi Hernández e parou em Villa. O camisa 7 espanhol teve o primeiro chute defendido por Ricardo, mas na segunda tentativa não perdoou. Depois do gol, Portugal bem que quis reagir, mas o estilo de jogo da seleção espanhola não permitiu muita coisa.

Ricardo Costa ainda foi expulso por uma suposta cotovelada em Capdevila, que até agora não consegui ver direito, mas o jogo já estava praticamente liquidado. Fim do caminho para Portugal, sinal verde para a Espanha, que chega como franca favorita para o duelo contra o Paraguai. Venceu a melhor seleção e quem fez diferença foi um competentíssimo e talentoso camisa 7, um que não faz pose até para cobrar falta na lua. Enquanto Villa se destaca a cada partida, o "craque" português volta pra casa sem ter feito nada na Copa. Cristiano Ronaldo é um desperdício. Tem muito talento e um físico invejável, mas prefere ser capa de revista. Nunca será o jogador que pensa que é, mas não tenta ser nem o que pode, o que já seria o suficiente. Ruim para os portugueses, bom para os espanhóis. Se cuida, Paraguai! A Fúria, ainda muito calminha pro meu gosto, vem aí!

Créditos da foto: GE.

terça-feira, 29 de junho de 2010

BRASIL E HOLANDA CONFIRMAM FAVORTISMO E SE ENFRETAM NAS QUARTAS

Mais um belíssimo clássico das Copas pela frente. Depois de Alemanha x Inglaterra, agora será a vez de Brasil e Holanda se enfrentarem. A seleção de Dunga pegou o adversário mais frágil das oitavas e não fez uma partida nem de longe brilhante, embora tenha se mantido eficiente e competitiva. Já os holandeses pegaram uma “zebra”, mas que ao contrário dos chilenos tinha uma defesa bem postada e um artilheiro, e fez bem o resultado sem muito esforço. Os dois fizeram o necessário, nem mais nem menos, e agora medirão forças na sexta-feira. O toque de bola laranja contra a efetividade amarela, quem leva?

A primeira característica da seleção de Marcelo Bielsa: coragem. E a segunda, pela ordem: burrice. Tão corajosos quanto burros, os chilenos partiram para os mesmos erros de sempre quando enfrentaram o Brasil. No começo do jogo partiram pra cima, pressionaram, dominaram e nada aconteceu. Muito toque, pouca efetividade. Mesmo problema espanhol, mas a diferença técnica entre as duas seleções é absurda. Depois da pressão inicial, deixaram o time de Dunga ficar mais com a bola e deram zilhões de escanteios. Com uma defesa daquelas e com a competência brasileira na bola parada, era pedir pra tomar gol. E tomou. Pra não dizer que Juan subiu sozinho para cabecear, vale lembrar que ele estava rodeado de camisas amarelinhas. Aí acabou qualquer chance da zebra chilena dar as caras em Johanesburgo.

Com a defesa que tem, fazer um gol contra uma equipe de sistema defensivo frágil e ataque pouco eficiente, é tudo que o Brasil pode querer. Os comandados de Dunga nem precisaram fazer força pra chegar ao segundo gol com Luis Fabiano, dessa vez sem precisar usar os braços pra ludibriar a arbitragem. Bielsa, que deixou Valdivia no banco, colocou nosso Mago já na volta do intervalo esperando por um milagre. O Chile tentou, teve brio, mas se esqueceu que continuava ruim. Não diminuiu o placar, pouco chutou e ainda levou mais um gol, dessa vez de Robinho. Méritos totais para Ramirez. O jogo continuou no mesmo ritmo até o final, com pouquíssimas chances para ambas as equipes. Ou seja: chato, muito chato. A partida mais sem emoção das oitavas de final.

No duelo anterior, das 11h, a Holanda enfrentou a Eslováquia, responsável pela eliminação precoce da Itália, campeã em 2006. Aliás, os italianos foram eliminados mais pela própria incompetência do que pela competência alheia. A novidade foi Arjen Robben, tido como grande nome da seleção holandesa, que sofreu uma contusão durante a preparação para a Copa. Diferentemente de outros jogadores que se contundiram antes da competição e não renderam, como Ribéry, Rooney e Fernando Torres, Robben voltou com tudo. Participou do gol holandês na vitória sobre Camarões e fez o seu contra os eslovacos. Depois de receber lindo lançamento de Sneijder, o carequinha cortou para o meio e bateu rasteiro no canto do ótimo goleiro Mucha.

A Holanda segurou o jogo como quis, embora as duas equipes tenham exigido muito trabalho dos goleiros, e chegou ao segundo gol com seu camisa 10. Kuyt fez ótima jogada pela esquerda e apenas rolou para Sneijder no centro da área marcar. No final da partida, a brigadora Eslováquia chegou ao seu golzinho num pênalti duvidoso em sua última jogada de ataque. Vittec, um dos artilheiros da Copa com 4 gols, marcou e se despediu da competição de forma positiva. Não dava para os eslovacos, assim como para os chilenos. Duas presas fáceis para duas favoritas. Favoritismo que agora será posto à prova. Ao contrário do que muita gente pensa, a Holanda não é só Robben. Sneijder, um belíssimo meia clássico, Van Persie e Kuyt também são destaques nessa equipe. Além de tudo, é um time certinho sem um grande ponto fraco. É verdade que a Laranja Mecânica não é a mesma de antigamente, mas nem o Brasil chega perto do que já foi. A histeria coletiva não deixa o brasileiro ver isso. Que bicho mordeu esse povo que ficou barulhento e soberbo? O Brasil sempre foi campeão com humildade e bom futebol. Pode voltar a ser campeão sim, pelo conjunto e eficiência, já que nenhuma seleção está muito acima das outras, mas vem perdendo aos poucos as duas características que me orgulhavam tanto.

Créditos das fotos: Uol.

DUELO IBÉRICO ESQUENTA ÚLTIMO DIA DAS OITAVAS


Por Carlos Albano

Portugal classificou-se em segundo lugar no Grupo G e pega o primeiro do grupo H, a Espanha. Será um jogaço, tanto pela rivalidade histórica quanto pela formação das seleções que vêm crescendo durante a competição.

E a Espanha chegou para a Copa. Ainda tímida, mas chegou. Mostrou um razoável futebol contra o Chile, com uma marcação forte no meio e um ataque rápido que, agora, parece eficiente. Terminou em primeiro no grupo H.

E que Portugal não cometa a besteira de entrar com uma disposição defensiva como fez contra o Brasil. Houve uma involução por conta da covardia. Teria ganhado o jogo contra o Brasil não fosse a postura defensiva, no primeiro tempo com dez jogadores atrás da linha da bola, no segundo ficou entre jogar para ganhar e um exagerado respeito ao Brasil. Mostrou qualidades defensivas que não havia mostrado até então com a volta de Pepe, porém, à custa do bom futebol que vinha em franca evolução, como demonstrado em partidas anteriores. Isolou Cristiano Ronaldo e segurou Danny para marcação, além de três volantes no meio acabando com qualquer possibilidade de ultrapassagens pelas pontas e infiltrações, pontos fortes do ataque luso até então.

Era a oportunidade de vencer o Brasil desfalcado, mal formado, confuso, errando passes, nervoso. Presa fácil para qualquer futebol ofensivo, já que não havia no meio brasileiro qualquer possibilidade de ligação criativa com o ataque. Acabou sendo um jogo equilibrado por baixo. Com um nível horrível. Um jogo ruim, violento, com passes errados, falhas de marcação e individuais de ambos os lados.

Para Portugal fica, a meu ver, a certeza de que ou joga pra frente, para vencer, ou vai retroceder em sua atual preparação para a Copa e passa a correr sérios riscos. A defesa de Portugal não é nenhum primor quando acuada e não tem velocidade suficiente para acelerar as saídas de bola nos contra ataques, exceto uma tomada de bola no meio de campo. Portugal tem equipe para agredir, jogar pra cima, vinha jogando dessa forma e, com a volta de Pepe, a defesa tomou mais corpo, ficou mais viril e preenche melhor os espaços, embora lentos na saída de bola, como já disse. O que vai exigir mais dos articuladores. Jogar no costumeiro 4-3-3 é a única saída. De qualquer forma, os cruzamentos na tabela daqui para frente, para Portugal, exigirão desta seleção mais força, mais chegada, mais futebol. Acabaram as possibilidades de empate. Acabou a covardia. Às Armas lusitanos, às armas!

Crédito da foto: Terra.

GALÃ TEVEZ MARCA DOIS E ARGENTINA PEGA A ALEMANHA NAS QUARTAS


O México bem que tentou, mas não foi páreo para a força ofensiva argentina. Mesmo começando melhor a partida, os conterrâneos de Chaves e Cia cometeram erros fatais, apesar de terem sido prejudicados pela arbitragem, que validou aquele gol de Tevez, visivelmente em posição de impedimento. Aliás, só não viu quem não quis. Só não superou o erro cometido pelo bandeirinha cego do jogo entre Inglaterra e Alemanha. Aquele foi uma tremenda sacanagem e comprometeu claramente a reação inglesa. No caso do jogo latino, não acredito que esse gol tenha sido o fator primordial para a derrota mexicana.

De fato, o México iniciou o jogo sufocando os hermanos. Logo cedo, Salcido, bom jogador, mandou uma bomba no travessão, assustando o goleiro Romero. Guardado também tentou de fora da área e a bola passou muito perto. Enquanto isso, a Argentina tentava chegar ao ataque, sem muito sucesso. A marcação mexicana estava eficiente e praticamente não houve chances claras de gol, até o erro crasso. Messi lançou Tevez, que dividiu com o goleiro e a bola voltou para o camisa 10, que tentou encobrir o já batido arqueiro. Nesse meio tempo, o lindo camisa 11 já estava meio metro adiantado quando cabeceou a bola pro gol. Para deixar a lambança ainda pior, o telão do estádio mostrou o lance e todos viram a posição irregular do jogador argentino, inclusive o bandeira. Os jogadores mexicanos foram pra cima dos dois, que após uma conversinha, resolveram validar o gol, já que não poderiam utilizar a imagem mostrada para mudar de opinião. O estrago estava feito. Isso ocorreu aos 26 minutos.

Para afundar ainda mais o simpático time de verde, o zagueiro Osorio presenteou o artilheiro Higuaín com sua ruindade, entregando a bola sem a menor dificuldade. Resultado: drible no goleiro e mais um gol, aos 33 minutos do primeiro tempo. Essa não foi a única lambança do defensor na partida. Aliás, a defesa mexicana é bem fraquinha e o ataque pouco eficiente. Por isso reafirmo que a Argentina ganharia de qualquer jeito.

No intervalo, um prenúncio de confusão. Bate-boca, empurrões e Maradona, o ex-bad boy, tenta acalmar os ânimos. A cena foi, definitivamente, muito estranha.

No segundo tempo, o técnico Javier Aguirre colocou Barrera no lugar de Bautista. Antes tivesse começado com ele, pois o jogador substituído não fez foi nada, ao contrário do outro que participou bastante do jogo. Porém, a esperança mexicana durou pouco. Tevez acertou um belo chute de fora da área, contando também com a colaboração do goleiro de 1,74m, que não é nem sombra do inesquecível Jorge Campos. Golaço.

Depois do terceiro gol argentino, os mexicanos resolveram voltar para o jogo. Criaram muitas oportunidades, e Heinze ainda tirou uma bola em cima da linha. Mas aos 26 minutos, Hernández fez o gol de honra, num belo chute, sem chance para o fraco goleiro argentino. E foi isso.

Sem dúvida foi a pior partida de Messi, que apesar de muito apagado, quase fez o seu no final do jogo. O camisa 10 segue sem marcar na Copa, enquanto isso, Higuaín é o artilheiro da competição com 4 gols.

O próximo jogo da Argentina não será nada fácil, pois tem uma verdadeira pedreira pelo caminho, a Alemanha, que está jogando muito. Maradona já pensa até mesmo em reforçar a defesa, jogando com 2 atacantes ao invés de 3. Será que a eficiência ofensiva argentina conseguirá superar sua própria deficiência defensiva? É o que vamos ver no sábado. Se equilibrarem os dois setores, as chances de vencer serão grandes. E também resta saber como o melhor do mundo irá se comportar. É hora de brilhar de verdade, Messi!

Crédito da foto: GE.

NEM DEUS SALVA A RAINHA

Por Sergio Bellangero e Marcel Castro

Esse texto é feito a quatro mãos. Antes que o meu companheiro de escrita diga, eu mesmo faço: Quem desacreditou na Alemanha que levante a mão! Pronto, estou teclando com uma só!

Está certo, eu bem disse em meu último post que nesse confronto a Alemanha deveria passar, mas não passaria das quartas. Vi um Uruguai muito bem montado, mas se a Alemanha tiver a mesma disciplina tática de hoje e, principalmente, a atuação de Özil, sim, o melhor em campo sem ter feito um golzinho sequer, vai ficar difícil para o time sul-americano. Alias, qualquer um dos 5, ou dos 7 restantes... Mesmo o poderoso e tradicional Brasil terá dificuldade.

O primeiro gol Alemão foi ao estilo do que eu previa, e meu parceiro nem tanto: um tiro de meta que atravessou todo campo e, na força física, se jogando na bola, Klose abriu o placar. Meu parceiro que escreve o texto comigo, está espantado: Diz ele que nem na várzea se toma um gol assim... É só notar, por exemplo, no lance, a má posição dos zagueiros ingleses e o buraco em frente da área do English Team.

Mas, a partir daí, como num passe de mágica, o futebol de “apenas” força e correria virou futebol de toque de bola, um-dois, “não está mais comigo”... E logo veio o segundo gol. Um golaço. A Inglaterra, também na base da camisa, mas “jogando como sempre e perdendo como sempre”, fez o seu gol no chuveirinho. Como mais poderia ser?

Com Gerrard mal posicionado e jogando muito pouco, Wayne Rooney e o resto da seleção mostrando o que não se joga nem no XV de Jaú, todo mundo mal distribuído, jogando mal e com lentidão, apenas o criticado Lampard (com razão, aliás) jogando algo, fica difícil. E é de se perguntar qual a função do técnico Fábio Capello e qual era o clima dentro da concentração inglesa durante a copa. Antes dos ingleses se animarem marcando 1 gol, poderiam ter levado 4 ou 5. Será que, como diz o Kaiser, o problema é a falta de títulos e de camisa? Ou é o que diz este analista, que os times europeus normalmente tem cartaz demais, para o que jogam de verdade?

Aí veio o Larrionda, que é um bom juiz, e seu erro catastrófico! Será que ele acha que o Uruguai, em uma eventual final, vai se dar melhor contra a Alemanha? Bem, a bola entrou quase meio metro, mais precisamente 33 cm. Era o segundo gol da Inglaterra, o gol de empate. O gol que não entrou em 66 e foi dado, agora, mesmo tendo entrado, e muito, não aconteceu “de direito”. Irônica e tardia justiça. O cúmulo do absurdo, assim como, há alguns anos, os ingleses manipularam as imagens e ângulos do lance de 1966 para provar que o juiz não errou. Absurdo por absurdo, os ingleses ontem sentiram na pele, novamente, como é ser prejudicado pela arbitragem, coisa que os alemães e os palestrinos já conhecem faz tempo.

No segundo tempo a Alemanha mostrou a que veio, apesar de alguns sustos, como a falta batida por Lampard que explodiu no travessão, e a vontade inglesa inicial.

Mas, atenção, pretendentes ao título: ao jogar contra a Alemanha, saiam na frente. Caso contrário, a força defensiva Alemã é muito boa e o contra-ataque é um espetáculo, uma aula, um show, com dois ótimos meias e dois volantes que podem jogar como meias! E foi assim, pelos pés do jovem Özil, com seus poucos 21 anos, que a vitória tranquila da Alemanha foi construída. No terceiro gol ele não tocou na bola, mas chamou quatro defensores ingleses para a marcação, deixando livre o espaço para o gol feito por Müller, em passe de Schweinsteiger, o volante hábil, segundo melhor em campo. No quarto gol, Özil ganhou na corrida, levantou a cabeça, entrou na área e, como se estivesse treinando, esperou a passagem de Müller que, de novo, estufou as redes dos britânicos. Contra-ataques que devem ter durado uns 15 – 20 segundos da saída de bola ao gol! Impressionante! E mais eficaz e germânico impossível!

E assim, lá se vai mais um que sempre é favorito (ao menos para os ingleses) e sempre cai cedo. Será que dessa vez, com a Espanha, outro “favorito” que nunca confirma favoritismo, será diferente?

Dessa forma, fica mais um que sempre chega com desconfiança e, se deixarem, levanta a taça. Aliás, não se sabe por que, diga-se, além de jogar bem, a Alemanha sempre chega longe, sempre. Alguém aí se lembra quando foi a última vez que a Alemanha ficou fora do grupo dos 8 melhores? Em 1938. Faz tempo, muito tempo. Até o Brasil já deu sua pixotada vergonhosa em 1966, embora naquela copa fosse necessário que o Brasil caísse fora, como em 1978.

God, save the Queen! Não salvou! (Ninguém salvaria a Inglaterra). Quem se salvará dessa Alemanha de hoje? Vai que é tua, Argentina! E depois, quem sabe, o Brasil!

Crédito da foto: UOL.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

O DIA "DELES"

Por Vanessa Michelin

..."Deles", os árbitros. Demorou, mas chegou. A arbitragem da Copa já dava mostras de que uma hora poderia causar um desastre. O gol absurdamente mal anulado dos americanos contra a Eslovênia, a pancadaria da Costa do Marfim e o gol de Luis Fabiano que, claramente, usou as “asas” pra ajeitar a bola; foi só o começo. O segundo dia de disputas das oitavas de final, aliás, dia de gala com um dos maiores clássicos da história do futebol mundial, acabou manchado pelos homens do apito com erros gigantescos e indiscutíveis. O único alento é que o mundo verá Alemanha x Argentina na próxima fase, duas seleções fortíssimas e candidatas ao título, que vêm mostrando muita qualidade técnica. Inglaterra e México deram adeus à Copa, e dois trios de arbitragem também. Arrivederci, vaya con dios, suas bestas!

Desde muito tempo se discute o uso de ajuda eletrônica nos jogos de futebol. Uso que já acontece em outros esportes, como o tênis, há algum tempo. A diferença é a dinâmica entre essas duas específicas modalidades. Independente das dificuldades, ou não, em se implantar o uso desse recurso, um “olhar eletrônico” teria ajudado demais Inglaterra e México. Mas sejamos justos com os juízes e auxiliares, é difícil. Certos lances são quase impossíveis de se ter uma opinião concreta. Só que... Para tudo! Uma mula acertaria os lances polêmicos desse domingo. É Dunga, até você!

A cagada começou logo no clássico que reeditava a final de 66. Inglaterra, que na época levou seu único mundial com um lance polêmico – um gol validado que, até hoje, acarreta discussões se a bola entrou ou não (e não entrou) –, contra a Alemanha que sempre entra forte nas Copas, geralmente com força física e incrível disciplina tática. Agora acrescente a esse time uma grande capacidade técnica e terá, em minha opinião, a melhor seleção da Copa até agora. Já os ingleses, que tem a liga mais forte do mundo, ficaram com a fama só no papel. Gerrard apareceu no primeiro jogo, Rooney não chegou à competição até agora e Lampard, esse sim, o único que não pode ser crucificado desse time. Sem contar a rivalidade histórica entre os dois países, herança da Primeira e Segunda Guerra Mundial. Isso faz com que seja um jogão, não é? E foi. Poderia, e deveria, ter sido tão simples.

A Alemanha começou voando, fez dois gols e aos 37 a Inglaterra achou o seu golzinho. Achou mesmo, simplesmente. Não fizera nada no jogo que justificasse uma reação. Mas então a partida mudou. Os ingleses ainda comemoravam o gol de Upson, que saíra com ajudinha do goleirão Neuer, quando Lampard mandou uma paulada da entrada da área. A bola explodiu no travessão e entrou... Entrou muito! Só duas pessoas não viram: Maurício Espinosa e Jorge Larrionda. O lance foi comparado a uma “vingança” germânica, já que em 1966 o English Team levou o caneco contra a Alemanha num gol em que a bola bateu na linha, mas não entrou. É, que “coincidência” desastrosa para os comandados de Capello. Um castigo que não era deles.

No outro jogo, outra favorita a levar a Copa do Mundo. A Argentina de Messi contra o México, que adora umas oitavas de final. Adora tanto que sempre fica por lá. Já são cinco Copas seguidas em que a seleção da terra do Ligeirinho fica nas oitavas. Na Copa passada foi eliminada pela mesma Argentina. Mais uma coincidência de Copas anteriores, mas dessa vez sem castigo para o vitorioso em questão. Castigado foi o pobre México. Jogavam melhor, já haviam metido uma bola na trave do horroroso goleiro argentino, quando de repente... Lance confuso na área mexicana, Messi tenta por cobertura e Tevez cabeceia entre os dois marcadores pra fazer o gol. Tudo certo, não é? Não! Carlitos, o muso argentino, estava tão impedido que até mãe dele, aquele pobre coitada, anularia o gol. Menos Roberto Rossetti e o bandeira cagão, Stefano Ayroldi. Mamma mia Itália, vai me fazer merda até na arbitragem, cáspita!

Tirando isso, os dois jogos valeram o domingo. A Argentina se aproveitou do estrago psicológico que o gol irregular causou no México e venceu a partida sem grandes dificuldades. Mas jogou um pouco melhor que os mexicanos e é uma seleção muito mais forte. Provavelmente ganharia o jogo, independente do bom momento que vivia a equipe de Javier Aguirre, mesmo se o gol não fosse incorretamente validado. O mesmo se aplica à Alemanha. Aliás, os alemães jogaram demais. Lahm, Boateng, Khedira, o artilheiro Klose, Podolski, Schweinsteiger, Özil e Müller, além de dois zagueiros seguros e um goleiro que varia bons e maus momentos, fazem da “Deutschland” uma seleção fortíssima e surpreendentemente muito agradável de se ver jogar. A Inglaterra teve brio, mesmo no mau momento técnico, e acabou muito prejudicada, é verdade. Mas nada que tire o brilho da vitória alemã, no melhor jogo das últimas duas Copas. Um jogo que vou contar para os “meninos” daqui alguns anos, assim como tão bem faz nosso brilhante companheiro de mídia palestrina, Jota Cristianini do 3VV. É, eu vi a história dar o troco nos ingleses. Vi a bola entrar mais de 30cm no gol. Vi o desespero do excelente Frank Lampard. Já o juizão... Bem, esse não viu nada. Coitada da mãe dele, aquela p...

Crédito da foto: Reuters.

domingo, 27 de junho de 2010

E DEU GANA!

Por Marcel Castro

No jogo dos dois patinhos feios destas oitavas de final, deu Gana. Não foi novamente um primor de jogo, mas foi muito interessante.

No primeiro tempo, contrariando o pequeno favoritismo dado por todos à seleção americana, quem jogou foi Gana. O técnico Sérvio, da seleção ganesa, deu o primeiro golpe e colocou seis jogadores no meio de campo, marcou a saída de bola e acabou com o 4-4-2 conservador americano. Ganhou por completo o meio de campo e o jogo nos primeiros 30 minutos. Uma qualidade de Gana que ficou muito evidente nesse jogo foi a sua forte marcação. Gana, ao contrario de varias outras seleções africanas, marca bem e recompõe-se rápida na defesa.

Outra, é que sua defesa, embora baixa, não costuma dar tantas chances a pixotadas, como é comum em seleções africanas.

O primeiro gol de Gana foi um quadro dessas qualidades, pois quando está sem a bola, defende-se com 9 jogadores em uma linha de 5 e outra de 4. O adversário que faça o que quiser com a bola e construa algo. Parece defensivo e feio, mas não é, pois Gana também sabe tocar a bola, têm jogadores técnicos que tentam a jogada como o seu ala/ meia habilidoso, Andre Ayew, do lado esquerdo, Asamoa Jean, Prince Boateng... Falta a eles uma maior capacidade de definição e uma defesa mais alta. Discordo, portanto, do que se diz em geral em relação à seleção ganesa. Ela não é só força, tem técnica e tem, sim, boa disposição tática, fato importante no futebol atual.

Pois bem... Aos 4 minutos, em um lance que o paredão Ganes tomou a bola do volante Clark, a jabulani ofereceu-se a Prince Boateng na linha de meio de campo. O meia disparou à moda de Rivaldo, com uma pequena gingada para a esquerda que tirou a marcação, e com o espaço obtido, bateu rasteiro, forte e seco, no lado esquerdo do gol defendido pelo goleiro americano.
Prince Boateng ainda daria trabalho ao goleiro Howard nos minutos que se seguiram. Asamoah Jean bateu boa falta aos 18 e obrigou o goleiro a fazer defesa.

O jogo seguia assim, com Gana tocando a bola. E nesse ritmo Gana iria fazer o segundo gol a qualquer hora. Aí a resposta do técnico americano foi rápida.

Até os 30 minutos, os EUA foram completamente engolidos por Gana e seus 6 homens no meio de campo, além dos 3 zagueiros. Então, aos 30 minutos o treinador americano tirou o volante Clark e colocou um jogador mais técnico no seu lugar, Edu. O jogo tornou-se mais equilibrado. Aos 34, Fidley invadiu a área pelo setor esquerdo e bateu rasteiro. O excelente goleiro ganes, Kingston, defendeu com os pés. Minutos adiante, Asamoah Jean invadiu a área pelo setor esquerdo depois de tiro de meta de Kingston, obrigando Howard a defender, também com os pés.

No intervalo, o técnico americano colocou em campo o brasileiro naturalizado americano, Feilhaber, no lugar do atacante Bradley. Feilhaber, meia, abriria espaço na defesa ganesa, e juntamente com o craque Donavan e o dínamo Dempsey, criariam problemas aos ganeses.

No inicio do segundo tempo, Gana recuou e os americanos foram pra cima. Como esperado pelos americanos, a presença de 3 meias no campo (quanta diferença, né Dunga? ), iria trazer benefícios ao jogo americano... Quase um *4-2-3-1, com 3 meias ofensivos e um deles na ponta.

Com um minuto, Dempsey, o dínamo americano, toca para o lateral direito, que cruza rasteiro. Altindore, o sumido centroavante americano, faz o pivô e toca para Feilhaber que entrava pelo setor esquerdo. O goleiro Kingston salva Gana.

Os americanos pressionam. Aos 17, ótima jogada dos meias Feilhaber, Donavan e Dempsey pelo meio. Dempsey coloca a bola entre as pernas do zagueiro central de Gana, invade a área e é derrubado por Jonathan Mensat. O craque Donavan bate o pênalti e empata. Os EUA continuam a pressionar e Gana parece perder o fôlego. As chances se sucedem. Mesmo o apagado (na Copa) Altindore, criou duas chances, uma em passe de Donavan, que o goleiro Kingston dividiu no carrinho e saiu jogando como zagueiro, e outra em que recebendo lançamento longo e em disputa com o zagueiro, tocou a direita de Kingston, com perigo. E ainda criou mais uma ao encontrar o ala esquerdo americano de frente para o gol, para a defesa de Kingston.

O técnico ganes colocou então, o meia Addy no lugar do lateral/ala Sarpei. A situação de Gana melhora um pouco, o time retém um pouco mais a bola e os EUA diminuem o ritmo. O jogo vai para a prorrogação.

Aos 3 minutos, o habilidoso Andre Ayew, fez um lançamento longo para Jean, este, ganha de Bocanegra na corrida, mantém-se de pé (levou um tremendo tranco do capitão americano) e antes da chegada de Demerit, bate com força, estufando a rede. Gana 2x1...

Nos minutos finais, desespero. O time americano tenta desorganizadamente, e já sem perna, fazer o gol, mas a zaga ganesa defende a meta de Kingston com picardia.

Gana está classificada e vai pegar a Celeste Olímpica nas quartas. Segue no seu sonho, para a descrença de muitos analistas. A boa e briosa seleção americana pode voltar para casa tranquila, consciente de que fez bons jogos e que orgulhou seu país.

*4-2-3-1, tem sido o esquema de jogo preferido nesta Copa do Mundo.

Créditos da foto: Getty Images.

E A FESTA É EM MONTEVIDÉU

Por Renata Niemand

Eu sei que apostei que o Uruguai não sairia da primeira fase, mas, como iria imaginar? A Celeste, que penou para se classificar (na repescagem, contra a Costa Rica, 1x0 fora e 1x1 em casa), dava mostras de que continuaria na mesmice das últimas duas décadas. Na última vez que o Uruguai se classificou para as oitavas, e ficou por aí mesmo, Nelson Mandela ainda comemorava sua liberdade, em 1990 – a última Copa em que o Uruguai venceu um mísero joguinho, até a atual, claro. O último 4º lugar, melhor posição que conseguiram nos últimos sessenta anos (em duas ocasiões: 1954 e 1970), foi há tanto tempo que quem tem menos de 40 anos nunca viu. Além disso, depois do título de 1950, o Uruguai não participou de 6 Copas, ficou na primeira fase em 3. Além de 1990, também disputaram as oitavas em 1986. O pessoal de Montevidéu deve estar comemorando, e com razão, porque quem tem menos de quarenta anos nunca viu sua seleção de futebol ir tão longe na Copa do Mundo.

Como adversário, o Uruguai tinha uma das, se não for A, mais bem sucedida seleção asiática de futebol. Não tem o mesmo histórico que o a Celeste e suas duas estrelas, mas vale lembrar que participou de todas as Copas desde 1986, conseguindo o 4º lugar em 2002.

E o jogo foi decidido nos erros dos dois times, e no talento camisa 9 uruguaio, o fominha Suárez.

Aos 7 do primeiro tempo, após Chu-Young assustar os uruguaios com uma bela cobrança de falta que bateu na trave, foi a vez dos sul coreanos assustarem o próprio time. Forlán cobrou falta, a bola cruzou a área toda, contendo sete coreanos (mais o goleiro) que ficaram olhando a bola passar, enquanto Suárez ficava livre na segunda trave para marcar o primeiro gol. Aliás, essa zaga sul coreana parece adorar ficar olhando a curva da jabulani...
No finalzinho do primeiro tempo, o juizão com cara de quem não tem dormido muito deixou passar um pênalti claríssimo a favor do Uruguai. Em bela jogada de Pereira, que deu um chapéu e ficou na cara do goleiro dentro da área, um coreano resolveu interceptar a bola com a ajudinha de um braço, ô beleza...

E já que o Uruguai perdeu a chance de aumentar o placar, recuou no segundo tempo e não se aproveitou da vantagem para pressionar a Coréia e conseguir uma folga ainda maior, a defesa celeste resolveu dar uma emoção a mais para a partida. Foi assim que, aos 22 do segundo tempo, numa cobrança de falta coreana com “todo mundo” dentro da área, um uruguaio ainda ajeitou a bola na cabeça de Lee Chung Yong que, numa trombada com Lugano e o goleiro uruguaio, que saiu mal, acabou levando a melhor e deixou os defensores celestes procurando borboletas.

Tudo igual, então os uruguaios precisavam correr. Foi assim que, aos 35 do segundo tempo, Suárez, que já tinha feito gol e dado trabalho para o goleiro coreano, ficou novamente sem marcação na área em cobrança de escanteio. Oito coreanos na área e nenhum marcando o homem do jogo... A sobra ficou com ele, então os coreanos até tentaram correr, mas o atacante, em belo chute, encaixou a bola no outro canto do gol. Ela ainda bateu caprichosamente na trave antes de entrar. Belo gol, gol da classificação histórica. Os coreanos até assustaram novamente, após mais um apagão uruguaio já no fim do jogo, mas a vaga é da Celeste, a festa é em Montevidéu. E eu confesso que tenho uma implicância sem tamanho com um tal de Lugano aí, mas mesmo assim é bom ver os uruguaios, “pais” da Copa do Mundo e primeiros campeões, conseguindo um bom lugar. O próximo adversário é Gana, que passou pelos Estados Unidos nas oitavas. Não ouso apostar, tendo em vista meus trágicos palpites até agora, mas se a Celeste “aprender” a defender bem no mesmo jogo em que busca gol, pode vir uma semifinal que os uruguaios não vêem há exatos 60 anos. Mas antes é preciso avisar a defesa de Gana.

Créditos da foto: GE.