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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A DERROTA DOS INCOMPETENTES, IRRESPONSÁVEIS E EMOCIONALMENTE DESCONTROLADOS NÃO PODE MATAR O GRANDE CAMPEÃO.

Sei de muita coisa que não vi. E vós também. Não se pode dar uma prova da existência do que é mais verdadeiro, o jeito é acreditar. Acreditar chorando. Esta história acontece em estado de emergência e de calamidade pública. Trata-se de livro inacabado porque lhe falta a resposta. Resposta esta que espero que alguém no mundo me dê... (A Hora da Estrela – Clarice Lispector)


Quando homens, que “tem tudo na mão” para alcançar um objetivo, fracassam em sua própria ignorância, orgulho, prepotência, insensatez e falta de pulso para terminar o bom trabalho iniciado, não há como falar daqueles que atrapalharam com atitudes desonestas. Como vou falar de quem empurrou, sendo que possivelmente não seria necessário nada disso para a queda?

É claro que essa história está carregada de acontecimentos escusos, suspeitas, gente levando a melhor na mão grande explícita. Foi time cantando hino de outro time no vestiário do adversário, diretoria punindo os próprios jogadores em apenas uma partida, alegando possível recebimento de mala branca, emissora de TV cantando campeão quando certo time ainda nem estava próximo dos quatro primeiros, diversos erros escabrosos de arbitragem, “justiça” desportiva fazendo coisas pra lá de estranhas, enfim, deu no que deu. Mas como é que o Palmeiras vai reclamar? O que o Palmeiras fez para reagir quando começou a rolar precipício abaixo?

Devemos começar pelo que o Palmeiras fez quando tudo estava bem. O time poucas vezes foi realmente bom, essa é a verdade, mas teve um aproveitamento aceitável após a saída de Luxemburgo e (Quem?)rison. Jorginho conquistou a torcida e os jogadores, talvez fosse bom ter ficado já que explorava as características dos jogadores e em pouco tempo deu padrão de jogo para o time. Mas o Palmeiras queria algo grandioso e trouxe Muricy. Contratação comemorada, assim como a luta vitoriosa para segurar todo o elenco – a maioria dos “segurados”, nem imaginávamos, nos deixariam por contusões.

Mas o elenco não era de Muricy, era de uma mula que mal soube montar um time titular, que dirá um banco aceitável para o caso de jogadores importantes sofrerem lesões sérias. E assim foi: Muricy quis impor sua forma de jogo, que nada tem com as características dos jogadores disponíveis, além de precisar improvisar com péssimas opções. Fez o que já não ia muito bem piorar ainda mais, que o diga Diego Souza, que ficou devendo muito, mas também foi muito injustiçado. Para melhorar a situação, só foram contratados atacantes, e o time precisou foi de um meio de campo eficiente. O “craque do campeonato” e o “rei das assistências” mostraram que só conseguem bom resultado quando estão juntos, faltou alguém ali quando eles fraquejaram, faltou alguém ali quando eles faltaram, por um motivo ou outro. Um sozinho não conseguiu segurar o bom desempenho. E na maior parte das vezes a improvisação só soube piorar... A zaga? Mesma coisa. Os volantes? Ah, que falta o Pierre fez, que dor ver o Souza bancando o armador das ligações diretas, o Edmilson só errando passes e desarmes...

E o que falar da vinda de Vagner Love? Toda pompa, todo auê, todo o sacrifício, a festa, o dinheiro, para nada. Absolutamente nada. Ah não, o Palmeiras agora terá um time de futebol americano, enfim entendo aquele chute que era pra ser uma cobrança de pênalti contra o Flamengo. Não fez nada além de festa, foi pior que o desacreditado Obina, piorou ainda mais porque o time não ajudou muito também. Provavelmente perdeu logo o foco, já que veio para ganhar menos com o claro e único objetivo de ir para a Seleção Brasileira – nisso teve menos sucesso que os bons, mas instáveis, DS e CX. Fico imaginando que profissional aceita bem um colega que aparece, não para ajudar, mas para se promover, ganhando muito, não fazendo nada em troca e ainda recebendo todas as atenções e méritos, enquanto que os outros, responsáveis por levar o time ao topo mais alto, não receberam. Não que isso justifique alguma queda, mas desconforto sim.

E então, diante de tudo isso, de rumores de brigas, desentendimentos, rachas, desleixo, falta de responsabilidade e empenho por parte de muitos, falta de vergonha na cara por parte de tantos, desfalques letais, queda de rendimento dos principais jogadores, falta de reservas eficientes... O que a diretoria fez diante de tudo isso? O Palmeiras fez várias partidas de ruins para péssimas, mas não foi feito nada até o primeiro lugar no campeonato se perder de vez, até os jogadores começarem a falar besteira e se bater em público. Não se fez nada enquanto ainda havia a solução, e a desculpa é de que não se cobra de quem está em primeiro lugar. Errado, não se cobra de quem já não vai conseguir reação, não se cobra mais quando tudo está perdido mesmo, não se faz reunião apenas quando os jogadores resolvem vomitar tudo na imprensa, quando brigam em rede nacional. Não se faz retiro apenas quando os jogadores estão ameaçados de violência, porque preferem bagunça a responsabilidade, ou porque não souberam suportar a pressão. Isso não se faz por apenas um motivo: Para que perder tempo quando já não adianta mais? Para que perder energias, tempo e dinheiro depois que o prazo já passou? E ainda nem souberam fazer direito...

Embora não tenham trazido os resultados esperados, considero que as contratações de Muricy e Love foram empenhos de quem acreditou que isso traria algo melhor, ou talvez de quem quisesse ostentar poder quando sentiu a imagem ameaçada por uma estrelinha que foi embora de surpresa e um mercenário enfim demitido. É certo que a forma como vieram mostrou o amadorismo dos homens no comando. Certas informações são internas, não é apenas Marcos quem precisa saber disso.

Deu no que deu, não adianta falar muito, todo mundo sabe. Faltou que a diretoria terminasse o bom trabalho que começou, mas creio que acharam que já estava bom fazer pela metade. Faltou punho forte para cobrar no momento certo, e da forma correta. Faltou empenho, comprometimento de muitos. Assim como faltou coragem em outros. Sobrou boca aberta, sobrou falta de paciência para fazer as coisas da forma correta, sobrou individualismo, intolerância, arrogância... Todo mundo errou, talvez Pierre esteja isento. Mas não adianta crucificar o Diego Souza, o Cleiton Xavier, Obina, Maurício, sei lá quem mais... Esses erraram feio, mas todos erraram feio, inclusive o Marcos que teve papel fundamental no que aconteceu. E eu não vou fingir que não vi só porque ele é meu Ídolo. Ele errou, e foi ainda mais feio porque era para ser o exemplo, o capitão, mas não foi nada disso e jogou a toalha muito cedo, causou desentendimentos e desconfortos. Piorou o que já estava ruim, quando tinha o papel de ajudar a consertar as coisas enquanto havia tempo.

No começo do ano, com o profexô prometendo título brasileiro, não acreditei em nada, estava mesmo desiludida. Mas o Belluzzo, e a garra desse time, me fizeram acreditar. Porém, como já disse em outro momento ruim, garra não vence tudo, talento individual não vence tudo, é preciso mais. O que o Palmeiras conseguiu foi menos. Sobre o Belluzzo, bom, fez muita besteira, mas ainda é nossa melhor opção, sem nenhuma dúvida também fez muito bem. O problema é perceber que ele não é o “salvador da pátria”, só o Belluzzo não será suficiente para tirar o Palmeiras da poça de merda em que se encontra, até porque o Belluzzo também tem os pés um pouco sujos nessa mentalidade ridícula desse clube que não reconhece a necessidade de uma mudança na forma de agir, na forma de pensar, na forma de se organizar.

O tempo passa, os jogadores mudam, alguns diretores mudam, comissão técnica é outra, mas o Palmeiras continua na mesma merda há anos. Mais limpo, menos limpo, a sujeira é a mesma. Dizem que voltamos a ser competitivos, mas precisamos também vencer. E todo campeonato tem sido perdido da mesma forma nos últimos anos, não importando mudança de pessoas, elas não tem diferenciado muita coisa. O que evidencia um problema interno enraizado. Ignorar isso agora, e por a culpa só nos jogadores, falar de baladas, de brigas, de falta de empenho, é só tentar cobrir o sol com uma peneira. Há coisas piores, muito piores, acontecendo.

É nessas horas que percebemos: a expressão “muda Palmeiras!” ainda é necessária. O Palmeiras mudou, mas ainda não foi o suficiente. É preciso muito mais, e não apenas nos jogadores e comissão técnica. Quando as estruturas mudarem, os representantes também mudarão. É preciso fazer faxina, e faxina não é feita quando apenas limpamos as sujeiras mais evidentes. Porque assim não há limpeza real. É preciso arrastar as camas, os sofás, limpar dentro os armários, jogar muita coisa fora, conservar o que é bom, trazer o novo necessário. Só assim a casa estará limpa de verdade.

Citei “A hora da estrela” no início do texto. Naquela história, há uma moça vivendo de forma deprimente, mas acha que é feliz até que alguém a mostre uma perspectiva melhor, perspectiva essa que a faz perceber o quanto sua vida tem sido ruim. E nesse momento, na hora em que acredita em uma mudança revolucionária, essa moça morre, inesperadamente, atropelada, enquanto corre nas ruas sonhando com um futuro diferente de sua realidade. Ao pensar em Palmeiras sinto que fui atropelada, assim como Macabéa, bem no momento em que corria nas ruas na perspectiva de um futuro feliz.

Porém, o Palmeiras é muito mais que isso, o Palmeiras não é medíocre, não é deprimente, é muito maior que toda essa porcaria. E é preciso limpar toda essa mediocridade, toda essa sujeira, para que esses homens patéticos não matem o grande campeão. Não é possível que depois de tantas histórias de lutas, haja uma queda e sujeira sem fim. Não é possível que tudo o que foi feito pelos homens do passado seja perdido pelos sem noção do presente. E não adianta dizer que estou errada, que o Palmeiras é maior que isso e vai continuar grande. Acredito que vai continuar grande, mas se houver mudança enquanto ainda há tempo. Essa mentalidade de que não precisa mudar, porque o Palmeiras se salvará milagrosamente só pela sua grandeza do passado, é o que faz com que a verdadeira e necessária mudança não ocorra.

Há mais de cinqüenta anos, houve homens com coragem de mudar muita coisa para que o gigante não morresse, eles não esperaram um milagre vindo do céu. Esses homens reconheceram a necessidade de mudar até o nome, a identidade... E o fizeram porque tinham algo muito maior a manter, a preservar. Nós temos algo muito maior que essa mediocridade, essa soberba, essa disputa de poderes ridícula. E esse algo muito maior é o Palmeiras, que está morrendo aos poucos. Ainda há tempo, ainda há muita força, muita vida, muita vontade, muito amor. Não vamos deixar para depois.


O que escrevo (...) é minha obrigação (...). É  dever meu, nem que seja de pouca arte, o de revelar-lhe a vida. Porque há direito ao grito. Então eu grito. Grito puro e sem pedir esmola. (A Hora da Estrela – Clarice Lispector)

Grito sim. Grito para salvar-lhe a vida: MUDA PALMEIRAS, AINDA HÁ TEMPO!

domingo, 6 de dezembro de 2009

SALVEM NOSSO PALMEIRAS DESSA MERDA TODA

Não adianta eu dizer que estou com vergonha, porque não estou. Vergonha é pouco. Indignação? Pouco. Repulsa? Menos ainda. É tudo muito pequeno pra explicar o que eu estou sentindo. Tristeza também não, eles não merecem. Ninguém merece dali, absolutamente ninguém. A Sociedade Esportiva Palmeiras, por Deus, não merece isso! A direção mudou, não é mais arcaica e corrupta. É atrapalhada e amadora. A comissão técnica também mudou. O ultrapassado mercenário filho da puta deu lugar a uma mula teimosa e retranqueira. Os jogadores, esses sim, mudaram muito. No começo dos anos 2000 nos acostumamos a ver um time de jogadores medíocres. Desde 2006 vemos um time de jogadores vagabundos. A torcida, que deveria mudar, não mudou. Continua apaixonada e sofrendo por quem não merece. Sofremos sem recompensa.

O jogo de hoje, esqueça. Pouco me importa. Essa partida foi como chutar cachorro morto. O nosso futebol dá nojo não é de hoje. Aliás, nosso não, esse aí não é o nosso Palmeiras. Esse aí não merece ser chamado de Palmeiras. Essa camisa é pesada demais pra sustentar uma merda dessas. Uns merdas desses. De cabeça quente ou não, a verdade é que dá vontade de mandar todos embora. Rua para todos esses escrotos. Embora saibamos que não é assim, que não pode ser assim. Só que o torcedor tem direito de sonhar. O torcedor tem direito de querer acordar desse pesadelo.

Parabéns a quem torceu, como eu, para uma equipe medíocre e perdedora. Você torcedor, e falo de torcedor de verdade, não de marginal, você é o único inocente. Você é o único que merece o Palmeiras, a instituição, não o time. Não valeu a pena. Não é o Muricy o culpado. É o Muricy, o Luxemburgo (mais que o Muricy), o Caio Junior... Todos eles, uns famosos, outros não, todos incompetentes. Todos os mais de 100 jogadores que vestiram nossa camisa nesses últimos anos. Todos os diretores, os honestos e desonestos, todos têm culpa. Não é agora que nossa derrocada se acentua. O buraco é mais embaixo. O nosso poço é bem mais fundo. Há coisas no Palmeiras inexplicáveis. Você que é pai ou mãe, explique para o seu filho que o Palmeiras já foi grande. Explique que, apesar de tudo, continuará sendo grande. E tente, se conseguir, explicar que tem gente querendo destruir essa imensidão, o porquê não se sabe.

Tudo importa para essa gente, menos o Palmeiras. E tudo isso não importa para nós, só nos interessa o Palmeiras. E é por isso que eu posso ficar tentando manter a calma e a educação até amanhã, mas não conseguirei. Peço sua licença agora para mandar o único recado possível para os jogadores, comissão técnica e diretores:

VÃO TOMAR NO CU, SEUS FILHOS DA PUTA!

Salvem o meu Palmeiras, o nosso Palmeiras, pelo amor de Deus! Quem quer que seja, nos ajude. Chega, eu não aguento mais! Em 2010, se quisermos um recomeço, teremos que ter um final digno. Em campo não teve. Fora dele terá que ter. Uma faxina, com água sanitária e tudo o que tiver direito, limpar essa imensa poça de merda ali dentro. Tudo o que é imundo e indigno do Palmeiras, que aqueles poucos que amam de verdade esse time façam algo para acabar com isso. Que marginais sejam presos. E chega desse ego enorme, dessa necessidade incontrolável de aparecer e falar mais do que deve. A culpa é de todos. Uns mais, uns menos, mas todos. E quem sofre somos nós. De novo e sempre.

Créditos da foto: Uol Esportes.

domingo, 29 de novembro de 2009

DIEGO E LOVE DESENCANTAM E PALMEIRAS SEGUE RESPIRANDO

Vencer tornou-se algo tão fora de prática que quando isso acontece parece que tudo muda. Se está nublado o céu abre, e se não abre aprendemos a gostar da chuva. Noutros dias até o sol atrapalhava. Há dois anos, última rodada, o Palmeiras de Caio Junior, sem Valdivia, precisava vencer em casa o Atlético-MG, que já não tinha mais nada para almejar no campeonato. A vitória garantiria a vaga palmeirense na Libertadores. Era tão certo quanto 2 + 2 são 4. Perdemos. Agora os dois times brigavam pela vaga na competição mais importante da América do Sul. Novamente jogo decisivo no Palestra Itália. Hoje a história foi diferente. Os mesmos 3 x 1, mas o azar mudou de lado. Um consolo para um final trágico. Um importante passo para um recomeço tardio. Mas antes tarde do que nunca. 

O torcedor viveu dias difíceis. Alguns jogadores e membros da comissão técnica também. Havia uma nuvem negra pairando sobre a Academia de Futebol. Ciente disso, Muricy levou seus comandados para Itu. Muito treino e concentração. Hoje o torcedor, desconfiado e machucado, compareceu em grande número para ver a volta de Cleiton Xavier e Maurício Ramos, ambos ficaram fora por contusão durante um bom tempo, justamente quando começou nossa decadência acentuada. Já sem Obina, Vagner Love foi o único no ataque. E sem Pierre, suspenso, Edmilson voltou à titularidade. Wendel foi a principal novidade na equipe titular, ganhando uma vaga na lateral esquerda. Estava tudo pronto para uma batalha decisiva, de vida ou morte. Uma derrota significaria um adeus à Libertadores e uma vitória um leve flerte com o outrora tão vivo sonho do título.
 
Sem muito tempo para se ajeitar na arquibancada, ou no sofá, o palmeirense viu uma bela troca de passes entre Love, Diego e Sacconi parar nos pés de Cleiton Xavier. Pouco mais de um minuto de jogo e o Verdão abriu o placar com o camisa 10 que há tanto não jogava e não marcava. A partir daí o Galo saiu para o empate, deixando os contra-ataques à nossa mercê. Mas antes que pudéssemos nos aproveitar deles, Diego Tardelli, o que único que não poderia ficar livre, ficou e empatou a partida. Sem pânico, nem deu tempo para isso, e eis que aconteceu um momento especial, daqueles que os torcedores que lá estavam vão contar para os filhos, netos, bisnetos. Vagner Love apostou na velocidade e dividiu a bola com o goleiro Carini fora da área, perdeu a dividida, mas a bola sobrou para Diego Souza que sem a deixar cair, do meio de campo, fez uma obra-de-arte. Sem-pulo, de primeira, por cobertura, um golaço, o mais bonito do campeonato! Um gol histórico!

Mesmo antes de acabar a primeira etapa, o resultado seria definido. Finalmente Vagner Love desencantou. Mais um belo passe de Sacconi, que jogou tão mal no Sul e hoje se encaixou tão bem na equipe. Love recebeu na área, bateu sem dificuldades e ampliou o marcador. Enquanto o jogo corria, a torcida viajava em universos paralelos. Em jogos paralelos. No Serra Dourada as bichas começaram ganhando, não muito tempo depois tomaram o empate (e que golaço do Victor) e a virada. Em Campinas, o clássico das favelas. Gambás vestindo a “camisa dos procurados”, ou seja, os próprios torcedores, e Flamengo sem precisar sofrer muito, já que o time sem estádio estava afinzaço de entregar. Zé Roberto marcou, o comedor de travecos pediu pra sair, e a palhaçada estava toda armada. No nosso jogo o juiz apitou o final do primeiro tempo.

Volta do intervalo sem alterações no Verdão. Do lado do Galo as entradas de Ricardinho e Corrêa poderiam dar um ânimo a mais para equipe. Poderiam. Eles tentaram, chegaram, mas não saiu disso. O Palmeiras, com calma, administrou. Maurício Ramos e Cleiton Xavier saíram, ainda bem que dessa vez não por contusão, mas sim pela volta depois de longo tempo de molho. Os dois já não se aguentavam mais em campo. Enquanto o Atlético tentava e batia muito, o Palmeiras continuava levando o jogo sem grandes sustos. Na arquibancada o clima estava mais quente. Três gols saíram no Serra Dourada, sendo dois do Goiás, que venceu as borboletas tricolores por 4 x 2. No Brinco de Ouro as virgens da América abriam as pernas para o Flamengo, ainda com teatrinho de roubo e o escambau. Outros dois jogos que nos interessavam não tiveram um final feliz para nós. O Cruzeiro, que começou perdendo, lotou o Mineirão e goleou o Coxa. Já o Xpó, rebaixado, também abriu o placar, mas cedeu a virada para as Coloridas do Sul. 

Antes da partida terminar, o Galo ainda perdeu um jogador expulso. E foi isso. A se destacar a bela partida de Wendel, improvisado, e também de Edmilson, que apesar dos pesares, há muito tempo não fazia um jogo tão seguro como hoje. O destaque negativo fica para o protesto fora de hora de uma torcida organizada que formou um mosaico com a palavra “vergonha” antes do início da partida, só pra “incentivar”. E agora o bicho vai pegar. Última rodada de arrepiar os cabelos, tanto de quem disputa o título e a vaga para a Libertadores, quanto daqueles que sofrem com o fantasma do rebaixamento. Lá em cima Flamengo, grande favorito, Inter, Palmeiras e São Paulo, respirando com ajuda de aparelhos, sonham com o caneco, e o Cruzeiro com a vaga para a Libertadores. Lá embaixo, Fluminense, Coxa, Botafogo, nosso adversário no Engenhão, e até o Santo André, lutam pela sobrevivência. Quem viver verá. 


Créditos da foto: Terra.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

E AGORA, O QUE PENSAR?

Queria eu poder responder. Não sei. Ainda está difícil de assimilar, de acreditar, mas aconteceu de verdade. Empatamos com o lanterna em casa. Fizemos um primeiro tempo de dar dó, digno de último colocado... da série B. Jogava pela direita, era uma avenida, pela esquerda, uma avenida, pelo meio, uma avenida. Por onde se quer que olhasse havia espaço. Havia bate-cabeça, desorganização, falta de orientação. É amigo, seria cômico se não fosse trágico. E agora, acabou? Eu queria dizer que não.

O torcedor é um capítulo a parte. Às vezes injusto às vezes incrível. Eu não sei se eu teria essa força pra torcer se estivesse lá. Gritaram, apoiaram, cantaram, sofreram e quase jogaram com o time. Se tivessem jogado fariam um papel melhor do que os jogadores no primeiro tempo, pois teriam determinação, amor.

No segundo eles tiveram. Tentaram e lutaram como nós lutaríamos. Mas eles não sofrerão como nós estamos sofrendo agora. Sacconi fez um belo gol. Danilo deu uma esperança a mais. Mas o tempo, que bendito foi contra o Colo-Colo em Santiago, foi maldito hoje. Não vou nem reclamar dos poucos minutos de acréscimo, porque foram poucos, porque estou no meu limite. Cansei.

A verdade é que não há muito o que escrever. Não há muito o que eu possa escrever. Só consigo pensar que eu acreditei. Eu acreditei. Você também, não é? Acho que me sentiria melhor se não tivesse acreditado. E ainda melhor se soubesse que mesmo com toda essa merda eu não iria mais acreditar daqui pra frente. Se eu disser que não, estarei mentindo. Eu vou torcer, eu vou acreditar e muito provavelmente vou sofrer ainda mais por isso, mas foda-se.

Eu prefiro me iludir do que ter vergonha do meu time, como alguns tem. Eu não tenho vergonha, não mesmo. Eu sou Palmeiras, fui Palmeiras quando perdi o Mundial, quando perdi a Libertadores, fui ainda mais quando caí, e agora, que estamos por pouco de perder um Brasileirão, eu vou me envergonhar? A vida continua, sempre continuou. O Palmeiras continua. E infelizmente, essa noite também vai demorar pra acabar.

Créditos da foto: Gazeta Press.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

UM MISTÉRIO CHAMADO OBINA - UM LÍDER CHAMADO PALMEIRAS


A vida é um mistério. De onde viemos, o que somos, para onde vamos e... Vamos mesmo para algum lugar que não seja apenas debaixo da terra? Mas esse não é o maior mistério de todos. Uns acreditam, outros duvidam, mas nem a ciência prova a maior questão de todas: quem é Obina? Por que ele é capaz de decidir o jogo mais importante e desaparecer no mais inexpressivo? Como ele pode dar um passe lindo de calcanhar num jogo e tropeçar na bola em outro? Por quê, Obina, por quê? Outro fato misterioso assolava as alamedas verdes do Palestra Itália: onde estaria o futebol do líder? Iríamos perder a liderança? Essas duas foram respondidas.

Expectativa de público pequeno por conta da fase, do ingresso caro, do horário do jogo e ainda de última hora a companheira mais conhecida dos paulistanos, a chuva. Choveu, o ingresso continuou caro, a fase ainda era ruim e o horário absolutamente horrível. Mas a torcida foi. Se não lotou, fez uma festa linda. Apoiou, vibrou, cantou, foi um jogador a mais em campo. Uma torcida raçuda que teve reflexo em campo. Um time visivelmente nervoso, angustiado, ansioso pelo resultado, pelo gol, pela vitória... mas com uma disposição incrível desde o primeiro minuto de jogo até o último. E o Goiás, que tem um ótimo time, rebateu e criou perigo. Jogo lá e cá durante quase toda a primeira etapa. Nossa vantagem foi uma bola na trave. Maldita bola na trave. Em cobrança de falta de Diego Souza com extrema categoria, chute colocado, no ângulo... No travessão.

Vantagem mesmo foi a saída de Edmilson, graças ao bom Deus e a Santa contusão na coxa. Abençoada seja essa coxa, merece um altar. Sem ele Sandro Silva entrou e mexeu com o jogo. O Palmeiras passou a dominar a partida, Sandro foi útil na marcação, importante no ataque e deu mais liberdade e tranquilidade ao menino Souza. Faltava pouco para o gol sair. O torcedor pensou: “só falta sair o Obina”. Essa é a prova: o Homem está certo. Ele é o técnico, nós os torcedores, cada qual com seu cada qual. Por isso ele ganha uma bolada por mês e nós pagamos uma facada em ingressos e pay-per-view. Porque nós tiraríamos o Obina, ele não.

Não houve mudanças no intervalo, Obina estava lá, de volta ao gramado do Jardim Suspenso, que mais parecia um tapete. O segundo tempo começou e o show também. Pouco mais de 4 minutos jogados, Souza brigou e conseguiu a bola no meio campo, deu um passe milimétrico para Obina que bateu forte, sem chances para Harley. A porteira abriu, mas aos poucos. O Goiás pressionou, tentou o empate, embora o tempo todo parecesse que o Palmeiras estava mais próximo do segundo gol do que o time do Centro-Oeste de empatar. Os minutos passaram, chances foram desperdiçadas, a mais clara delas com Ortigoza, e a rede não voltava a balançar. Até que Diego disputou de cabeça, a bola sobrou para o paraguaio guerreiro na área e ele sofreu pênalti de Rafael Tolói, que já tinha cartão amarelo, mas não levou, erradamente, o segundo. Sem problemas, ele acabou sendo expulso depois mesmo. Agora a cobrança. Obina na bola. Bola no gol.

O Palmeiras fez uma partida excelente, mas os últimos 20 minutos foram mais do que isso, foram impecáveis. O gol de pênalti sacramentou a vitória, mas não definiu o placar. Ortigoza, muito aplaudido, deu lugar à Deyvid Sacconi. O camisa 26 entrou para jogar pelo meio, enquanto Diego foi adiantado ao ataque. Pouco tempo depois de entrar o meia recebeu um lindo toque de calcanhar de Obina e finalizou com perfeição. E teve mais. Ganha a liderança quem adivinhar de quem foi o quarto gol. Exatamente palmeirense, Obina. Parabéns, você é o líder! E o passe foi de quem? Marcão. Como diria Roberto Avallone: parem as máquinas! O zagueiro-lateral-cabeça-de-bagre teve muita visão ao lançar Obina, que com calma e classe fuzilou o gol esmeraldino. A bola caprichosamente bateu na parte interna da trave e correu para as redes. Goleada, quem diria.

Realmente, eu repito: quem diria? Com três gols de Obina, passe de calcanhar, sem tomar gol, absoluto no jogo. Esse foi o Palmeiras que vi contra o Goiás. Esse é o Palmeiras que eu quero ver sempre. Esse é o espírito que eu quero ver contra a raça lazarenta da marginal sem número. Raça, determinação, vontade. E qualidade, pois sem ela não seriamos líderes há tanto tempo. Agora tirem as crianças da sala. Bambis líderes? Só se for na casa do caralho! Bom halloween para todos os palmeirenses, dia de doces ou travessuras. Aproveite porque voltamos a assustar os adversários. Descanse porque domingo é a nossa final. Vem gambá, vem!



Créditos das fotos: Marcelo Pereira/Terra. 

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

QUE AS PALAVRAS SE EXPLIQUEM POR ELES

soberba

(ê) sf (lat superbia) 1 Altura de coisa que está superior a outra; elevação, estado sobranceiro. 2 Manifestação ridícula e arrogante de um orgulho às vezes ilegítimo. 3 Altivez, arrogância, sobrançaria. 4 Orgulho, presunção. 5 Teol Um dos sete vícios capitais. Antôn (acepções 2, 3 e 4): humildade.

falta de dedicação
sf (lat dedicatione) 1 Ação de não se dedicar. 2 Qualidade de quem não se dedica.

desrespeito
sm (des+respeito) Falta de respeito; desacato, irreverência.

ânus
sm (lat anus) 1 Anat Abertura exterior do reto, que dá saída às fezes.

merda
sf (lat merda) ch 1 Excremento. 2 Porcaria, sujidade. 3 Coisa sem valor. sm ch Sujeito sem préstimo. interj ch Indica repulsão ou desprezo.

vendido
adj (part de vender) 1 Que se vendeu; que foi comprado; adquirido por venda. 2 Enganado, logrado, traído. 3 Peitado, subornado. 4 pop Corrompido; transviado. 5 Contrafeito, contrariado. 6 Espantado, esquivo. 7 Tolhido, vexado, constrangido. sm Aquele que se vendeu. Ficar vendido: ficar espantado ou desapontado por qualquer sucesso que não se esperava.

desamor
sm (des+amor) 1 Falta de amor; aborrecimento, desafeição, desapego, desprezo. 2 Crueldade. Antôn: amor, afeição.

incompetência
sf (in+competência) 1 Falta de competência. 2 Inabilidade. 3 Dir Qualidade de um juiz ou tribunal que não tem competência para conhecer de um processo.

desonra
sf (des+honra) 1 Falta de honra. 2 Perda da honra. Var: desonradez.

desgosto
(ô) sm (des+gosto) 1 Ausência de gosto ou prazer. 2 Desprazer, mágoa, pesar, sentimento. 3 Aversão, desagrado, descontentamento, repugnância. Pl: desgostos (ô). Antôn: prazer, contentamento.

desespero
(ê) sm (der regressiva de desesperar) 1 Ato ou efeito de desesperar; desesperação, desesperança. 2 Aflição, angústia, ânsia. 3 Ódio, cólera. 4 Contrariedade, desprazer, aborrecimento. 5 Coisa insuportável ou que faz desesperar.

angústia
sf (lat angustia) 1 Espaço reduzido; estreiteza. 2 Carência, falta: Angústia de tempo. 3 Aperto de coração, estado de exagerada ansiedade. 4 Med Estenose. 5 Aflição, sofrimento

saudade
sf (lat solitate) 1 Recordação nostálgica e suave de pessoas ou coisas distantes, ou de coisas passadas. 2 Nostalgia.

medo
(ê) sm (lat metu) 1 Perturbação resultante da idéia de um perigo real ou aparente ou da presença de alguma coisa estranha ou perigosa; pavor, susto, terror. 2 Apreensão. 3 Receio de ofender, de causar algum mal, de ser desagradável. sm pl Gestos ou visagens que causam susto.

protesto
sm (der regressiva de protestar) 1 Afirmação categórica, compromisso solene; declaração que se faz publicamente da própria vontade; protestação. 2 Propósito ou resolução inabalável. 3 Declaração formal pela qual se reclama contra a ilegalidade de alguma coisa. 4 Escrito que contém essa declaração. 5 Dir Ato pelo qual se declara responsável por todas as despesas e prejuízos aquele que devia pagar uma letra de câmbio, nota promissória etc., e não o fez no vencimento. 6 Declaração enfática ou vigorosa, feita acerca dos próprios sentimentos ou opiniões.

esperança
sf (de esperar) 1 Ato de esperar. 2 Expectativa na aquisição de um bem que se deseja. 3 Aquilo que se espera, desejando. 4 A segunda das três virtudes teologais, simbolizada por uma âncora ou pela cor verde.

Créditos: Michaelis. 

domingo, 18 de outubro de 2009

CRAQUE SHOWBOL DO FLAMENGO FAZ ESTRAGO EM TARDE INFELIZ

Hoje deu medo. Muito medo. Pavor de um time que cria, mas não faz. De um time que chega, mas não dispara. De volantes... Esqueça os volantes, se não teremos que censurar o post. Deu tudo errado quando dava tudo certo. Mais uma vez os resultados cooperavam para uma arrancada, a vitória daria uma vantagem tão grande que poderíamos sentir o gélido metal da taça em uma de nossas mãos. E novamente falhamos horrores, demos a consagração para um sub-50, ex-craque, porque temos também um ex-jogador em campo, chamado Edmilson. Meu Deus do céu, San Gennaro, que falta faz o Pierre, nosso guerreiro!


O Palestra Itália lindo, entupido de gente, para ver o Palmeiras finalmente disparar na tabela. Mosaicos, bexigas, cantos de guerra, e nada, nada adiantou. O time começou melhor, pressionou, a bola passava perto e não entrava. Era uma vantagem enorme no número de finalizações. E o Flamengo, que nada fizera até então, se aproveitou do corredor pelo lado esquerdo da nossa defesa. Juan e Petkovic fizeram o que queriam, tabelaram, e o sérvio fez um bonito gol. Culpa do Edmilson? Sim, mas acrescente mais uns 5 nessa lista. Com a desvantagem o Palmeiras voltou com a pressão, para pelo menos empatar na primeira etapa, mas não foi possível. Impreciso.

No segundo tempo time sem alterações, mas voltou pior. Se na etapa inicial havia dominado o jogo e estava perdendo com certa injustiça, na final foi de doer. Nem chegar direito chegamos, até levarmos o golpe de misericórdia. Tire as crianças da sala! Eles tiveram escanteio, o craque showbol bateu, Wendel como num passo de balé deixou a bola, rasteira, passar por entre suas pernas e Marcos completou o serviço, lutando com a redonda como se ela fosse um frango fugindo do abate. Um gol ridículo. Repito: r-i-d-í-c-u-l-o! Muricy finalmente mexeu, como se a alteração fosse dar algum grande resultado. Ortigoza no lugar de Robert. Enquanto isso os volantes... Não, esqueça os volantes, simplesmente esqueça.

O que no começo do jogo foi um domínio que se transformara em placar injusto, no final foi um baile... Dos Urubus. Nem precisaram fazer muita coisa não, foi só deixar a bola no pé deles, aqueles que eu pedi pra esquecer. Já os meias, os craques badalados, onde estavam? O senhor correu quantos metros nesse jogo Sr. Diego Souza? Vamos lá, uns 30 metros a partida toda? E você Cleiton Xavier, ta fazendo o quê com o 10 nas costas, sendo que é agora que você tem que chamar a responsabilidade? E Muricy, por que não mexe nesse time!? Por que esperar 80 minutos para fazer o que se tem que fazer?

Se já estava ruim, ficou ainda pior quando o juiz marcou um pênalti... Para nós. Ortigoza derrubado na área. Vagner Love poderia iniciar uma reação a base da vontade nos últimos minutos. Poderia. Poder não é uma ação, é uma possibilidade. E nosso “poder” passou 50m por cima do gol, num chute medonho do camisa 9. Naquele momento o artilheiro do amor fechou a tampa do caixão. O jogo ainda correu por mais uns 5 inúteis minutos e acabou. São Paulo, Atlético Mineiro, Internacional e Goiás, você são extremamente incompetentes! Palmeiras, você é mais ainda! Mas que merda é essa?! Se não fossem os outros perebas essa liderança já não seria mais nossa. Em 9 pontos conquistamos 1. Isso é time que quer ser campeão? Nem esse, nem os outros atrás. Ou joga bola e reage ou talvez até seja campeão, levando em conta que a vantagem continua em 4, mas se for será por incompetência alheia. Eu não quero isso, eu quero essa taça por méritos. Os mesmos méritos que tínhamos há algumas rodadas atrás por ser líder há tanto tempo, hoje virou demérito dos adversários. Raça Verdão!

Créditos da foto: Uol Esportes.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Pelada patética entre Palmeiras e Náutico nessa segunda. Um jogo para esquecer que não sai da nossa cabeça

Por Renata Niemand

Ontem um amigo bambi fez a seguinte observação sobre o jogo de segunda entre Palmeiras e Náutico: “Poxa, nem o Palmeiras merecia isso... Com Marcão em campo já significa que está jogando contra 12, e ainda fica sem Diego Souza e mais da metade do time... Bom, isso é motivo pra adiar um jogo, time nenhum merece uma coisa dessas. Esse Marcão é tão bom que deve entrar em campo e ficar na dúvida sobre time para o qual ele joga”.


“Poizé”, o post de hoje poderia ficar por aqui. Até porque, confessemos, nenhum integrante desse blog conseguiu encontrar educação suficiente para escrever algo sobre esse jogo sem correr o risco de ser processado. Mas não ficaremos por aqui. Isso porque o Marcão não foi o único integrante do show de horrores de segunda à tarde. Confesso que vi só dez minutos do jogo e vídeos de piores momentos. Mas foi o suficiente pra entender que “aflitos” éramos nós, torcedores do Verdão. Aliás, a natureza foi bondosa comigo e fez chover ao ponto de eu ter que passar a tarde “no escuro”. Sem poder ligar a TV ou o computador até os 33 minutos do segundo tempo, livrei-me de uma seqüência mortal de ataques cardíacos. Não sei o que é pior: ver para crer, ou ficar imaginando o que os jogadores do Palmeiras estavam fazendo para conseguir levar 3 gols do Náutico, e não fazer um sequer! A propósito, o Náutico merece os parabéns, pois mereceu muito essa vitória.


Sei que o time estava mutilado e não apenas desfalcado. Sei que temos um bom time titular, mas um banco que deixa muito a desejar. Sei também que tinha reserva do reserva em campo. Mas o que eu não sei é como um torcedor do líder isolado do campeonato pode suportar ver o Náutico, que com todo respeito é o Náutico, fazer 3 gols no seu time, que não esboça poder de reação.


Enfim, não vou contar aqui a “historinha do jogo”, ninguém merece ser lembrado daqueles gols. Não vou continuar reclamando que nosso pior resultado no campeonato foi contra o Náutico. Nem vou “cornetar” todo mundo que merece, porque o post ficaria grande demais. Apenas algumas considerações:


1: Quando eu era adolescente, me colocaram em um time de futebol para disputar um campeonato local. Poxa, eu mal sabia para que direção chutar a bola, mas me disseram que tudo bem, eu só iria compor o time. Então eu fiz merda, o técnico brigou. Até agora não entendo porque ele brigou comigo, a culpa daquilo não foi minha, por não saber nem chutar, mas sim de quem foi capaz de me dizer que quem não sabe jogar bola pode compor um time de futebol com pretensão de ganhar um campeonato.


2: O problema é ver gente capaz se escondendo. Os vários desfalques fizeram com que um empate contra o péssimo adversário fosse uma perspectiva ótima de resultado. Mas isso não pode esconder o fato de que lá no meio existia titulares e reservas muito capazes, que apesar de muito prejudicados, poderiam ter feito algo para amenizar o desastre. Mas falar o que, se teve gente capaz de comentar um jogo que começou às 16 horas falando que foi uma “noite ruim”? Não é, senhor Cleiton Xavier?


3: Ainda acredito muito nesse título, desde que não tenhamos mais grandes desfalques até o fim do campeonato. Mas quem quer ser campeão necessita de um elenco bom e um time titular melhor ainda. Time titular bom, com reservas que não conseguem “segurar a barra”, só ganha campeonato no grito ou na zebra.


4: Dizem que esse campeonato está muito regular. Eu, por outro lado, penso que os times estão é muito irregulares. Ainda bem, porque assim nossos adversários diretos não fizeram merda nenhuma também nessa rodada. Ou melhor, também fizeram muita merda.


5: Domingo estamos em vantagem. Não, Adriano pode jogar sim... Ah, claro, Diego Souza e Vagner Love voltam. Mas estou falando mesmo é do nosso super, ultra, mega, master 12º jogador. Sim, aquele que se encaixa em várias posições: pode ser zagueiro, pode ser lateral esquerdo e, pasmem, até consegue se adaptar muito bem no ataque adversário. Deus abençoe o inventor da suspensão pelo terceiro cartão amarelo, quando é o adversário que sofre com isso nós podemos aproveitar bem.


6: Diego e Pirre, como vocês fazem falta... Aliás, se o Dunga tiver chamado o Diego apenas para dar aquela chance malvada, numa altitude de 3.600 metros, com direito a time desorientado... Ah, eu vou torcer é para a Argentina conseguir ir à Copa e tirar o Brasil com goleada!

domingo, 4 de outubro de 2009

VERDÃO DESPACHA TIME DE LUXA E JÁ COMEÇA A CONTAGEM REGRESSIVA

Torcedor afine a garganta, prepare o fôlego, porque falta pouco para berrar pra quem quiser ouvir “É campeão!”. São 11 rodadas, 33 pontos em disputa, sendo 18 deles em casa, e quem pega o Palmeiras? O Gayson, que falou na quarta que era pro Palmeiras se cuidar? Os “cholorados”, de Tite Bandeira? Pode chegar quem quiser, porque eu já estou fazendo as contas para o penta. Hoje entrará para a história como um dos principais jogos do Verdão no campeonato, assim como contra o Cruzeiro. O Palmeiras está se aproximando do fim de 15 anos sem vencer o nacional, graças às vitórias fora de casa. Graças à raça, à determinação, à força de vontade de um time com cara de campeão, com jogadores de campeão, com técnico de campeão, com diretoria de campeão e claro, com pontuação de campeão! Você vê alguém à sua frente? Eu não! 

Hoje foi mais um “Dia D” na campanha palmeirense no Brasileirão 2009. Clássico na Vila Belmiro, como sempre com público digno de uma torcida medíocre e arcaica. Com Muricy, o trabalhador, e Luxemburgo, o mercenário, frente a frente. Se vencesse, o fim de semana seria lindo para o Palmeiras. E que lindo ele está sendo! Muricy Ramalho optou por Obina – que deve perder a posição no próximo jogo, no ataque; Figueroa, que ganhou definitivamente a titularidade, na lateral direita e Maurício Nascimento substituindo o lesionado Maurício Ramos, ao invés de Marcão que havia sido cogitado durante a semana. No Santos a vaca continua se afundando no brejo. 

Primeiro Luxemburgo perdeu Fabão por contusão, depois Jorge Lucas, que não é aquele, pelo mesmo motivo. Isso tudo na primeira etapa. Nossas ações ofensivas mais perigosas aconteciam graças a chutes de fora da área, principalmente com Diego Souza. Sustos só pelas laterais, sobretudo pelo lado esquerdo da nossa defesa, onde Figueroa teve dificuldades para marcar Madson e Neymar, que caiam por ali o tempo todo. Ainda assim o Palmeiras parecia ter o jogo sob controle, apenas não chegava com efetividade. 

No segundo tempo o Santos começou melhor, tanto que marcou com Luizinho, batendo sem chance para Marcos. E daí? Somos mesmo o time da virada, porque temos jogadores que desequilibram (viu seu Luxemburgo!?), e sim, temos banco. A reação começou com Figueroa cruzando pela direita e Diego Souza aparecendo por trás da zaga santista, cabeceando para empatar a partida. A virada veio com mais uma jogada de Figueroa, passou por Vagner, que ajeitou para Diego driblar o zagueiro, chutar cruzado e Robert, que substituíra Obina, ser oportunista e virar o jogo. E o camisa 20 se firmou como um dos grandes nomes da partida. Em linda jogada iniciada por Diego Souza e Cleiton Xavier, Robert lutou até roubar a bola de Triguinho e meter uma linda caneta no goleiro Felipe, iria fazer o segundo. Ia. Vagner Love, o artilheiro fominha do amor, que adora marcar contra as sardinhas, chegou antes e meteu a bola para dentro da rede. 

E fim de papo! Se o campeonato continuar assim - e continuará -, o Palmeiras poderá entrar na justiça e pedir a patente da palavra “líder”. Já são 14 rodadas, com certeza serão pelo menos 15, e se tudo der certo serão 25 no final do Brasileirão. E para terminar o fim de semana feliz, com vitória em cima das sardinhas e derrota com direito a frango dos gambás, o Internacional levou 2 x 0 do Coritiba no Couto Pereira e viu o Verdão abrir 9 pontos, praticamente dando adeus à luta pelo título, assim como o Goiás que foi derrotado pelo Botafogo por 3 x 1 em pleno Serra Dourada. O Porco continua nadando de braçadas em direção ao caneco, seguido por Bambis e Galo no retrovisor. Quinta-feira tem Avaí no Palestra, hora de lotar e fazer uma linda festa. E claro, comemorar mais uma vitória de um time com cada vez mais cara de campeão.

Créditos da foto: Lance Press.

sábado, 26 de setembro de 2009

LÍDER VENCE DE NOVO E TEM GENTE QUE AINDA RECLAMA

Se prepare, pois será um post desabafo. Cansei, já chega, não agüento mais esses torcedores chatos, pra não falar coisa pior, que vêem defeito em tudo. Pra vocês, palmeirenses que vivem de “Chico”, que só sabem reclamar, escuta essa aqui: LÍDER, PORRA! São 13 rodadas, falaram que o tão do Gayson ia roubar nossa liderança, nós fomos a Minas, vencemos, e hoje mesmo com o time estafado e desfalcado, voltamos a marcar os três pontos. Dependendo da conclusão da rodada, poderemos abrir 7 pontos de vantagem para o segundo colocado. O que você quer mais?

Àqueles que lotaram o Palestra Itália mais uma vez, meus parabéns. Fizeram uma linda festa para receber o líder do Campeonato Brasileiro enfrentando o Atlético-PR, que precisava vencer para se afastar da zona de rebaixamento. E hoje entramos desfalcados de três titulares: Armero, expulso no ultimo jogo, Cleiton Xavier suspenso por três cartões amarelos e Wendel que levou uma “klebada” na mandíbula, além de Pierre, porque é humanamente impossível não sentir falta do nosso guerreiro. E quase tivemos mais um. Danilo não deveria jogar por conta de uma clausula no contrato que o impede de disputar uma partida contra o time que detém seus direitos federativos, no caso o Atlético. O Palmeiras, que fará valer o direito da compra do passe do zagueirão no final do ano, pagou uma multa de R$100.000,00 pra liberar o atleta.

Tudo estava pronto para mais um jogo do líder. Muricy escolheu Jumar, aquele mesmo, para jogar na vaga de Cleiton Xavier, e adiantou Souza para terceiro homem de meio-campo. E não é que Jumar entrou bem? Fez uma ótima partida em todos os aspectos. Quem não esteve nos seus melhores foi Diego Souza, nulo em campo. Mas a partida, suada, teve três destaques:

Figueroa – o lateral ex-Colo Colo já entrou numa fria daquelas lá no Mineirão na última quarta-feira, e deu conta do recado. Hoje, seu primeiro jogo como titular, encheu de esperança os palmeirenses que ainda morrem de saudades do grande Arce. Figueroa foi praticamente irretocável. Bem no apoio, seguro na marcação e letal nas bolas paradas. O chileno foi tão bem que fez mais do que a obrigação e anotou seu golzinho no final do primeiro tempo. O lateral se posicionou muito bem, recebeu belo passe de Danilo e abriu o placar. No segundo tempo ainda fez o cruzamento para o gol que selaria nossa vitória. Gol de quem?

Danilo – faz tempo que o Palmeiras não investia tão bem R$100.000,00. E foi apenas para colocar o zagueirão em campo. Valeu cada centavo. Valeu uma vitória. Primeiro Danilo teve um revés. Escanteio para o Atlético, bola cabeceada por Chico e desviada na cabeça do zagueiro. Gol de empate do Furacão. Eis que surge o xerifão. Danilo já havia dado um belo passe para o gol de Figueroa, ainda na primeira etapa, e foi retribuído pelo chileno. De novo um escanteio, mas agora para o nosso lado, e Danilo estava lá pra conferir. O zagueiro vibrou muito com o gol. E vibraria novamente, depois de começada a pressão do time curitibano. Edmilson bobeou e Wesley cruzou para Paulo Baier, praticamente livre, só rolar pra rede. Mas Danilo estava lá e comemorou a chance evitada como mais um gol em sua conta. Méritos que, além dividir com Figueroa, ainda tem que partilhar com um certo Santo milagreiro.


Marcos, aliás, São Marcos – contra o Vitória, o Santo foi só um goleiro, passível de uma grande falha. Contra o Cruzeiro a santidade começou a voltar. E hoje, ele, abençoado seja, estava lá, para garantir nossos três pontos. Uma linha na horizontal cobrindo o gramado sobre seus pés, dois postes, um de cada lado, e um travessão para fechar o retângulo. Uns chamam de gol, o abençoado chama de altar. Com uma força sobrenatural, inimaginável para alguém que teve tantas contusões e carrega pesados 36 anos nas costas. São Marcos fechou seu “altar” de todas as maneiras possíveis, e o Atlético não conseguiu transpor a milagrosa barreira. Puta que pariu, é o melhor goleiro do Brasil!

E foi assim que vencemos mais uma vez, que seguiremos líderes, independente de qualquer outro resultado nessa rodada. É assim que tem gente reclamando, ainda. Jogamos uma batalha na quarta-feira, em Minas Gerais, com chuva, com um homem a menos boa parte da segunda etapa, viramos o jogo, abrimos do vice-líder, tivemos que aguentar uma viagem de volta, noite mal dormida, apenas um dia de treino pra valer, jogamos contra um time descansado, vencemos, nos mantivemos na liderança e ta reclamando do que, babaca? Mais uma vez: LÍDER, PORRA! Enxergue um palmo à frente do seu nariz, veja a tabela, tenha vergonha de ser tão estúpido. Aqui é Palmeiras! Honre seu time. Honre o líder!

Créditos da foto: Eduardo Viana/Lance Press.