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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Quando o Palmeiras me faz chorar

No início de 1993 eu tinha 5 anos. Era apaixonada por futebol, sobretudo pelo Palmeiras, na medida em que uma menina de 5 anos pode ser. Uma prima, típica torcedora da camisa do Jardim Leonor, me convenceu de que Palmeiras jamais havia sido campeão. Na minha inocência, acreditei. Na minha inocência, considerei a sugestão de virar a casaca. Perdi a inocência vendo meu pai chorar ao tentar me explicar: o Palmeiras era “mais campeão” que o timinho dela. Isso eu veria um dia, se soubesse esperar. Naquele dia entendi que meu time é meu time, não importa em qual situação. Jamais senti vergonha da minha camisa, na época tão saudosa da vitória que alguns ousavam dizer “nunca foi campeão”.

Meses depois, eu já tinha 6 anos, vi e comemorei a vitória imortalizada pelos pés de Evair. Ele usava uma camisa, a minha preferida de todos os tempos, e creio que será a favorita até o fim de minha vida, que eu juro ter sido minha primeira camisa. Talvez seja sonho meu...

Hoje vi um vulto dessa camisa em campo. E embora tenha visto, também, um jogo desesperado em busca de vitória, de classificação e superação de um resultado ruim, não pude deixar de chorar ao vê-la envergada por gente de tão baixa categoria. Alguns homens deveriam ser privados de manchar lembranças tão importantes, de manchar minha mais bela lembrança do escudo que ela carrega. Mas eles estavam lá. Lutaram contra seus próprios limites, venceram e saíram perdedores. Mas nada do que aconteceu naqueles 90 minutos apaga os 90 vergonhosos martírios anteriores, quando perdemos vergonhosamente no primeiro jogo. Aliás, a vergonha não poderia ser melhor coroada: gol de Jumar é algo que jamais vou aceitar.

Vergonha maior é ver torcedores comemorando uma desclassificação, que “o time jogou bem”, que “Valdívia voltou”, que “enfim fizemos três gols”... Se fossem adolescentes, que infelizmente talvez não saibam o que é o Palmeiras, eu entenderia. Mas são pessoas que viram até mesmo o que eu não vi: privilegiados dos tempos de Ademir da Guia e todos aqueles nomes memoráveis da década em que o Divino abrilhantou a camisa esmeralda de Palestra Itália...

Vejo pessoas comemorando vergonhas. Vejo pessoas dizendo que “não se pode criticar que é pior”. Vejo pessoas me massacrando por eu ter agido simplesmente como torcedora, reclamando após uma derrota. Hoje em dia não se pode reclamar, não é correto criticar, lamentar derrota é motivo para levar bronca, chamar jogador pelo nome é crime. Não pode, atrapalha o time, incentiva violência, é motivo para eu virar torcedora do Barcelona porque sou modinha.

Eu sou do tempo em que torcedor era aquele que sabia todos os palavrões possíveis para ofender o cara, a família, os ancestrais e, principalmente, a mãe do técnico e dos jogadores, não apenas do juiz, sem necessariamente ser o rei dos amendoins – mas apenas como um torcedor apaixonado comum, que às vezes perde a paciência e com razão. Sou do tempo em que torcedor era aquele que chorava com derrota ao invés de comemorar eliminação. Sou do tipo que acredita que, para apoiar, deve-se ir ao estádio, coisa que infelizmente raramente posso fazer. Torcedor no sofá, ou no twitter, não tem poder de atrapalhar ou incentivar o time. Torcedor tem direito de não se conformar, de chorar uma derrota vergonhosa, de reclamar daqueles que recebem milhões - possíveis apenas pela força da paixão de quem em troca só recebe frustrações.

Mas hoje ouvi um aluno dizer “credo, que absurdo”, ao ouvir que adoro ir ao estádio ficar uma hora e meia de pé enquanto canto, vibro, e apoio meu time. Hoje, após uma eliminação deprimente, fui privada de reclamar minhas dores. É proibido reclamar. Criticar é crime. Torcedor inconformado com derrota não tem lugar nessa torcida (e nem queremos) de gente que só apoia, apoia, apoia, apoia, apoia, sem críticas, do alto de seus teclados – ferramenta decisiva em qualquer decisão de campeonato, aliás. E eles dão tanto apoio, eles são tão importantes e decisivos, que vejam o resultado: tivemos hoje uma excelente vitória contra o Vasco da Gama de Jumar e Diego Souza.

Claro que vou continuar por aqui, o Palmeiras não me perde fácil, muito menos por gente medíocre. Vou continuar aqui, mas hoje sei que não há mais lugar pra mim. Não há lugar para pessoas como eu, porque o correto é nunca, jamais, demonstrar decepção.

Quem comemora derrotas não precisa de vitórias. Esses merecem o time que temos. Que me desculpem, assumo meu erro imenso e imperdoável, de ainda sonhar em ver o Palmeiras campeão. E sinto muito, mas para pessoas como eu, uma simples vitória de 3x1, que sequer dá classificação na primeira fase de um campeonato, não é suficiente.

Em tempo: Já é dia de Palmeiras, que nem sempre me faz sorrir, mas que sempre será o meu Palmeiras.Como quando eu tinha 5 anos, hoje ouço gente dizer que "parece que o Palmeiras jamais será campeão novamente". Bobagem. Não deixarei de ter esperanças no Palmeiras, quem me tira as esperanças são alguns que vestem sua camisa e beijam seu escudo. Mas no fim das contas, o que resta é sonhar, pois um torcedor de futebol nada mais é do que um louco apaixonado e sonhador. E quando as vitórias voltarem, quem sabe a lembrança da camisa não ajude, comemoraremos todos nós, os que reclamam e os que "apoiam". É o que importa.

Parabéns, Palmeiras. Agradeço, com carinho, a todos os que me fizeram rir, ou chorar de alegria, por esses 97 anos de histórias.



sexta-feira, 6 de maio de 2011

UMA PAIXÃO É UMA PAIXÃO

Estou para escrever aqui desde domingo. Não havia tempo. E quando o tenho, vem junto um vexame para comentar. Não vi o jogo ontem, apenas ouvi alguns minutos que me foram possíveis. A rádio cortou antes do final, de modo que eu (sem TV e internet) fiquei até o horário do almoço com o número 5 engasgado. Engano. O número é 6. Não é nem pelo adversário, o “tamanho” dele não importa num momento assim, e nem estamos em condições de questionar o time do Coritiba. É que tomar uma goleada dessas acaba com qualquer um mesmo. Ainda mais um time que quase não perdeu durante o ano (foi a quarta derrota), que tinha tomado o máximo de 2 gols por jogo (em apenas 2 jogos). A derrota não era esperada, essa derrota jamais.

Semaninha ruim essa. Daquelas para esquecer. Daquelas que deveríamos esquecer, mas não vamos tão cedo. Complicado. Fosse ainda criança ou adolescente, eu não teria ido à escola hoje, choraria por horas, não falaria com ninguém, ficaria deitada na minha cama remoendo a dor e a frustração. Não sou mais criança ou adolescente, portanto hoje tive que trabalhar com cerca de 200 deles. Muitos palestrinos. Tristes, sofridos. Tristes como já estavam na segunda, mas hoje também humilhados. Alguns falaram comigo e me olhavam com aquela carinha de quem pede esperança. Não sou de ter esperança, mas vou lhes contar...

Ontem, durante o jogo, ainda 4x0 para eles, conversa entre meu pai e eu:

- Sorte é que dois bons jogadores deles nem jogam semana que vem, disse meu pai com rara expressão de esperança.

- Você acha que ainda dá?

- Se não pensasse assim, não torceria. O futebol não vale a pena sem acreditar no impossível.

- Se eles podem fazer 4 em nós lá, podemos fazer 4 neles aqui (detalhe: não vimos o jogo, mal ouvimos).

- É.

Quinto gol. Não sei se ainda restou esperança. Mas do que vou falar aos alunos? De mais frustração? Contei dos anos 90, mais especificamente uns jogos contra o grêmio. Não levei em consideração que os anos 90 foram os anos 90, e os anos 2000. Bom...

Não sei se tenho mais esperança. Mas sem ela não há sentido em minha paixão. E como diz uma das minhas cenas preferidas do cinema, uma paixão é uma paixão. Tenho ao menos a esperança por saber que tempos difíceis geralmente passam. Espero que o Palmeiras não seja uma exceção ao geralmente. Uma derrota é apenas uma derrota, por mais humilhante que ela seja. Uma derrota deixa de ser apenas uma derrota quando tudo que se tem é a esperança de que “agora vai”, mas nunca vai.

Ser torcedor é torturar-se a cada temporada, a cada campeonato, com alguma chance de momentos felizes - por mais vitorioso e grande que seja seu time, a chance geralmente não é das maiores. Às vezes é difícil viver assim, já que ser torcedor é ser um apaixonado – e não há apaixonado que não seja fanático, obcecado, irracional.

Tenho um primo de 6 anos. Cresceu um pouco com minha família - até a cadela comemora gol do Palmeiras-, um pouco com os pais. Mãe, daquelas mais decepcionantes, palmeirense, pai corintioso. Ao contrário do irmão, gambá, sempre teve dúvidas sobre qual time escolher. Nós do Passione Verde fizemos de quase tudo. Faltou levar ao jogo por falta de autorização. Demos presentes, incentivamos, contamos histórias. Mas ele continua vestindo a camisa do Kléber, pedindo para eu levá-lo a um jogo, e comemorando gol do Corinthians – cantando, inclusive, o hino dos caras no domingo. Não dá. Como disse a ele no domingo, e um palmeirense bem conhecido também o disse nessa semana, ou você é palmeirense ou não é. E quando é... Não tem jeito, você pode até tentar se afastar, pode fingir que não se importa, pode ficar calejado ao passar dos anos e nem reagir mais como quando criança. Você pode deixar os estádios por um tempo. Pode dizer que não acredita. Mas no próximo jogo vai torcer como se fosse o último. Porque uma paixão é uma paixão. E essa é a minha paixão, em momentos vitoriosos ou não. Em vitórias fáceis, em vitórias sofridas, em derrotas heróicas, em derrotas vergonhosas, não tem coisa na vida que mude, essa é minha paixão.

Obs.: Não encontrei os créditos da imagem. Caso seja autor (a), nos avise por comentários.

segunda-feira, 22 de março de 2010

VALEU A PENA

Sábado, 13:30, Piracicaba. E eu ainda sem decidir se iria ao jogo ou não. Estava no ônibus, começando as 2 horas de viagem até São Paulo, onde passaria a noite para, bem de manhã, fazer uma prova. Passei a semana toda tentando decidir se iria ou não ao jogo, afinal, são poucas as chances que tenho de ver o Palmeiras de perto, de ir ao Palestra. Queria muito, apesar da sensação de que deveria ficar descansando, ou até estudando, para a prova difícil e importante de domingo. Isso sem falar na correria, chegaria atrasada, talvez não conseguisse encontrar ninguém. Por outro lado, a paixão. Paixão é aquela coisa desgraçada que te faz realizar atos irracionais, estupidamente ridículos, e ainda se sentir bem e feliz porque, no fim das contas, você fez o correto, fez o que deveria, tendo a certeza de que nem tudo na vida deve ser movido pela razão. Sim, eu não deixaria de ir ao jogo. Jamais.



E foi então que começou a correria. Em 3:30 horas eu teria que ir de Piracicaba ao Terminal do Tietê, de ônibus (2:15, com trânsito mais ou menos), pegar o metrô e ir até a estação Praça da Árvore (meia hora de metrô, mais o tempo de comprar bilhetes e esperar), andar mais ou menos 1 km em lugar desconhecido procurando o hostel em que me hospedaria (15 minutos), acertar as coisas, tirar da mochila tudo aquilo que não posso levar ao estádio (no mínimo mais 15 minutos), voltar ao metrô e ir até a barra funda ( 15 minutos de caminhada mais 30 de metrô), caminhar até o Palestra (10 minutos), comprar ingresso (ai meu deus, todo mundo deixa o ingresso pra comprar na hora). Mas peraí, somando tudo, correndo e sem imprevisto levaria mais de 4 horas. Perderia todo o primeiro tempo. Resolução? Dentre outras coisas, é para isso que temos amigos, sempre nos ajudam a resolver o que não podemos fazer sozinhos. Enquanto resolvia o assunto do ingresso por SMS com a Mayara, em Minas, que por sua vez resolvia o assunto com o Rodrigo, esse sim no Palestra, consegui também uma forma de chegar logo ao estádio: Letícia, uma amiga que foi fazer a mesma prova, mas hospedada na casa de um amigo, me fez a bondade de levar em sua mochila 2 livros, 1 pasta com documentos, desodorante, sabonete, pasta de dente, creme para cabelo, hidratante, carregador de celular, pente, enfim, tudo aquilo que eu não poderia levar ao Palestra. Dessa forma, eu não precisaria ir até o albergue e economizaria 1 hora do pouco tempo que tinha. Usei e abusei da boa vontade de todos, mas os 3 compreenderam e ajudaram com aparente prazer, 3 palmeirenses como eu.



Ao chegar na Barra Funda, às 16:40, o dilema dos dilemas: tive que ficar parada, esperando a macacada passar em 2 ônibus, gritando feito loucos, ofendendo até minha avó. Eita nóis, são virgens, mas sabem ser ridículos tal qual outros virgens, aqueles, virgens da América. Foi então que eu, que não sou Forrest Gump, tampouco Armero Bolt, na verdade corro menos que o Diego Souza naqueles dias em que ele parece ter 2 kg de areia em cada chuteira, tive que correr. Deve ter sido uma cena linda, correndo desesperada, suada, com todo meu belo condicionamento físico, em meio a mais outros 20 palmeirenses tão loucos quanto eu. Cheguei a Matarazzo praticamente derretida, Rodrigo me esperando com o ingresso na mão, pisamos na arquibancada e a bola rolou, como se tivéssemos um cronômetro.



Não vou falar muito do jogo. Se você não o viu na hora, provavelmente já cansou de ver e ler sobre. Mas algumas considerações devem ser feitas. A marcação, como há um bom tempo, está ridícula, o que é revoltante porque temos caras capazes de marcar bem. Diego e Cleiton, que se movimentam bastante invertendo o posicionamento, não têm sido quase nada efetivos. Penso que Diego precisa ficar mais tempo próximo do ataque, enquanto Cleiton no meio indo buscar jogada, ou criando algo de bom. Isso exploraria as melhores qualidades dos dois bons jogadores, embora oscilantes. E eles se aproximam pouco, o que é ruim, já que são os mais entrosados e habilidosos do time. Quando se aproximam, algo bom geralmente acontece. O Palmeiras tem cobrado escanteios e faltas ridículas, deveriam ficar um dia inteiro treinando. Outra coisa é a falta de objetividade, falta arriscar logo a gol, falta entrosamento de Ewerthon com o time, falta (atenção ou capacidade?) de Armero e Robert para acompanhar jogadas, principalmente de Cleiton e Diego. Aliás, Robert não deveria sair tanto da área e é deprimente quando seu principal atacante tem um sério problema em finalizar. Por fim, embora haja mais problemas, aquela jogadinha de alguém pela esquerda (geralmente Armero ou um dos meias) conduzir a bola até o meio, depois virar o jogo para alguém na direita (geralmente Márcio Araújo ou algum dos meias), que corre até a linha de fundo e cruza, repetiu-se tantas vezes que eu pensei estar em meio a um ataque de dejá “vus”. Legal, interessante, deu pra notar que estão tentando parar de “cozinhar” a bola entre zagueiros e volantes, sem coragem de criar algo, mas isso matou a criatividade também. Acho legal buscar jogadas ensaiadas e fugir desse lenga lenga sem criação, mas é bom inovar e surpreender. O Palmeiras insistiu demais no cruzamento, como o próprio zago falou na coletiva, mas não se pode restringir um time a apenas uma jogada.



Ah, duas coisas que chamaram minha atenção: 1 – da série “coisas que você dificilmente verá na vida”, Armero salvando o Palmeiras duas vezes, acertando bicudas quando o adversário pressionava. 2 – da série “agora entendo”, Diego correndo loucamente na linha de fundo, para a bola não sair e não dar tiro de meta para a Ponte. Agora entendi o que ele quer dizer quando fala em “correr atrás da bola como se ela fosse um prato de comida”, faça isso mais vezes meu filho!



E foi isso. Gols ridículos. E a ponte conseguiu o que queria: o tempo quase todo na retranca até surgir oportunidade de matar o jogo. Confesso que já tinha jogado a minha toalha do Paulista 2010 há algum tempo, embora no fundo sempre haja a esperança sem sentido característica do torcedor. Desse modo, espero que o Palmeiras se acerte na Copa do Brasil e para o Brasileiro. Continuo achando que, embora ainda tenha muito a melhorar, apesar da derrota o time está melhor do que em jogos como contra o Sertãozinho (o Palmeiras venceu jogando mal pra caramba), Santo André... Em todo caso, se essa diretoria não começar a agir direito, continuarei pensando que o maior problema não vem da culpa de jogadores.



Naquela noite, enquanto procurava a Letícia para pegar minhas coisas e, enfim, me hospedar, imaginei que todas aquelas pessoas que me pararam na rua para comentar o jogo, pensaram que eu estava triste, ou com raiva. Porém, caminhando numa chuva daquelas “estilo São Paulo de ser”, eu não conseguia conter um sorriso tímido esboçado no rosto. Há mais de uma década eu nutri uma esperança, a esperança de realizar algo que foi um sonho na infância. Com o tempo fui vendo o Marcos envelhecer, perto de aposentar, e imaginava que acabaria passando a vida sem vê-lo defender um de seus pênaltis. Pensava que quando velha, ao falar de meu grande ídolo do futebol, eu não poderia relatar minha presença em algo que tanto o caracteriza. E agora não tenho mais esse medo. Vitórias e derrotas, para times bons ou piada pronta como o da Ponte Preta, irão ocorrer muitas e muitas vezes, como já ocorreram. E eu estarei aqui para ver. Mas o Marcos vai passar, e será logo. Naquele início de noite, com o Palmeiras perdendo e o jogo bem perto de acabar, Rodrigo me disse “Pênalti. Vamos embora”. Mas nem deu tempo de eu decidir se pedia a ele para ficar, ou se o acompanhava, já que estava me sentindo obrigada a fazer a vontade de alguém que me ajudou tanto a estar lá. Não deu tempo, já que em seguida ele completou “Não. Vamos ficar e ver o Marcos defender. Ao menos uma coisa de boa veremos hoje”. Esperamos, convictos, e ele não decepcionou. Aliás, que defesa segura. Foi um momento mágico, com o qual sonhei por grande parte da infância e toda a adolescência. Marcos defendendo um pênalti no Palestra, e eu no meio da torcida, feliz. Para muita gente isso não significa absolutamente nada, mas eu quase chorei, e eu jamais esquecerei o sorriso feliz do Rodrigo, que deve entender tudo o que eu senti. Valeu a pena a correria, o risco, me perder ao voltar, a chuva que tomei, passar o domingo todo com tênis molhado e fedido, ver o jogo todo mesmo que o Palmeiras tenha perdido e me feito sofrer. Valeu a pena ter seguido minha intuição de que eu deveria ir, de que aconteceria algo muito importante e eu me arrependeria se não fosse. Mesmo em momentos ruins, há sempre pelo menos um motivo para sorrir. Eu tenho o meu e agradeço aos que me ajudaram a fazer essa viagem chata, difícil, realizada por uma prova que foi um desastre, valer a pena.



Termino com um recado para você, palmeirense desesperado e ainda de cabeça quente. Aqui é Palmeiras, meu filho. Todo mundo perde no esporte, mas nós não somos uma Ponte Preta que nunca ganhou nada, muito pelo contrário, e vamos continuar ganhando. Vitórias e derrotas passam, o que fica é a lembrança que você guardou de cada momento inesquecível. Aprenda a guardar as coisas boas também. E aprenda a ser apaixonado, a fazer loucuras, sem que para isso necessite ir às ultimas conseqüências. Se uma paixão não é capaz de te fazer bem e de te divertir até mesmo nas adversidades comuns da vida, não vale a pena estar apaixonado.