Sei de muita coisa que não vi. E vós também. Não se pode dar uma prova da existência do que é mais verdadeiro, o jeito é acreditar. Acreditar chorando. Esta história acontece em estado de emergência e de calamidade pública. Trata-se de livro inacabado porque lhe falta a resposta. Resposta esta que espero que alguém no mundo me dê... (A Hora da Estrela – Clarice Lispector)terça-feira, 8 de dezembro de 2009
A DERROTA DOS INCOMPETENTES, IRRESPONSÁVEIS E EMOCIONALMENTE DESCONTROLADOS NÃO PODE MATAR O GRANDE CAMPEÃO.
Sei de muita coisa que não vi. E vós também. Não se pode dar uma prova da existência do que é mais verdadeiro, o jeito é acreditar. Acreditar chorando. Esta história acontece em estado de emergência e de calamidade pública. Trata-se de livro inacabado porque lhe falta a resposta. Resposta esta que espero que alguém no mundo me dê... (A Hora da Estrela – Clarice Lispector)domingo, 6 de dezembro de 2009
SALVEM NOSSO PALMEIRAS DESSA MERDA TODA
Não adianta eu dizer que estou com vergonha, porque não estou. Vergonha é pouco. Indignação? Pouco. Repulsa? Menos ainda. É tudo muito pequeno pra explicar o que eu estou sentindo. Tristeza também não, eles não merecem. Ninguém merece dali, absolutamente ninguém. A Sociedade Esportiva Palmeiras, por Deus, não merece isso! A direção mudou, não é mais arcaica e corrupta. É atrapalhada e amadora. A comissão técnica também mudou. O ultrapassado mercenário filho da puta deu lugar a uma mula teimosa e retranqueira. Os jogadores, esses sim, mudaram muito. No começo dos anos 2000 nos acostumamos a ver um time de jogadores medíocres. Desde 2006 vemos um time de jogadores vagabundos. A torcida, que deveria mudar, não mudou. Continua apaixonada e sofrendo por quem não merece. Sofremos sem recompensa. sábado, 5 de dezembro de 2009
FUTEBOL NÃO É GUERRA

Há uma semana postei um texto sobre a relação entre a linguagem do futebol e a guerra, a partir de metáforas utilizadas em narrações, reportagens, discurso de jogadores, técnicos e torcedores. Naquela ocasião, pretendia justificar a frase de Belluzzo “vamos matar os bambis”, não concordando nem discordando com sua declaração, que vejo como algo normal do futebol, embora eu não tenha gostado da forma e lugar do ocorrido, enfim...
O teor daquele texto me fez pensar em escrever algo sobre um assunto relacionado, assunto que curiosamente rendeu notícias e mais notícias durante a semana. Pensando na forma como a imprensa esportiva sensacionalista fez questão de abordar o “vamos matar os bambis”, forma tendenciosa de divulgação que provavelmente deu margem para o aumento do potencial violento dessa grande massa acéfala que existe entre torcedores de futebol, refletia sobre como é triste ver que o futebol e a guerra não estão relacionados apenas em questões de linguagem. Muitas vezes, no Brasil e no mundo, o futebol tem sido um esporte guerra.
Recentemente tivemos várias brigas dentro de campo, entre jogadores do mesmo time, como ocorreu com o Palmeiras e Bambis no último mês, o que não acho tão absurdo quanto brigas entre diferentes equipes – porque entre jogadores da mesma equipe, geralmente, é desentendimento e confusão apenas, embora a agressão seja algo feio, já entre diferentes equipes geralmente a briga é causada pela intolerância à derrota. Aliás, o grande problema do esporte: intolerância à derrota.
Torcidas costumam brigar também, é algo tão comum que nem precisa citar. Geralmente as organizadas, até mesmo do mesmo time, são as causadoras dos piores problemas, ficando até difícil reclamar quando são chamadas de “facções”. Mas também brigam com torcedores rivais, num show de intolerância. Para algo mais recente, basta lembrar-se do torcedor gambá morto nesse ano
Outro problema é o tipo de cobrança que se faz aos jogadores. Não é incomum ver notícias, no Brasil e no mundo, de jogadores que foram encontrados em festas – mesmo que sejam reservas e talvez nem relacionados para jogos, que são agredidos por torcedores. Ou aquela velha história de sempre: torcedor que encontra jogador que está em má fase e aproveita para agredi-lo/ameaçá-lo. Eu gostaria de saber se esse povo realmente acha que tal atitude levará a alguma coisa.
Essas coisas, infelizmente, são cotidianas no futebol. Não adianta dizer que o evento “membros da mancha x Vagner Love” é algo isolado durante a temporada. Seria bobagem tamanha que nem preciso citar outros exemplos, só não vê quem não quer. E, embora seja a minoria que resolva “partir para a agressão”, ainda assim é algo preocupante, revoltante, lamentável. Violência, em qualquer lugar, não leva a nada e só degrada as coisas. E o esporte, bom, o esporte não deveria ter violência jamais. Há quem acredite que o esporte pode ser pacificador, mas não é o que tenho visto, gostaria de dizer o contrário.
Isso não vai mudar enquanto as pessoas não aceitarem que - embora elas tenham todo o direito de se importar tanto quanto queiram -, o futebol não deve ser assunto de vida ou morte, nem estar no pedestal das coisas mais importantes. E não vai mudar porque a violência é algo que apenas tenta-se camuflar, mas se estende a todas as facetas da vida, inclusive ao lazer, ao esporte, ao que deveria ser de alguma forma diversão e entretenimento para aquele que assiste, por mais que exista o lado da paixão. Além disso, há também a já citada questão da intolerância à derrota. É claro que no esporte o objetivo é a vitória e, geralmente, qualquer coisa diferente leva à decepção, ao desgosto de todos os participantes, inclusive espectadores. Porém, a vitória ou derrota também não deveriam ser assuntos de vida ou morte.
Aqui, percebo algo que considero fundamental: as pessoas precisam aprender a por o futebol em seu devido lugar, precisam aprender a apaixonar-se por coisas e pessoas sem para isso precisar consumir a própria vida – e as vidas dos outros, precisam aprender a conviver com as perdas, que é algo comum na vida, principalmente quando existe disputa envolvida. As coisas podem, e muitas vezes vão decepcionar e causar contragosto, porém, é preciso ter controle para que a decepção não se torne violência. Não há decepção, frustração, raiva, tristeza ou qualquer sentimento ruim no mundo que justifique atitudes de violência. Não há motivos para que o futebol seja essa guerra que vemos hoje, nada na vida deve ser assim, muito menos o esporte. Há pessoas que deveriam preocupar-se mais com outras coisas, a vida possui tantas coisas importantes para também se importar...
Sem julgar os membros dessa organizada representada pelos agressores de Love, gostaria de dizer que embora exista uma paixão alviverde pulsando dentro de nós, nos fazendo desejar sempre vitória e sentir as derrotas como grandes decepções, isso não justifica a violência, isso não justifica certas cobranças, certas agressões físicas e verbais. Isso não justifica colocar a vida a perder, colocar outras coisas importantes de lado. Não sei se o problema está na forma como se dá valor o futebol, ou na forma como se trata a questão da violência, mas sei que algo precisa mudar. É uma vergonha, para qualquer torcedor de futebol, ver a imagem daqueles garotos patéticos, presos por tamanha besteira e falta de algo melhor para fazer.
domingo, 29 de novembro de 2009
DIEGO E LOVE DESENCANTAM E PALMEIRAS SEGUE RESPIRANDO
Vencer tornou-se algo tão fora de prática que quando isso acontece parece que tudo muda. Se está nublado o céu abre, e se não abre aprendemos a gostar da chuva. Noutros dias até o sol atrapalhava. Há dois anos, última rodada, o Palmeiras de Caio Junior, sem Valdivia, precisava vencer em casa o Atlético-MG, que já não tinha mais nada para almejar no campeonato. A vitória garantiria a vaga palmeirense na Libertadores. Era tão certo quanto 2 + 2 são 4. Perdemos. Agora os dois times brigavam pela vaga na competição mais importante da América do Sul. Novamente jogo decisivo no Palestra Itália. Hoje a história foi diferente. Os mesmos 3 x 1, mas o azar mudou de lado. Um consolo para um final trágico. Um importante passo para um recomeço tardio. Mas antes tarde do que nunca. Créditos da foto: Terra.
sábado, 28 de novembro de 2009
“VAMO MATAR OS BAMBI, ELES JÁ MORRERAM HOJE”
AS METÁFORAS DO FUTEBOL E A LINGUAGEM DE GUERRA, BELLUZZO CONTRA A IMBECILIDADE GERAL
“Time de futebol precisa atacar como boxeador peso-pesado, mas não pode defender como peso-pluma”. (Carlos Alberto Parreira, técnico de futebol)
“O tanque Urutu pode estar com o motor pifando, mas a mira dos canhões continua ótima” (João Garcia, Jornalista, sobre os dois gols de Ronaldo em Brasil 4x1 Japão na Copa de 2006)
Olha o time do Corinthians partiu pro ataque (Corinthians x Santos, TV Globo, 06/11/2005)
Pode pintar mais um gol do Náutico no contra golpe (Portuguesa x Náutico, Rede TV, 19/11/2005)
O time do Internacional jogando no campo de defesa (Corinthians x Inter, Rádio Transamérica, 20/11/2005)
Cê acha que o Tevez vai sê o artilheiro do campeonato? (Programa Gazeta esportiva, TV Gazeta, 06/11/2005)
Chuta uma BOM: ::ba uma bomba (São Paulo x Portuguesa, TV Gazeta, 31/03/2005)
Falhô o goleiro falhô porque nu foi um tiro forte do Almir (Grêmio x Portuguesa, Rede TV, 12/11/2005)
Um ataque perigosíssimo do Paulista (São Paulo x Paulista, TV Globo, 06/03/2005)
Por baixo Anderson mata a jogada (Corinthians x Palmeiras, Rádio Transamérica, 20/03/2005)
Aí vem trabalhando o time do Goiás... nu tá morto nu jogo não (Corinthians x Goiás, TV Globo, 04/11/2005)
Vem Bruno Otávio desarmando o ataque do time colorado (Corinthians x Inter, Rádio Transamérica, 20/11/2005)
Tevez dominô engatilhô (Corinthians x Palmeiras, Rádio Transamérica, 20/03/2005)
Tevez invadiu a área... corta Daniel (Corinthians x Palmeiras, Rádio Transamérica, 16/10/2005)
O massacre no Pacaembu [Corinthians 7 x Santos 1] (Programa esportivo, TV Bandeirantes, 06/11/2005)
O Wendel é o primeiro a dá combate (Corinthians x Inter, Rádio Transamérica, 20/11/2005)
Elton aposta em duelo de ‘matadores’ com Marcelo Nicácio
O confronto deste sábado entre Vasco e Fortaleza, no Castelão, pela Série B do Campeonato Brasileiro, vai marcar o duelo dos dois principais artilheiros da competição.
"Uhh! Felipe é matador." O coro da torcida foi o maior presente para Felipe por mais uma boa atuação.
Aos 29 anos, o atacante venceu também o duelo com Túlio Maravilha, que tem quatro gols no Campeonato Goiano, 868 na carreira e sonha ainda chegar ao milésimo.
o Flu tem pela frente no Brasileirão um adversário "morto"
Galo promete redobrar atenção contra o Palmeiras para praticar estratégia de contra-ataques: ‘Não dá mais para levar gol bobo’, diz Éder Luís
Na próxima quinta-feira, dia 26 de novembro, o Grêmio comemora quatro anos da épica "Batalha dos Aflitos"
Nilmar prevê clima de revanche após massacre do Inter sobre o Ju em 2008
Se isso influencia de forma violenta ou não é questão para outras reflexões. Em todo caso, está claro que toda a estrutura de um jogo de futebol remete à linguagem da guerra. Isso é absorvido pela torcida, que participa, que se sente integrante daquilo tudo. Os termos “perdemos”, “vamos vencer”, “somos campeões”, são comuns, demonstrando que torcidas se identificam com os times, como se fossem parte dele, não se sentem como algo separado. Se o time vence, a torcida venceu, se o time massacra o adversário, a torcida afirma “massacramos”. Quando confiante em um jogo, a torcida afirma “vamos acabar com eles”, “vamos massacrá-los”, “vamos matá-los”. Enfim, cheguei ao ponto que queria.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
NÃO HÁ NADA TÃO RUIM QUE NÃO POSSA PIORAR
É engraçado como a vida é irônica. Há pouco mais de um mês eu pensava que no fim de dezembro estaria com meu curso de graduação terminado, sem pressão de monografia, com meu time campeão brasileiro, e já sonhava com várias coisas que teria tempo para escrever aqui: momentos bons, momentos tristes, momentos incríveis, gols inesquecíveis. É, sonhava. Lembro até que pensei em escrever sobre Obina, contra o Corinthians. Diego Souza, contra Flamengo no rio. Danilo, contra Atlético Mineiro. Ortigoza, contra o Vitória no comecinho do campeonato, lá no Palestra, minha primeira vez no Palestra.
Como nós sonhamos nesse ano, não? Depois que o senhor Lu$$a e (Quem?)rison sumirem daqui, tudo parecia resolvido, era o lindo mundo do Palestra Itália: Jogadores amigos, sorrindo, se abraçando, correndo atrás de resultado que geralmente vinha, vários jogos sem perder. Torcedores felizes, orgulhosos... Mas como diria o velho filósofo bêbado: o que mais dói na vida é contar com o ovo quando ele ainda nem chegou ao cu da galinha. “Poizé”.
Confesso que depois daquele dia em que o Palmeiras foi ao Rio para levar uma bala bem no meio da testa, enviada pelo Sr. Simon a mando de sabe-se quem, eu sonhava com um pé atrás. Explico: dois dias antes tinha dito a uma amiga que era impossível não torcer e tentar acreditar no Palmeiras, mas é igualmente difícil torcer para algo que você nota ser pré-estabelecido. Naqueles dias, começaram a acontecer coisas estranhas, e isso continua acontecendo... Mas não vou falar disso, não há mais fôlego. A única coisa que eu queria era ver meu Palmeiras lutando de forma digna, assim como seu presidente, para que caso perdesse não fosse por incapacidade própria. Era apenas o que eu queria.
Sobre os senhores Obina e Maurício, sei lá, as pessoas perdem a cabeça, brigas acontecem, mas não dava para esperar sair do campo? Precisava piorar o que já estava ruim, acabar totalmente com as poucas chances que ainda tínhamos? Que se matassem no vestiário e fossem substituídos, tanto faz, mas que brigassem fora dali... Se pudesse dizer algo a eles seria que não adianta achar que são o Hugo e o André Dias que vestem certa camisa aí, se é que não sabem...
O pior de tudo é ver que o time, apesar de não ter feito uma partida brilhante, apesar do gol ridículo tomado nos últimos segundos do primeiro tempo, jogava de uma forma que poderia dar resultado bom. Depois de tanto tempo, e talvez tarde demais, parecia que estavam conseguindo se acertar. Muricy-troféu-cabeça-dura-do-ano percebeu que em 2009 o Palmeiras só teve camisa 9 estragado, e que o Diego Souza (que hoje quase jogou bola direito) fica perdido quando o colocam pra ser armador ao lado de um volante pensando que é camisa 10. No fim das contas foi triste ver certos caras tentando, buscando calma e jogo, para dois joselitos enfiarem o pé na merda desse jeito. Assisti ao segundo tempo por pena e respeito aos que ficaram. Sim, eles têm responsabilidade pelo atual estado do time, claro que merecem a cobrança. Mas foram esses que fizeram o que eu, mesmo na condição de torcedora apaixonada, não sei se conseguiria fazer: não foi possível um bom resultado, mas terminaram aquela porcaria sem jogar a toalha.
Pierre e Danilo merecem palmas. O camisa 5, mesmo depois de tudo o que passou nos últimos meses, conseguiu ser nosso melhor jogador em campo. Os outros merecem respeito, fizeram o que podiam e nem sempre dá para esperar milagre. Ano passado eu nunca imaginei que defenderia esse cara, mas é bom que quem questiona o comprometimento de Diego Souza se atente para o fato dele ter sido a única pessoa que tentou conversar com o time e arrumar a bagunça depois da desgraça feita. Porém, a luta de nenhum desses nove vai justificar a incompetência de todos eles e mais alguns nos últimos jogos, muito menos nos fazer esquecer.
Assumo que eu gostava muito do Obina, mas isso fica no passado, hoje só quero que ele e o Maurício sumam. O Danilo, ao defender Obina, disse as seguintes palavras “Todo mundo erra. Ele errou porque estava querendo muito. Alguns jogadores aqui não estão nem aí”. Sim, todo mundo erra, mas tem erro que é difícil de aceitar, ainda mais de perdoar. E sobre os jogadores que não estão nem aí, espero que nossa diretoria comece a ouvir o que Marcos e Danilo estão soltando na imprensa, e que resolva logo essa palhaçada. Se falam assim, é porque ou a coisa está pior do que se pensa, ou estão vendo pelo em ovo e devem parar com isso – eu aposto na primeira opção, vindo de quem vem as acusações. Será preciso lembrar de que aqui é Palmeiras?
Eu sonhei muita coisa há alguns meses atrás. Hoje só quero que o ano acabe, quero descansar disso tudo, quero que meu time não me dê a vergonha de sequer participar da Libertadores, quero que o Palmeiras continue em mudança porque existe muita coisa errada estragando todo esse esforço. Foi triste ver tanta coisa feita e sonhada, para acabar nessa decepção. Mas a vida é assim e esse é o risco que se corre ao tentar. É triste sim, mas o Palmeiras continua. É decepcionante, mas a vida vai continuar sem querer saber de futebol. Depende de cada um de nós o quanto vamos fazer essa dor continuar. É cômico pensar que matematicamente ainda dá, mas diante do descontrole desses jogadores e da atual situação, é melhor poupar esperanças para outras situações. A vida não é decidida de forma matemática, e tem sofrimento que não vale a pena, não vale...
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
E AGORA, O QUE PENSAR?
Queria eu poder responder. Não sei. Ainda está difícil de assimilar, de acreditar, mas aconteceu de verdade. Empatamos com o lanterna em casa. Fizemos um primeiro tempo de dar dó, digno de último colocado... da série B. Jogava pela direita, era uma avenida, pela esquerda, uma avenida, pelo meio, uma avenida. Por onde se quer que olhasse havia espaço. Havia bate-cabeça, desorganização, falta de orientação. É amigo, seria cômico se não fosse trágico. E agora, acabou? Eu queria dizer que não.